Conheça os tipos de diabetes

Da diabetes tipo 1 à diabetes gestacional, existem vários tipos, cada qual com características próprias. Fique a saber o que é a diabetes e o que caracteriza cada um dos tipos da doença.

Conhecer os vários tipos de diabetes é importante para saber reconhecê-los

Em 2014, um milhão de portugueses entre os 20 e os 79 anos tinha diabetes. Esta prevalência estimada consta do último relatório do Observatório Nacional da Diabetes (OND), publicado em 2015, e revela que a prevalência da doença era de 13,1% nessas faixas etárias.

No entanto, a diabetes tem vindo a atingir também cada vez mais crianças. “Antigamente era usual pensarmos que as crianças apenas teriam a diabetes tipo 1, mas hoje isso mudou”, assinala Paula Pereira, coordenadora do Centro Multidisciplinar de Diabetes do Hospital Lusíadas Porto. Uma das razões é o excesso de peso: “A obesidade anda de mão dada com a diabetes e os estudos mostram que 90% das crianças portuguesas consomem fast food ou refrigerantes quatro vezes por semana e apenas 1% bebem água todos os dias.”

Os números são preocupantes e exigem uma intervenção séria e integrada, tanto mais de 44% dos doentes não sabia que tinha a doença, segundo o último relatório do OND.

O que é a diabetes?

É uma doença crónica que se caracteriza pelo aumento da glicose (níveis de açúcar) no sangue, dando origem à hiperglicemia. Os níveis aumentados de açúcar no sangue devem-se à produção insuficiente de insulina, por atuação ineficaz da insulina e, em alguns casos, à combinação dos dois fatores.

A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas e, num organismo saudável, as células pancreáticas produzem insulina em quantidades suficientes face aos níveis de glicose no sangue (que aumentam depois de uma refeição completa, por exemplo). O papel da insulina é vital: permite que a glicose passe da corrente sanguínea para as células, que a utilizam como fonte de energia. A insulina permite assim a abertura de uma porta por onde entra a glicose. No entanto, esse processo é diferente nos diabéticos.

Diferentes tipos

  • Diabetes tipo 1

Surge quando o pâncreas não produz insulina suficiente e o nosso sistema de defesa destrói seletivamente as células B pancreáticas (células beta produtoras de insulina). A doença surge, na maioria das vezes, em crianças ou adultos jovens – no entanto, pode surgir em qualquer idade.

  • Diabetes tipo 2

A diabetes tipo 2 é a mais frequente dentro dos tipos de diabetes. Surge quando o pâncreas não é capaz de produzir insulina suficiente ou quando esta não é utilizada de forma eficaz pelo nosso organismo.

Geralmente, é diagnosticada depois dos 40 anos, mas se existir outra patologia, pode ser detetada mais cedo. Isto porque a doença pode não provocar sintomas durante muitos anos e só ser diagnosticada se surgirem complicações ou em análises de rotina.

Atualmente, está a surgir em idades cada vez mais precoces, nomeadamente em crianças. Há 50 anos, 3% de todos os casos de diabetes tipo 2 ocorriam nas crianças e adolescentes. Neste momento, 30 em cada 100 casos diagnosticados são em crianças e adolescentes, segundo a American Diabetes Association, explica Paula Pereira.

  • Diabetes Gestacional

Fala-se em diabetes gestacional (DG) quando se verifica, durante a gravidez e pela primeira vez, uma anomalia do metabolismo da glicose. O aumento dos níveis de açúcar no sangue na grávida pode provocar complicações para o bebé e tem de ser controlado ao longo da gravidez. Também se sabe que ter DG significa um risco aumentado de vir a ter diabetes tipo 2 no futuro.

As crianças fruto de uma gravidez em que a mãe teve DG também têm um risco acrescido de obesidade ou de virem a ter, posteriormente, perturbações do metabolismo da glicose. Geralmente, após o parto, desaparece.

  • Diabetes tipo MODY (Maturity-Onset Diabetes of the Young)

É autossómica dominante e a probabilidade de transmissão ao descendente é de 50%. Corresponde a um defeito primário na secreção da insulina, associada a disfunção na célula β pancreática. Normalmente é diagnosticada antes dos 25 anos. A Diabetes Tipo MODY, descrita pela primeira vez em 1974, atinge cerca de 2% (1-5 %) do total de diabéticos.

Além destas, há ainda a diabetes tipo LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults) e a diabetes secundária.

Sintomas de diabetes 

O desenvolvimento da doença, qualquer que seja o tipo, costuma ser súbito e pode incluir sintomas como:
Sede excessiva e boca seca;
Ter sempre fome;
Cansaço;
Visão turva;
Urinar com muita frequência;
Infeções sucessivas;
Feridas que levam muito tempo a curar-se.

Complicações

A doença pode afetar diversos órgãos:
Rins;
Olhos;
Coronárias;
Sistema vascular;
Sistema nervoso periférico;
Sistema nervoso autónomo;
Função sexual.

No entanto, se for feito periodicamente o controlo da glicemia, tensão arterial, níveis de colesterol e da vigilância dos órgãos mais sensíveis, é possível evitar ou minimizar as suas complicações. Manter uma alimentação adequada e fazer exercício físico regularmente são pilares da terapêutica. Nos vários tipos é fundamental que o paciente vá às consultas de acompanhamento, realize os exames pedidos e cumpra o tratamento.

Tratamentos 

  • Diabetes tipo 1

Administração de insulina, alimentação equilibrada, prática de exercício físico, autocontrolo da doença e vigilância periódica.

  • Diabetes tipo 2

Existem inúmeros tratamentos, sendo que o tratamento é sempre individualizado. A pedra basilar do tratamento deste tipo assenta nos cuidados alimentares, alteração do estilo de vida e fármacos adequados escolhidos pelo médico. Estes podem ir desde os fármacos que estimulam a produção de insulina, que sensibilizam os tecidos à sua ação, que reduzem o apetite e diminuem o esvaziamento gástrico até à administração de insulina.

Tratamentos inovadores ainda em estudo

  • Bombas infusoras de insulina

As bombas infusoras de insulina são pequenos aparelhos que permitem a administração de insulina por via subcutânea (são colocadas na barriga dos doentes) sendo que permitem um débito contínuo de insulina programado e também reforços às refeições. A administração é feita através de um depósito ou seringa acoplado ao aparelho que permite a passagem da insulina para um pequeno tubo de plástico munido de uma agulha.

  • Insulinas “inteligentes”

Estas insulinas têm a particularidade de serem libertadas no organismo apenas em função das necessidades do doente.

  • Pâncreas artificial

Este sistema, que só estará disponível no final desta década, associa a monitorização em tempo real dos níveis de glicemia a um mecanismo de perfusão contínua de insulina, cuja dose é ajustada automaticamente.

Importância de uma abordagem multidisciplinar

Dada a complexidade da doença, no Centro Multidisciplinar de Diabetes do Hospital Lusíadas Porto, o núcleo da equipa é constituído por médicos, enfermeiros, nutricionistas e podologistas, sendo apoiado por diversas especialidades como a oftalmologia, cardiologia, cirurgia vascular, nefrologia ou qualquer outra necessária à condição do paciente. O objetivo é, sobretudo, prevenir complicações.

 

Colaboração:
Paula Pereira, Coordenadora do Centro Multidisciplinar de Diabetes do Hospital Lusíadas Porto

Especialidades focadas neste artigo:
Endocrinologia
Medicina Interna