Enxaqueca: o que é e como tratar

Não se conhecem as causas exatas da enxaqueca, mas o seu impacto na vida das pessoas pode ser dramático. Neste artigo, Hipólito N’Zwalo, neurologista do Hospital Lusíadas Albufeira, explica como identificar esta doença e os seus tratamentos.

O que é a enxaqueca e os seus tratamentos?

O que é?

A enxaqueca é uma doença neurológica crónica relativamente comum caracterizada por dores de cabeça recorrentes. Ocorre mais frequentemente em mulheres dos 25 aos 45 anos de idade e com tendência familiar.
As pessoas com enxaqueca tipicamente queixam-se de:
Dor de cabeça unilateral pulsátil;
Náuseas;
Vómitos;
Intolerância ao ruído, à luz e ao movimento.

Existem outras manifestações clínicas que acompanham ou sucedem as crises:
Alterações da visão;
Tonturas com perda do equilíbrio;
Ruído nos ouvidos;
Formigueiros.

Impacto no quotidiano

O impacto da enxaqueca pode ser dramático. Durante as crises, a intensidade da dor e das manifestações associadas podem impossibilitar ou tornar extremamente difícil a participação nas atividades normais do quotidiano, levando frequentemente ao absentismo. Por este motivo, muitas vezes é necessário optar por tratamentos preventivos que reduzam o risco de ocorrência de crises. É importante realçar que a enxaqueca pode estar associada a um risco maior de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Causas da enxaqueca

Não se conhecem as causas exatas. Sabe-se, no entanto, que o cérebro das pessoas com enxaqueca é anormalmente hipersensível e que as suas artérias sofrem constrição e dilatação como consequência da libertação “exagerada” de substâncias que estimulam os centros cerebrais da dor.

Embora seja impossível identificar todos os fatores precipitantes ou provocadores dos ataques, alguns, tais como alterações das rotinas de sono, exercício físico, consumo de álcool, ansiedade e alterações hormonais, são reconhecidos como precipitantes das crises.

Diagnóstico 

O diagnóstico da enxaqueca é clínico. O conjunto de sintomas típicos num doente dentro da idade normal de aparecimento da enxaqueca são o suficiente para suportar o diagnóstico. Entretanto, a presença de algumas características clínicas atípicas ou anormais, pode obrigar a realização de exames de imagem, por exemplo ressonância magnética, para clarificação diagnóstica.

Tratamento

O tratamento deve ser individualizado. A escolha dos medicamentos para tratar as crises e também dos medicamentos para prevenir as crises depende das características clínicas da enxaqueca e de algumas particularidades da pessoa, tais como o sexo, a idade, o peso, a presença de doenças como hipertensão, entre outros fatores. Algumas medidas aplicam-se a quase todas as pessoas. Por exemplo, a prática regular de exercício físico moderado; a higiene do sono e o controlo do peso.

Autoria:
Hipólito N’Zwalo, neurologista do Hospital Lusíadas Albufeira

Especialidades em foco neste artigo:
Neurologia