Diabetes gestacional: o que é e como tratar

A diabetes gestacional é frequente e tem aumentado de forma muito significativa nos últimos anos. Em 2014 ocorreu em 6,4% dos partos realizados em Portugal. Nas mulheres com idade superior a 40 anos atingiu os 16,5%.

A diabetes gestacional é cada vez mais frequente.

O que é a diabetes gestacional?

A diabetes gestacional (DG) caracteriza-se pela elevação da glucose (açúcar) no sangue que surge durante a gravidez. Habitualmente desaparece após o parto. A diabetes gestacional pode ocorrer em qualquer fase da gravidez, mas é mais frequente na segunda metade a partir da 24ª semana de gestação.

A insulina é a hormona produzida pelo pâncreas e tem como função a diminuição da glicemia (açúcar do sangue). Durante a gravidez as hormonas produzidas pela placenta dificultam a ação da insulina. A diabetes gestacional ocorre quando o organismo não é capaz de aumentar a produção de insulina de modo a manter a glucose em valores normais para a gravidez.

A diabetes gestacional é frequente e tem aumentado de forma muito significativa nos últimos anos. Em 2014 ocorreu em 6,4% dos partos realizados em Portugal. Nas mulheres com idade superior a 40 anos atingiu 16,5%.

Fatores de risco

Qualquer mulher pode desenvolver diabetes gestacional, mas o risco aumenta com:
Idade materna avançada;
Obesidade – se a mulher tiver um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 30;
Gravidezes anteriores com bebés de peso superior a 4 kg;
Diabetes gestacional em gravidezes anteriores;
Familiares diretos com diabetes tipo 2.

Sintomas

A diabetes gestacional não se associa a qualquer sintoma, sendo que o diagnóstico é feito por análises laboratoriais. No entanto, pode suspeitado durante a realização de ecografia fetal (feto grande para o tempo de gestação).

Como se diagnostica

Avaliação da glicemia em jejum pedida na 1ª consulta pré-natal (8ª – 12ª semanas de gestação): diabetes gestacional se a glicemia ≥92 mg/dl;
Se a glicemia for normal deverá ser realizado um teste de tolerância à glucose oral entre as 24 e 28 semanas: glicemia em jejum e 1 hora e 2 horas após ingestão de 75g de glucose;

Os valores considerados normais durante a gravidez são diferentes dos da população em geral.

Consequências da diabetes gestacional

A maioria das mulheres com DG têm gravidezes normais e bebés saudáveis, sendo que não se associa a diabetes gestacional a malformações. No entanto, quando as glicemias não são bem controladas durante a gravidez, podem ocorrer alguns problemas:
Bebés demasiado grandes, o que provoca dificuldade no trabalho de parto e aumenta a possibilidade de parto induzido ou cesariana;
Excesso de líquido amniótico, que pode causar parto prematuro ou dificuldade no trabalho de parto;
Parto prematuro (antes das 37 semanas);
Pré-eclampsia;
Hipoglicemias (baixa de açúcar) no recém-nascido nas primeiras horas de vida;
Icterícia no recém-nascido;
Muito raramente a morte do recém-nascido;

A diabetes gestacional associa-se a um risco aumentado de diabetes tipo 2 para a mãe e para o filho na idade adulta.

Tratamento

Perante um diagnóstico de diabetes gestacional é indispensável controlar os níveis da glicemia, o que implica avaliar diariamente a glicemia por punção capilar (picar o dedo) até ao final da gravidez. A maioria das grávidas consegue atingir os objetivos de bom controlo com:

Plano alimentar equilibrado e personalizado de modo a garantir um aporte de nutrientes adequado ao bom desenvolvimento do feto;
Exercício físico diário adaptado à gravidez;

Quando estas medidas não são suficientes para atingir os valores da glicemia adequados é necessário recorrer a medicação. A terapêutica mais utilizada e eficaz nesta situação é a insulina, mas em algumas situações selecionadas a medicação oral pode ser utilizada.

 

Colaboração:
Luísa Raimundo, coordenadora da Unidade de Endocrinologia do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Endocrinologia