Tomar banho durante a digestão é perigoso?

Se segue esta regra, saiba que está enganado, desmitifica o médico Pedro Oliveira e Silva, especialista em medicina geral e familiar do Hospital Lusíadas Albufeira. Só a temperatura da água (e não a quantidade de tempo depois de uma refeição) pode gerar o desconforto no estômago e a azia a que chamamos indigestão.

Afinal, pode-se tomar banho durante a digestão ou não?

Imagine o cenário: depois de um piquenique com os amigos junto à praia, resolve dar um mergulho no mar. Um deles diz-lhe que pode ir ao banho porque já passou meia-hora desde que terminaram a refeição; o outro zanga-se porque tomar banho durante a digestão é perigoso e tem de esperar pelo menos três horas antes de ir nadar. E agora, vai ou não?

Nenhum dos dois está correto, explica o especialista em medicina geral e familiar no Hospital Lusíadas Albufeira, Pedro Oliveira e Silva. A indigestão é a soma de dois fatores – azia e desconforto no estômago -, que podem ser causados por ter comido demais ou devido ao stresse, por exemplo. Não existe, no entanto, nenhuma relação científica entre a indigestão e um banho.

Antes de desfazer os mitos sobre o banho durante a digestão e explicar-lhe porquê, o clínico do Hospital Lusíadas Albufeira deixa um aviso: embora seja normal sofrer de indigestão ao longo da vida, se esta se torna repetida e com maior intensidade, deverá ser avaliado pelo seu médico assistente.

1.

Não se deve tomar banho durante a digestão.

Mito. Não existe qualquer tipo de relação científica entre tomar banho e a digestão, que é um processo completamente autónomo do nosso organismo. No entanto, por ser um processo moroso, poderá ter servido de base à crença de que se deve evitar o banho durante a digestão.

2.

Em teoria, um banho de água fria poderá provocar uma indigestão.  

Facto. Apenas em casos raros se poderá culpar o banho pela indigestão. Uma das funções básicas do organismo humano é a termorregulação, pelo que, quando expostos a temperaturas extremas, a normalização da temperatura corporal ótima para toda a atividade funcional toma-se prioritária em relação às demais funções. Ou seja, quando tomamos banho numa água extremamente gelada isto pode provocar a distribuição sanguínea e perturbar o normal funcionamento da digestão.

3.

Depois de comer, um banho de mar fará pior do que em casa (em que a temperatura é quente).

Mito. A amplitude térmica provocada pela diferença entre a temperatura do corpo ao entrar na água e a temperatura do mar poderá ser, em teoria, maior do que a da água de casa. Mas nas nossas águas, especialmente nas algarvias, a temperatura do mar dificilmente provocará um choque térmico capaz de levar a um dano na nossa regulação interna corporal e que altere a digestão.

4.

Diz a sabedoria popular que, se tomarmos banho até meia-hora depois da refeição, não sofreremos uma indigestão.

Mito. Não há qualquer relação entre tempo e digestão.

5.

É preferível um duche a um banho de imersão depois de uma refeição.

Mito. A indigestão depende da diferença entre a temperatura do corpo e da temperatura da água do banho e não do tempo.

6. 

Comer depressa pode provocar indigestão.

Facto. A indigestão é a soma potencial de dois sintomas: um desconforto no estômago (dispepsia) e a azia (sensação de dor ou ardor no estômago), que têm diversas causas. Uma delas é a ingestão muito rápida ou em quantidades excessivas. Alimentos gordurosos e/ou picantes, o consumo em excesso de álcool ou de tabaco também podem provocar indigestão. Tal como o stresse e as doenças gástricas.

7.

Perda de peso e sangue nas fezes podem ser sinais de uma indigestão?

Facto. Em alguns casos graves podem. Outros sintomas são a dor epigástrica (de estômago), o desconforto intestinal, as náuseas e os vómitos.

Especialidades em foco neste artigo:
Clínica Geral