Transplante da córnea: nova unidade de referência

A Unidade de Oftalmologia do Hospital Lusíadas Porto tem uma nova área de diferenciação. Este procedimento permite devolver a qualidade de vida a pessoas para quem a esperança de recuperar a visão era diminuta.

Transplante da córnea no Hospital Lusíadas Porto
Por Carla Jesus

A Unidade de Oftalmologia do Hospital Lusíadas Porto tornou-se recentemente uma unidade de referência na área do transplante da córnea. “Em casos em que os dois olhos estão afetados, a situação pode tornar-se muito limitativa em termos de qualidade de vida, podendo mesmo impedir a atividade profissional ou as atividades correntes do dia a dia como a leitura ou a condução”, refere Luís Oliveira, responsável pelos transplantes da córnea nesta Unidade.

São inúmeras as patologias com indicação para um transplante da córnea. No entanto, as mais frequentes são as disfunções endoteliais – como a distrofia de Fuchs e as descompensações endoteliais – e o queratocone. Se no caso das primeiras são mais frequentes as ocorrências em pessoas mais idosas, sobretudo nas mulheres, no que ao queratocone diz respeito a maior incidência da doença é em jovens. Aliás, as disfunções endoteliais têm-se tornado mais frequentes com o aumento da esperança de vida, por serem patologias associadas ao envelhecimento.

“Há vários tipos de transplante da córnea, com graus de complexidade variável. No geral, o grau de complexidade é idêntico ao de alguns outros procedimentos cirúrgicos oftalmológicos”, salienta Luís Oliveira. O transplante da córnea ocorre em situações em que não há qualquer outro tipo de procedimento para tratar a patologia em questão.

Há, no entanto, algumas contraindicações e pessoas a quem não é indicado fazer. “Existem também situações que pela sua gravidade apresentam um prognóstico tão reservado que pode não ser aconselhável ou mesmo sensato fazer um transplante”, explica o oftalmologista.

Diferenciação e excelência

As técnicas implícitas num transplante de córnea têm evoluído muito ao longo dos últimos anos. Essa evolução faz-se sentir nos procedimentos e técnicas adotadas, mas também no tempo de recuperação dos pacientes.

“No transplante clássico, em que a totalidade da córnea é substituída, a recuperação funcional total pode demorar entre um e dois anos ou até mais. Nas novas técnicas de transplantação lamelar, em que substituímos seletivamente apenas a camada ou as camadas da córnea afetadas, a recuperação é muito mais rápida”, refere Luís Oliveira.

Existem dois tipos principais de transplantes lamelares: os lamelares anteriores e os lamelares posteriores. O tempo cirúrgico de um transplante clássico ou total (queratoplastia penetrante) é de cerca de 45-60 minutos.

“O tempo cirúrgico de um transplante lamelar anterior é idêntico ou até ligeiramente superior ao do transplante clássico e o período de recuperação é semelhante. No entanto, apresenta enormes vantagens pela preservação da camada interna da córnea (endotélio), nomeadamente risco de rejeição quase nulo, muito maior longevidade do enxerto e maior resistência a traumatismos”, explica o oftalmologista.

Nos transplantes lamelares posteriores (endoteliais) o tempo cirúrgico é geralmente inferior, demora cerca de 15-30 minutos dependendo da técnica. Nestes transplantes, a recuperação funcional é bastante mais rápida que nos transplantes clássicos e anteriores (geralmente poucas semanas), apresentando também taxas de rejeição e complicações muito mais baixas do que os transplantes clássicos.

A Unidade de Oftalmologia do Hospital Lusíadas Porto é altamente diferenciada nas diversas áreas. Os médicos e pacientes desta Unidade beneficiam das tecnologias e das técnicas mais avançadas que contribuem para um diagnóstico mais completo e exato mesmo em situações mais complexas.

Saiba mais:

Patologias com indicação de transplante da córnea

São muitas as doenças com indicação para o transplante da córnea, mas estas são as mais frequentes:

  • Disfunções endoteliais

São patologias do endotélio, que é a zona mais interna da córnea. É uma camada única de células que não se multiplicam. Uma vez lesadas não regeneram. Há inúmeras causas para estas disfunções, sendo as mais comuns de origem genética (como a Distrofia de Fuchs, que se manifesta geralmente depois dos 50-60 anos), traumática ou após procedimentos cirúrgicos intraoculares.

  • Queratocone

É uma doença de base genética que se manifesta em adolescentes e adultos jovens. Caracteriza-se pela diminuição progressiva da visão motivada pela “distorção” da córnea, que habitualmente adota um formato mais em “cone”.

 

Pode ler este artigo na edição número 7 da Revista Lusíadas, aqui