Termas: quando a água cura

Sabe-se que as águas termais curam determinadas doenças. Nem sempre se sabe porquê ou como atuam, mas os efeitos benéficos são incontornáveis. As suas propriedades físicas e químicas únicas repõem o nosso equilíbrio e fazem-nos sentir bem.

Nas termas, a temperatura, o tipo de água e a forma como é aplicada diferem consoante o tratamento pretendido.

Quando, nas termas,  a água entra em contacto com o nosso organismo na forma de duches, banhos, massagens, saunas ou simplesmente bebida, tem um efeito terapêutico. Mas nem todas as águas são iguais, nem atuam nas mesmas patologias. As propriedades mais frequentes são a mineralização (águas hipossalinas, sulfúreas, gasocarbónicas, sulfatadas, bicarbonatadas e cloretadas) e as temperaturas elevadas a que algumas águas “nascem”.

Para poderem ser designadas como água mineral natural ou água de nascente, têm de ser submetidas a testes rigorosos, de forma a provar que as nascentes estão isentas de poluição e estão implementadas em locais protegidos.

Categorização de acordo com a temperatura

Hipertermais – temperatura >50º C
Termais – temperatura 35 – 50º C
Mesotermais – temperatura 25 – 35º C
Hipotermais – temperatura <25º C

A temperatura é um fator terapêutico e é a forma como é aplicada (exteriormente) que determina a patologia em que é utilizada.

Contacto da pele com água quente

Diminui a tonicidade muscular – permite fazer movimentos normalmente não tolerados fora de água;
Ativa o metabolismo;
Provoca vasodilatação;
Melhora a circulação periférica;
Atua no sistema digestivo;
Estimula o sistema imunitário;
Alivia inflamações articulares;
Diminui a dor.

Contacto da pele com a água fria

Estimula a vasoconstrição;
Aumenta a tensão arterial;
Aumenta a tonicidade muscular;
Reduz a inflamação e a dor.

 Composição química

Para a sua classificação em quatro tipos é tida em consideração a composição química, que distingue a percentagem de sais dissolvidos.
Águas hipossalinas ou de baixa mineralização: até 50mg/L;
Águas fracamente mineralizadas: mineralização total entre os 50 e 100mg/L;
Águas mesossalinas: quando a mineralização total se situa entre os 500 e 1500mg/L;
Águas hipersalinas ou ricas em sais minerais: mineralização total superior a 1500 mg/L.

Tipos de águas

As águas podem ser também classificadas por tipos, consoante a presença de certos aniões e catiões em quantidades superiores à dos outros constituintes dissolvidos:

  • Bicarbonatada:

Bicarbonato em doses superiores a 600 mg/L.
Indicadas para: gastrites e úlceras gastroduodenais, hepatite, diabetes.

  • Sulfatada:

Sulfato em doses superiores a 200 mg/L.
Indicadas para: colites, problemas hepáticos.

  • Cloretada:

Cloreto em doses superiores a 200 mg/L.
Indicadas para: problemas gastrointestinais, gastrites, pancreatites, hepatites e problemas renais.

  • Fluoretada:

Fluoreto é superior a 1 mg/L.
Indicadas para: dentes e ossos.

  • Sódica:

Sódio em doses superiores a 200 mg/L.
Indicadas para: gastrites e úlceras gastroduodenais, hepatite, diabetes.

  • Cálcica:

Cálcio em doses superiores a 150 mg/L.
Indicadas para: osteoporose, raquitismo, colite, ação diurética, asma, bronquites, eczemas e dermatoses.

  • Magnesia:

Magnésio em doses superiores a 50 mg/L.
Indicadas para: distúrbios cardiovasculares e digestivos, insuficiência e congestão hepática, colites, melhoria do sistema imunitário, equilíbrio do sistema nervoso.

  • Gasocarbónica:

Anidrido carbónico livre em doses superiores a 250mg/L.
Indicadas para: estimular o apetite, repor energia, hipertensão arterial.

  • Iodadas:

Ricas em iodo.
Indicadas para: arteriosclerose, reumatismo, insuficiência tireoidiana, bócio, problemas do fígado e dos rins.

  • Sulfurosas:

Ricas em enxofre.
Indicadas para: artrites crónicas, espondiloses, espondilatroses, acne, eczemas crónicos, psoríase, dermatoses diabéticas, piodermites, síndromes varicosas, sinusites, rinites, bronquites crónicas e alergias.