10 factos e mitos sobre infeções urinárias

As mulheres são de facto as principais afetadas, devido a causas anatómicas. Mas, apesar de geralmente ser necessário recorrer a antibióticos, por vezes pode-se tratar uma infeção urinária sem recorrer a eles. João Varregoso, coordenador da Unidade de Urologia do Hospital Lusíadas Lisboa, esclarece os mitos e explica o que está em causa.

10 factos e mitos sobre infeções urinárias

A alta concentração de bactérias no sistema urinário resulta muitas vezes em infeção. Habitualmente, o que está em causa na infeção urinária é a inflamação da uretra e da bexiga, a chamada cistite, que provoca uma vontade insistente de urinar, a sensação de ardor e muitas vezes sangue na urina. Mas quando a infeção atinge os rins, causando uma pielonefrite, podem surgir dores agudas e febre alta, chegando a uma situação que exige internamento. João Varregoso, coordenador da Unidade de Urologia do Hospital Lusíadas Lisboa, sublinha que é importante prevenir e controlar as infeções urinárias, explica como fazer e esclarece algumas ideias erradas que ainda persistem sobre o tema.

As infeções urinárias afetam mais as mulheres

Verdadeiro. A anatomia torna as mulheres mais vulneráveis. A uretra feminina é mais curta, tem apenas três centímetros, o que facilita a migração das bactérias existentes na zona para o interior da bexiga. Contudo, isto não quer dizer que os homens estejam imunes. “Os homens também têm infeções urinárias, sobretudo quando têm problemas de próstata”, explica João Varregoso, coordenador da Unidade de Urologia do Hospital Lusíadas Lisboa.  

Uma infeção urinária pode ser assintomática

Falso. Quando se fala de infeções urinárias o que está geralmente em causa são as chamadas cistites, inflamações da bexiga e uretra que têm como sintomas a vontade frequente de ir à casa de banho e sentir ardor ao urinar, muitas vezes acompanhados de vestígios de sangue na urina. A presença de bactérias na urina sem estes sinais de desconforto, clinicamente designada bacteriúria assintomática, “não tem indicação para tratamento” e “é um erro fazê-lo”, sublinha João Varregoso. O recurso ao antibiótico está apenas recomendado em mulheres grávidas, face aos perigos de parto prematuro ou aborto espontâneo associados às infeções urinárias.

Beber muitos líquidos ajuda à prevenção

Verdadeiro. As bactérias estão naturalmente presentes no nosso organismo, particularmente no intestino —, e é importante perceber que, na maioria dos casos, é o seu nível de concentração que é determinante. “Ao ingerir muitos líquidos a pessoa vai urinar mais vezes, reduzindo assim o risco de infeção”, explica o especialista. Beber água é essencial e, embora não esteja completamente demonstrado o efeito prejudicial dos citrinos, as bebidas ácidas são de evitar, por alterarem o pH da urina.

Urinar após a relação sexual diminui o risco de infeção

Verdadeiro. “A interferência das relações sexuais nas infeções urinárias é muito variável”, alerta João Varregoso. No entanto, por favorecer a entrada de micro-organismos na bexiga, a fricção implicada no ato de penetração vaginal pode aumentar o risco de infeção urinária e, por esse motivo, urinar a seguir ao ato sexual é recomendado às mulheres com cistites recorrentes.

Uma infeção urinária nunca dá febre

Falso. As cistites ou inflamações da bexiga e uretra “normalmente não dão febre”, confirma o urologista. Mas o mesmo já não se verifica no caso das pielonefrites. Embora as bactérias em causa sejam as mesmas, quando estas migram pelos canais urinários até aos rins, a infeção “não só dá febre, como pode mesmo dar febres muito altas”.

O xarope de arando vermelho (‘cranberry’) é bom para as infeções urinárias

Verdadeiro. Além de vitamina C e antioxidantes, as bagas de arando vermelho, cranberry, ou oxicoco, possuem uma alta concentração de protocianinas. A “presença destas moléculas vegetais na urina inibe a capacidade das bactérias de se fixarem à mucosa da bexiga”, explica João Varregoso. Os resultados dos estudos científicos até agora realizados sobre a eficácia do xarope apresentam resultados algo contraditórios, mas o especialista não tem dúvidas em recomendá-lo. “Eu, pessoalmente, prescrevo-o, até porque tenho pessoas que se dão muito bem com isso”, assegura.

A menopausa não é um fator de risco

Falso. As alterações hormonais da menopausa reduzem a mucosa da uretra, favorecendo a mobilidade das bactérias, o que aumenta o risco de infeção urinária.

A diabetes aumenta a propensão para infeções urinárias

Verdadeiro. A diabetes aumenta a suscetibilidade a infeções urinárias, quer da bexiga e uretra (cistites), quer também dos rins (pielonefrites). Além defragilizar o sistema imunitário, a hiperglicemia também favorece o desenvolvimento das bactérias, facilitando as infeções.

As infeções urinárias são mais comuns no inverno

Falso. A experiência de João Varregoso permite-lhe garantir que as infeções urinárias “acontecem o ano todo”. Nem mesmo a relação entre a estação do ano e a quantidade de líquidos ingerido faz muito sentido — nos dias frios bebe-se menos água, mas mais chás e outras bebidas quentes.

As infeções urinárias são contagiosas

Falso. A ideia recorrente de que as infeções urinárias se apanham nas casas de banho não corresponde à realidade. Não se trata de infeções virais, mas sim bacterianas — e na maior parte dos casos, as bactérias em causa já existem no nosso organismo, nomeadamente nos intestinos. É, por essa razão, que uma das recomendações é a de que a higiene seja sempre feita a partir da vagina e em direção ao ânus e nunca o contrário.

Colaboração:
João Varregoso, coordenador da Unidade de Urologia do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Urologia