DST: conheça as doenças sexualmente transmissíveis

Provocadas por bactérias, fungos ou vírus, as doenças sexualmente transmissíveis (DST), como o nome indica, transmitem-se através do contacto sexual com um parceiro infetado. A gonorreia, clamídia, sífilis, VIH/SIDA ou hepatite B, são algumas das mais comuns.

Os comportamentos de risco são uma das causas para o aumento das DST (doenças sexualmente transmissíveis) nos últimos anos.

Helena Cantante, coordenadora da Unidade de Medicina Interna do Hospital Lusíadas Lisboa, ajuda a listar algumas das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns, as suas causas, sintomas e tratamentos.

Identificar e distinguir as DST  

1. Gonorreia

Trata-se de uma da DST mais comuns em todo mundo.

  • Causas

Provocada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, é a principal causa de uretrite, isto é, inflamação da uretra – canal que drena a urina da bexiga. Desenvolve-se mais facilmente nas áreas quentes e húmidas do trato reprodutivo, incluindo o colo do útero, o útero, as trompas de Falópio e a uretra, mas também pode crescer na boca, garganta, olhos e ânus.
Além da via sexual, a transmissão também pode ser feita entre mãe e filho durante o parto.
Pode ser transmitida mesmo que a pessoa infetada não apresente sintomas. Nas mulheres, os sintomas são menos óbvios, o que pode trazer problemas acrescidos, já que podem procurar tratamento médico, num estado mais avançado da doença.
O período de incubação varia entre 2 a 8 dias.

  • Sintomas

O principal sintoma da gonorreia é a uretrite (inflamação da uretra) que se caracteriza por corrimento uretral, mucopurulento ou purulento com cheiro, podendo acompanhar-se por disúria (ardor ao urinar) ou por prurido (comichão) uretral.

  • Tratamento

A gonorreia pode ser totalmente curada, desde que seja diagnosticada corretamente e tratada. O tratamento é efetuado com recurso a antibióticos. Porém, quando não tratada, a gonorreia pode levar a complicações como infertilidade e, nas mulheres, provocar uma doença inflamatória chamada de doença inflamatória pélvica, que pode ser muito grave.

2. Clamídia

A infeção por Chlamydia trachomatis é uma das DST mais comuns na Europa e a sua taxa de infeção aumenta todos os anos. Afeta frequentemente homens e mulheres jovens, com idades entre os 16 e os 25 anos.

  • Causas

Esta DST é causada por uma bactéria chamada Chlamydia trachomatis. Assim como na gonorreia, nos adultos e adolescentes a transmissão é exclusivamente por via sexual. Não existe risco de contágio em casas de banho ou piscinas, assim como o beijo também não é uma forma de transmissão.

A clamídia pode ser transmitida pela via sexual (anal, vaginal ou oral) ou de mãe para filho, durante a passagem do bebé pelo canal vaginal, na altura do parto.

  • Sintomas

Os doentes infetados por clamídia podem não desenvolver sintomas durante muitos anos, tornando-se fontes de contaminação. Quando os sintomas surgem, o quadro clínico é muito parecido com o da gonorreia, sendo impossível distingui-las apenas pelos sintomas.

Quando não tratada, esta infeção, pode levar a problemas mais graves. No caso das mulheres, a bactéria pode progredir em direção ao útero, trompas e ovários, provocando infertilidade e uma grave infeção designada por doença inflamatória pélvica. Nos homens a complicação mais comum é a prostatite, infeção da próstata.

  • Tratamento

O tratamento é efetuado com recurso a antibióticos.

 3. Sífilis

A sífilis é reconhecida como DST desde o início do seculo XVI. É uma doença infeciosa complexa que pode infetar quase todos os órgãos e tecidos do corpo.

  • Causas

Doença infeciosa transmitida sexualmente, causada pela bactéria Treponema pallidum, que penetra no organismo através das membranas mucosas, como as da vagina, da boca ou através da pele. Quando chega aos gânglios linfáticos, propaga-se por todo o organismo através do sangue. Pode também afetar o feto durante a gravidez, causando defeitos congénitos ou outros problemas.
O período de incubação dura de 9 a 90 dias (a média são 2 a 4 semanas).

  • Sintomas

Inicialmente surge uma úlcera (ferida), em geral única, dura, tipicamente indolor. A úlcera localiza-se, na mulher, na vagina e, sobretudo no colo uterino (em regra sem sintomas). No homem, esta úlcera encontra-se, mais vezes, no sulco balanoprepucial (sobre o pénis). Seis a oito semanas após a cura da lesão primária surge o período de generalização da doença.

Este período de generalização caracteriza-se por febre, dores articulares, falta de apetite, suores abundantes, emagrecimento. A pele é o órgão mais atingido em 90% dos casos, surgindo uma erupção cutânea muito característica, que atinge as palmas das mãos e as plantas dos pés.

  • Tratamento

A penicilina, administrada por via intramuscular, é o antibiótico normalmente utilizado. Havendo outras alternativas para pessoas alérgicas à penicilina.

4. Hepatite B

  • Causas

O vírus da hepatite B (HBV) é transmitido principalmente através do contacto com sangue infetado e através de relações sexuais desprotegidas, já que pode estar presente não só no sangue, mas também no sémen e nas secreções vaginais.
Nos países em desenvolvimento, a transmissão de mãe para filho é também uma forma importante de contágio durante a gestação, o parto ou a amamentação.

A hepatite B não se transmite pelo suor ou pela saliva (a menos que esta tenha estado em contacto com sangue infetado). Não existe risco de contágio através de um aperto de mão, abraços, beijos ou por utilizar pratos ou talheres de pessoas infetadas.
Trata-se de uma doença aguda mas, na maioria dos casos o vírus é eliminado pelo organismo. No entanto, em cerca de 15% a 20% dos casos, o vírus mantém-se ativo e pode provocar complicações graves no fígado, entre as quais neoplasias hepáticas (cancro).

  • Sintomas

A pessoa infetada poderá sentir apenas alguma debilidade e cansaço, mas também poderá ter febre, dor abdominal, dor nas articulações e erupções na pele. A urina fica, normalmente, mais escura e as fezes mais claras.

  • Tratamento

Na sua forma aguda, é tratada com repouso e uma dieta livre de alimentos tóxicos para o fígado, onde se incluem as bebidas alcoólicas.

Na sua forma crónica, o tratamento é feito à base de medicamentos cujo objetivo é interromper a multiplicação do vírus e estimular a destruição das células infetadas.

  • Prevenção

Evitar a doença é muito fácil. Basta tomar as três doses da vacina que, desde 2000, faz parte do Plano Nacional de Vacinação, usar preservativo em todas as relações sexuais e não compartilhar lâminas de barbear e depilar, material de manicura e pedicura, seringas, agulhas, bem como outros objetos cortantes ou perfurantes.

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5. VIH/SIDA

A Síndroma de Imunodeficiência Adquirida (SIDA) é provocada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), que penetra no organismo por contacto com uma pessoa infetada.
O VIH ataca o sistema imunitário, destruindo as células defensoras do organismo, deixando-o mais sensível a outras doenças (as infeções oportunistas) que, sendo saudável, teria mais facilidade em combater.

  • Causas

A SIDA é um DST provocada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH). A sua transmissão pode dar-se de três formas:
Relações sexuais;
Contacto com sangue infetado;
De mãe para filho: durante a gravidez, no parto ou pela amamentação.

  • Sintomas

A infeção com VIH pode apresentar sintomas que simulam uma gripe, entre 1 a 4 semanas após o momento do contágio, que passam por:
Febre;
Suores;
Dores de cabeça;
Dores nos músculos e nas articulações;
Aumento dos gânglios linfáticos.

Esta é a fase aguda ou de seroconversão que pode durar de 1 a 3 semanas. Sendo uma fase de grande contagiosidade devido à quantidade elevada de vírus no sangue.
Depois desta fase aguda, os doentes infetados (seropositivos), podem deixar de apresentar sintomas durante vários anos, sendo que o vírus continua a multiplicar-se no seu organismo, até que surgem sintomas indicativos de comprometimento do sistema imunológico, tais como cansaço não habitual, perda de peso, suores noturnos, falta de apetite, diarreia.

Se nada for feito, a doença continuará a progredir para a fase seguinte, que se caracteriza por uma imunodeficiência grave, em que surgem manifestações oportunistas (infeções e tumores) que em circunstâncias normais não surgiriam porque seriam combatidos pelo sistema imunitário. Esta última fase da doença, designa-se por SIDA.

  • Tratamento

Os seropositivos diagnosticados e acompanhados pelos médicos especialistas fazem, normalmente, tratamento com os fármacos anti retrovíricos, o que pode evitar chegarem a uma fase sintomática da doença.

  • Prevenção

A prevenção é equivalente à referida para a hepatite B. Usar sempre preservativo nas relações sexuais, não partilhar agulhas, seringas, material usado na preparação de drogas injetáveis e objetos cortantes ou perfurantes (agulhas de acupunctura, instrumentos para fazer tatuagens e piercings, material de manicura e pedicura).

Colaboração:
Helena Cantante, coordenadora da Unidade de Medicina Interna do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Medicina Interna