Unidade Cardiovascular: procedimento inovador no HLL

A intervenção permite proteger os doentes com fibrilhação auricular que não podem recorrer a medicamentos anticoagulantes.

Fibrilhação auricular: tratamento inovador em Portugal

A Unidade Cardiovascular do Hospital Lusíadas Lisboa utilizou pela primeira vez em Portugal um dispositivo de última geração, o Watchman Flex, no encerramento percutâneo do apêndice auricular esquerdo – uma pequena cavidade do coração que está anexa à aurícula esquerda. Este procedimento permite proteger os doentes com fibrilhação auricular que não podem recorrer a medicamentos anticoagulantes. O resultado da intervenção, realizada no Hospital Lusíadas Lisboa, “foi excelente”, como relata Eduardo Infante de Oliveira, cardiologista de intervenção que liderou a equipa. “O doente teve alta no dia seguinte”.

Mais-valias do dispositivo

Uma das mais-valias do Watchman Flex prende-se com o facto de ter “um conjunto de características que o tornam adaptável a um maior número de anatomias do apêndice auricular esquerdo”, diz Eduardo Infante de Oliveira, explicando que “a morfologia desta cavidade varia de doente para doente”. Mais: “As gerações prévias [do dispositivo] não permitiam encerrar o apêndice auricular esquerdo de um número significativo de doentes, um aspeto que aumenta a eficácia e simplifica a técnica de implante”.

No caso da primeira intervenção realizada no Hospital Lusíadas Lisboa, o Watchamen Flex foi selecionado para o doente em causa porque a equipa considerou “que a anatomia do apêndice auricular esquerdo poderia não ser possível de encerrar com dispositivos de gerações prévias”, descreve o cardiologista de intervenção.

Por outro lado, o dispositivo de última geração “é mais flexível e menos traumático”, um aspeto que, acrescenta Eduardo Infante de Oliveira, “é essencial para minimizar o risco de complicações por traumatismo das estruturas cardíacas”. Nesse sentido, “esta nova geração de dispositivos permite tratar mais doentes com maior segurança”, sendo que “a esperada redução de complicações e aumento da taxa de sucesso do procedimento poderão impactar significativamente na recuperação e na melhoria da qualidade de vida”.

Situações em que está indicado

Como explica Eduardo Infante de Oliveira, “o encerramento percutâneo do apêndice auricular, através de cateterismo, está indicado essencialmente em doentes com fibrilhação auricular que não toleram ou que apresentam contraindicação para a toma de medicamentos anticoagulantes”. Ora, a “fibrilhação auricular, quando associada a outros fatores de risco, aumenta o risco de acidente vascular cerebral”, risco este que é “habitualmente mitigado pela administração crónica de medicamentos designados de anticoagulantes”. Contudo, prossegue o especialista, “estes fármacos aumentam o risco de hemorragia e um número significativo de doentes não tolera a sua administração crónica”. Neste contexto, “o encerramento do apêndice auricular esquerdo surge como alternativa aos anticoagulantes”, explica o cardiologista de intervenção do Hospital Lusíadas Lisboa.

O “apêndice auricular esquerdo corresponde à cavidade onde são formados mais de 90% dos trombos/coágulos associados à fibrilhação auricular e estes representam um elevado risco cardiovascular: se um trombo se deslocar do coração, irá bloquear uma artéria noutra região do corpo; na circulação cerebral irá provocar um acidente vascular cerebral (AVC) isquémico.” Deste modo, explica o médico, “ao encerrarmos o apêndice auricular esquerdo com um dispositivo, reduzimos o risco de formação de trombos e, consequentemente, o risco de AVC.”

Além das situações mencionadas acima, existem outras indicações possíveis para este procedimento: “Doentes com fibrilhação auricular que, apesar de corretamente medicados com anticoagulantes, sofrem de acidentes vasculares”, explica Eduardo Infante de Oliveira. “Nestes doentes, a missão da técnica de encerramento do apêndice auricular esquerdo não será substituir a medicação, mas sim associar-se a esta no esforço de redução de risco.”

A intervenção

Durante o procedimento, que habitualmente é realizado em menos de uma hora e sob anestesia geral, o Watchman Flex é implantado no interior do coração e permite encerrar o apêndice auricular.

Passos da técnica:
Punção de veia femoral (veia na raiz da coxa);
Introdução de cateter até às cavidades cardíacas direitas;
Passagem da aurícula direita para a aurícula esquerda através da punção do septo que separa estas cavidades;
Introdução de cateter no apêndice auricular esquerdo;
Implantação de dispositivo através do cateter: o dispositivo é auto-expansível, acomodando-se ao formato do apêndice auricular esquerdo;
O dispositivo poderá ser reposicionado até que seja obtido um bom resultado. Nesse momento, o dispositivo poderá ser libertado;
O cateter é completamente removido e o procedimento termina.