Síndrome metabólica: o que é e como se trata

Neste artigo, vai ficar a saber o que é a síndrome metabólica, quais as suas causas e como é feito o seu diagnóstico e tratamento. As respostas de Elaine Morais Lins, especialista em Medicina Interna da Clínica Lusíadas Parque das Nações.

Síndrome metabólica: o que é e qual o tratamento

Será que poderia definir metabolismo?

Metabolismo (do grego “Metabolismos”, que significa “mudança”, troca) é o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. O processo metabólico divide-se em dois grupos: ANABOLISMO – reações de síntese; CATABOLISMO – reações de degradação. ANABOLISMO: reações químicas construtivas, ou seja, produzem nova matéria orgânica nos seres vivos, por exemplo, a síntese de proteínas no tecido muscular a partir de aminoácidos; CATABOLISMO: reações químicas destrutivas, ou seja, há uma quebra de substâncias, por exemplo, a quebra da molécula glicose que é transformada em energia e água.
Para manter as funções vitais (respiração, batimentos cardíacos, temperatura corporal, etc..), o organismo gasta uma grande quantidade de energia => Metabolismo Basal.

O que é a síndrome metabólica?

A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco, essencialmente cardiovasculares, que têm por base a obesidade abdominal. Os indivíduos portadores desta síndrome estão em risco de desenvolver doença cardiovascular (doença arterial coronária e AVC) e diabetes, mesmo quando os fatores de risco estão apenas ligeiramente elevados.

Quais as principais causas para o desenvolvimento da síndrome metabólica? Há algum tipo de predisposição genética?

Embora se acredite que possa haver em algumas pessoas uma predisposição genética e alguns estudos associem a alimentação da mãe durante a gravidez no aumento da probabilidade deste bebé vir a desenvolver síndrome metabólica futuramente, as principais causas são a alimentação inadequada e o sedentarismo.
A síndrome metabólica é uma doença da civilização moderna, o ser humano não está geneticamente adaptado para alta ingestão calórica e baixo gasto energético (sedentarismo); a tendência é que essa energia fique indeterminadamente acumulada no organismo sob a forma de gordura; essa gordura, quando acumulada no abdómen, irá contribuir para o surgimento da síndrome metabólica (pois é uma gordura associada a um processo inflamatório crónico, envolvido no desenvolvimento de doenças metabólicas, como as cardiovasculares e diabetes).

Quais são os sinais/sintomas da síndrome metabólica?

A síndrome metabólica, por si só, não dá sintomas e tem como único sinal a presença de um abdómen proeminente (que na verdade pode ser como a “ponta de um icebergue”, os principais problemas não seriam visíveis).

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da síndrome metabólica pode ser feito quando estão presentes pelo menos três fatores dos cinco seguintes:
Obesidade Abdominal: Perímetro abdominal que excede 102 cm nos homens e 88 cm nas mulheres (indicam gordura abdominal em excesso, e é a tal gordura “perigosa”, que propiciam um estado inflamatório crónico no organismo e as consequentes doenças metabólicas);
Triglicéridos iguais ou superiores a 150mg/dl;
Colesterol HDL igual ou inferior a 40mg/dl no homem e à 50mg/dl na mulher;
Tensão arterial igual ou superior a 135×85 mmHg;
Glicemia de jejum igual ou superior a 110mg/dl.

Como é feito o tratamento da síndrome metabólica?

A diabetes, a tensão arterial elevada e os níveis anormais de colesterol (dislipidemia) são tratados com fármacos, sendo que a prática de exercícios físicos e a mudança dos hábitos alimentares são fundamentais.
Quanto à dieta, é importante referir que para ser eficaz deverá ser capaz de reverter o processo inflamatório crónico que se verifica na obesidade. Este processo inflamatório crónico é originado no tecido adiposo com a secreção de substâncias chamadas adipocitocinas pró-inflamatórias e a infiltração de substâncias chamadas de Macrófagos M1, causando a chamada lipoinflamação.
Entre as repercussões sistémicas de tal processo inflamatório estão, como já mencionado, o seu envolvimento no desenvolvimento de doenças metabólicas, como as doenças cardiovasculares e diabetes e a sua interferência nos sinais que regulam os centros de saciedade ao nível do SNC (Sistema Nervoso Central). Sendo assim, a dieta, para ser eficaz, teria que diminuir esta gordura abdominal e consequentemente os mediadores lipídicos pró-inflamatórios, contribuindo para a normalização da glicemia, perfil lipídico, insulinémia e um natural equilíbrio do apetite.

Como prevenir a síndrome metabólica?

Com hábitos de vida: uma dieta saudável, pobre em hidratos de carbono de alto índice glicémico e gorduras saturadas, rica em fibras, carnes magras, frutas e vegetais; realização de atividades físicas regulares – cerca de 150 minutos /semana – também é essencial para manter o peso, controlar a tensão arterial e o perfil lipídico.
É fundamental a prevenção ou, se for o caso, o tratamento da síndrome metabólica pois, além da má qualidade de vida que proporciona (cansaço fácil, má disposição, diminuição da autoestima) a síndrome aumenta em 3,5 vezes o risco de morte por doenças cardiovasculares como enfarte do miocárdio e AVC.

Autoria:
Elaine Morais Lins, especialista em Medicina Interna da Clínica Lusíadas Parque das Nações

Especialidade em foco neste artigo:
Medicina Interna