Pneumonia: principais sintomas e como tratar

Todos os anos surgem 150.000 novos casos de pneumonia em Portugal. Eduarda Pestana, pneumologista do Hospital Lusíadas Lisboa e da Clínica Lusíadas Parque das Nações, explica como estar atento à doença que afeta sobretudo idosos e portadores de doenças crónicas.

A pneumonia consiste numa inflamação aguda do tecido pulmonar de origem infeciosa, caracterizada pela proliferação de microrganismos ao nível alveolar.

Em Portugal, a pneumonia é responsável por 40.000 internamentos todos os anos. Um número que reforça a necessidade de estar atento aos sintomas e ao tratamento adequado. Eduarda Pestana, pneumologista do Hospital Lusíadas Lisboa e da Clínica Lusíadas Parque das Nações, faz o enquadramento da doença e ajuda a reconhecer os sintomas da infeção.

O que é

A pneumonia é uma doença infecciosa que consiste numa inflamação aguda do tecido pulmonar, caracterizada pela proliferação de microrganismos ao nível alveolar. A doença pode ser contraída no dia-a-dia, mas está, também, associada a ambientes de cuidados de saúde, ocorrendo, por vezes, em hospitais.

Sintomas

Por vezes não surgem logo no início e são comuns a outras doenças do aparelho respiratório. Os sintomas aparecem, geralmente, de forma rápida e podem ou não manifestar-se todos ao mesmo tempo. Nos idosos, a pneumonia apresenta-se, frequentemente, sem sintomas específicos e sem febre. No entanto, o diagnóstico da doença deve ser colocado perante uma história clínica de:
Febre, muitas vezes elevada;
Calafrios;
Tosse com ou sem expetoração;
Dor torácica;
Dificuldade respiratória.

Podem ainda surgir outros sintomas não respiratórios, como:
Dor de cabeça;
Náuseas;
Vómitos;
Dor abdominal;
Diarreia;
Dores nos músculos e articulações.

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Complicações

A ocorrência de complicações, bem como a gravidade da pneumonia, dependem da saúde global do indivíduo, da idade, do tipo e da extensão da pneumonia. As pessoas jovens e saudáveis geralmente são tratadas com sucesso. Já os idosos, fumadores, portadores de doença cardíaca (insuficiência cardíaca) ou pulmonar (DPOC /enfisema) podem ser mais difíceis de tratar.

As principais complicações relacionadas com a pneumonia são:

  • Bacteriemia

Invasão da corrente sanguínea pelas bactérias causadoras da pneumonia, que podem disseminar-se rapidamente para outros órgãos e causar outras infeções;

  • Derrame pleural

Traduz-se pela existência de líquido ou mesmo pus (empiema) na cavidade pleural devido a infeção por contiguidade a partir dos pulmões;

  • Abscesso pulmonar

Por vezes a pneumonia pode abceder, formando uma cavidade dentro do pulmão;

  • Insuficiência respiratória

Acontece em pneumonias muito extensas com necessidade de ventilação mecânica e cuidados intensivos.

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Diagnóstico

A pneumonia é uma doença aguda, que pode ter evolução imprevisível e que requer tratamento imediato. Quando a doença for transmitida fora do hospital, deve dirigir-se ao seu médico de família, médico assistente, ou a um serviço de atendimento urgente. É necessária uma avaliação inicial para determinar a escolha do local de tratamento que, na maioria dos casos (80%) será feito em ambulatório. Se houver problemas subjacentes, doenças crónicas, ou se a evolução da pneumonia não decorrer de modo favorável nas primeiras 48 a 72 horas, pode ser necessário o internamento.

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Tratamento da pneumonia

Depende do tipo de microrganismo causador da infeção, da gravidade dos sintomas, da presença de outras doenças associadas, local de contaminação (comunidade ou hospital) e do grau de comprometimento dos pulmões.

As pneumonias mais frequentes são as bacterianas, por isso o seu tratamento tem por base o uso de antibióticos.

Logo que se esclareçam as causas, a terapêutica deve reajustar-se utilizando o antibiótico mais eficaz. Quando o agente causador da infeção não é identificado, o reajuste ou alteração terapêutica faz-se pelo evoluir da situação clínica.

Após o início do tratamento, espera-se uma melhoria dos sintomas no espaço de 48 a 72 horas. Caso essa melhoria não ocorra, ou haja agravamento dos sintomas, o doente deverá ser reavaliado pelo médico.

Quanto mais rápido se iniciar o tratamento, melhores serão os resultados. Além disso, devem seguir-se as orientações médicas e completar o tempo previsto de toma do antibiótico. Desse modo, evita-se uma recidiva da pneumonia ou a resistência aos antibióticos utilizados.

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Grupos de risco

Pessoas acima dos 65 anos;
Crianças muito novas;
Portadores de doença crónica como diabetes, neoplasia, doença pulmonar obstrutiva crónica, doença cardiovascular, doença neurológica, insuficiência renal ou hepática;
Fumadores e pessoas com dependência de álcool e drogas;
Pessoas que residem em lares ou casas de repouso e os doentes com internamento hospitalar prévio.

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Prevenção

1. Vacinação

A principal medida preventiva é a vacinação pneumocócica e gripal, dado que uma gripe pode levar ao desenvolvimento de uma pneumonia. A medida deve ser adotada por:
Maiores de 65 anos;

Pessoas que tenham algum tipo de fator de risco para adquirir pneumonia como:
Doença crónica;
VIH (Sida);
Doença que afete o sistema imunitário.

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2. Hábitos de vida saudáveis

Ajudam a aumentar as defesas do organismo, fortalecendo o sistema imunitário e prevenindo as infeções.

Deixar de fumar. O cigarro causa lesões no pulmão, reduzindo as defesas naturais do organismo contra infeções respiratórias;
Diminuir o consumo de álcool;
Seguir uma alimentação equilibrada;
Praticar atividade física

 

Colaboração:
Eduarda Pestena, pneumologista do Hospital Lusíadas Lisboa e da Clínica Lusíadas Parque das Nações

Especialidades em foco neste artigo:
Pneumologia