Vasectomia: o que deve saber

O procedimento é fácil e rápido, a vasectomia não tem contraindicações, não interfere com a vida sexual e é um dos métodos contracetivos mais eficazes. Pepe Cardoso, urologista da Clínica de Stº António, explica como se faz.

Vasectomia: o que deve saber

O que é a vasectomia?

Usada como meio de contraceção, a vasectomia consiste na laqueação dos canais deferentes, que transportam para as vesículas seminais os espermatozoides, lançados na uretra através dos canais ejaculadores. A finalidade da vasectomia é impedir a progressão dos espermatozoides e obter a esterilização masculina.
Implica apenas duas pequenas incisões laterais no escroto (inferiores a um centímetro), para permitir a interrupção cirúrgica dos canais, que são seccionados e obstruídos bilateralmente, sendo a incisão na pele posteriormente encerrada com sutura adesiva ou pontos absorvíveis.
“É um procedimento muito rápido, de 20 a 30 minutos, realizado em ambulatório e com anestesia local”, explica Pepe Cardoso, urologista na Clínica de Stº António. Só em casos muito específicos — alguém que esteja muito ansioso, por exemplo — se recorre a anestesia geral. Por regra, menos de uma hora depois, a pessoa sai pelo seu próprio pé do hospital e “pode retomar a sua vida normal imediatamente, sem complicações”, garante o especialista.

Eficácia do método 

A vasectomia é um método de contraceção seguro, “superando mesmo a pílula em taxa de eficácia”, diz Pepe Cardoso. A probabilidade de falha e consequente gravidez é inferior a 0,5 – 1%. No entanto, o resultado só deve ser considerado dois a três meses depois da cirurgia e após a garantia absoluta da esterilidade, ou seja, ausência total de espermatozoides no ejaculado (azoospermia). “Há espermatozoides nas vesículas seminais” que surgem nas ejaculações seguintes e “até o espermograma confirmar a azoospermia, é necessário manter a proteção”, alerta o urologista da Clínica de Stº António.

Implicações da cirurgia

A vasectomia não tem contraindicações, além das dúvidas que possa suscitar, o risco de infeção ou presença de hematomas é quase nulo e também não tem qualquer implicação no desempenho sexual. “Não altera absolutamente nada. A ejaculação continua igual (os espermatozoides são apenas um dos muitos componentes do ejaculado) e o homem contínua a ter orgasmo da mesma maneira”, enfatiza Pepe Cardoso.

A quem se destina

Por motivos éticos e legais, a vasectomia não deve ser feita a menores de 25 anos e, mesmo depois dessa idade, é uma opção que deve ser discutida com o casal e o médico especialista. “Normalmente, a vasectomia como método contracetivo é uma escolha pensada por casais já com alguns filhos. Com casais mais novos é importante lembrar que por vezes surgem divórcios e uniões que vêm alterar a decisão de não querer ter mais filhos”, alerta Pepe Cardoso. Apesar de a vasectomia não significar a impossibilidade de vir a ter filhos novamente, o especialista é claro: “Se existem dúvidas, não deve ser feita.”

Voltar a ter filhos: a vasectomia é irreversível?

“A vasectomia é reversível, embora não seja um processo fácil”, começa por explicar o urologista. Quando em causa estão os canais deferentes, é relevante saber que estamos a falar de ligações tubulares “com o diâmetro da carga de uma esferográfica”, com paredes grossas e um espaço interior (lúmen) “fino como uma agulha”, por onde circulam os espermatozoides.
A microcirurgia de reversão da vasectomia nem sempre resulta à primeira tentativa e pode mesmo vir a revelar-se impossível. Por esse motivo, segundo o especialista, quando existe vontade de voltar a ter filhos, a opção passa muitas vezes por retirar os espermatozoides diretamente dos testículos, através de uma punção, para fecundação em laboratório e tentativa de gravidez recorrendo a técnicas de fertilização in vitro.

Colaboração:
Pepe Cardoso, urologista da Clínica de Stº António

Especialidades em foco neste artigo:
Urologia