Hipertiroidismo: o que é?

Afeta sobretudo as mulheres e tem como sintomas principais a taquicardia, o emagrecimento, uma sensação de cansaço extremo, além de tremores, intolerância ao calor, alterações da sudação, labilidade emocional. Isabel Torres, endocrinologista do Hospital Lusíadas Porto, explica o que é o hipertiroidismo, as suas causas e quais os tratamentos possíveis.

Hipertiroidismo: o que é

O que é o hipertiroidismo?

O hipertiroidismo é uma doença da glândula tiroide, caracterizada pela produção em excesso de hormonas tiroideias. Estas hormonas são essenciais para a regulação do organismo, de uma forma global; contribuem para a regulação da frequência cardíaca, da tensão arterial, da produção de calor, do funcionamento digestivo, da produção de energia, entre outras. Na situação de hipertiroidismo, todo este controlo do organismo é afetado.
É o contrário de hipotiroidismo, doença em que a glândula da tiroide não produz hormonas em quantidade suficiente.

Como afeta o organismo?

A produção em excesso de hormonas na tiroide provoca a aceleração de todas as funções do organismo, levando a um quadro de debilidade geral. Em casos raros, se não for tratada, pode levar a uma crise tireotóxica, uma situação grave, com risco de insuficiência cardíaca e morte.

Quem é afetado?

Tal como em todas as doenças da tiroide, o hipertiroidismo afeta muito mais as mulheres do que os homens. Surge mais frequentemente entre os 30 e os 50 anos, embora existam registos de casos em crianças, jovens e idosos.

Causas

Existem diversas causas possíveis para a produção excessiva de hormonas tiroideias:

  • Doença de Graves

É a causa mais comum de hipertiroidismo e caracteriza-se pela produção de anticorpos pelo organismo, que estimulam a tiroide a funcionar em excesso. Trata-se de uma doença autoimune, tem uma base genética, mas a sua origem ainda não é totalmente conhecida pelos especialistas. Em alguns casos, manifesta-se meses após uma situação de stresse agudo. Associa-se geralmente ao aumento de volume da glândula (bócio).

  • Nódulo hiperfuncionante ou tóxico

Trata-se de um nódulo da tiroide, normalmente com grande volume, que começa a produzir hormonas em excesso.

  • Bócio multinodular tóxico

Aumento do volume da glândula da tiroide, associado à existência de vários nódulos que produzem hormonas em excesso; surge habitualmente em pessoas mais velhas, já com antecedentes de bócio multinodular.

  • Medicação

Dosagem excessiva de medicação com hormona da tiroide, que leva também a um quadro de hipertiroidismo. Nestes casos, não é um problema da própria glândula, mas sim de um desajuste na dosagem da medicação.

  • Ingestão excessiva de iodo

Algumas medicações contêm iodo, que, em algumas circunstâncias, pode estimular a tiroide.

Sintomas

Taquicardia (aumento da frequência cardíaca), palpitações;
Cansaço extremo; fraqueza muscular;
Emagrecimento, embora o apetite se mantenha inalterado ou mesmo aumentado;
Sensação de calor;
Sensação de agitação interior;
Aceleração do trânsito intestinal;
Aumento da transpiração;
Tremores;
Irritabilidade, labilidade emocional;
Alterações menstruais na mulher;
Olhos dilatados e salientes (no caso da Doença de Graves).

Diagnóstico

O diagnóstico é feito a partir dos sintomas descritos pela pessoa afetada e pela observação da pessoa e a confirmação é feita através de uma análise sanguínea, realizada sem necessidade de jejum. Poderão ser necessários outros exames para determinação da causa do hipertiroidismo.

Como se trata

O tratamento do hipertiroidismo pode ser feito de três formas distintas, consoante as causas da produção excessiva de hormonas, a idade da pessoa e o seu historial médico. Eis as opções:

  • Medicação oral (fármacos)

É, por norma, o tratamento inicial do hipertiroidismo, com fármacos específicos (antitiroideus de síntese). Trata-se de um tratamento que se prolonga, em média, durante um ano, com elevada taxa de recaída da doença. Pode acarretar alguns efeitos colaterais, devendo ser orientado por um endocrinologista.

  • Iodo-131

Tratamento à base de iodo radioativo, através da ingestão de uma cápsula. Esta é uma terapêutica eficaz, de mínimo risco e com dosagens controladas. Em geral, o iodo-131 pode ser indicado para qualquer pessoa adulta, exceto grávidas, mulheres que planeiam engravidar nos próximos seis meses ou em amamentação. Pode estar contraindicado nas pessoas com doença de Graves e oftalmopatia. O seu efeito faz-se ao longo de meses após o tratamento, podendo ser necessária a sua repetição; ao longo do tempo poderá desenvolver-se hipotiroidismo, situação facilmente controlada com terapêutica de substituição.

  • Cirurgia

É sobretudo indicada para casos de bócios volumosos, embora seja eficaz nas várias causas de hipertiroidismo. O tipo e a extensão da cirurgia variam de acordo com a causa da doença. Perante casos de Doença de Graves e bócios multinodulares tóxicos, a tiroide é removida completamente. No caso de um nódulo hiperfuncionante, é indicado retirar apenas a metade da tiroide onde está o nódulo.

Colaboração:
Isabel Torres, endocrinologista do Hospital Lusíadas Porto

Especialidades em foco neste artigo:
Endocrinologia