Suplementos desportivos: vantagens e desvantagens

Os suplementos nunca devem substituir uma alimentação variada e equilibrada e devem sempre ser recomendados por um especialista, defende Tânia Furtado, nutricionista do Hospital Lusíadas Lisboa. “A suplementação depende sempre da pessoa, da sua idade, do tipo e intensidade do exercício físico que pratica e dos seus objetivos de treino”, esclarece. É fundamental adequar o tipo de suplementação, bem como a dose a tomar, a cada caso, de forma a que a saúde nunca seja comprometida.

Vantagens e desvantagens dos suplementos desportivos

Uma alimentação completa e variada pode ser suficiente para alcançar as necessidades energéticas e nutricionais, bem como os objetivos de saúde, físicos e de performance. No entanto, em algumas situações específicas, como acontece com os atletas de alta competição, aliar a suplementação desportiva certa, recomendada e aprovada por um profissional de saúde, pode fazer a diferença nos resultados.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) alerta que, apesar da grande variedade de suplementos desportivos disponíveis no mercado, poucos têm evidência científica comprovada e uma utilização incorreta poderá até ter consequências negativas no rendimento e na saúde do atleta. No manual “Nutrição no Desporto”, a DGS alerta para o facto de os suplementos alimentares não passarem “pelos criteriosos controlos pelos quais passam os medicamentos” e que existem mesmo “relatos em que o conteúdo do suplemento não corresponde ao descrito no rótulo”.

Para que servem os suplementos alimentares?

Os denominados “suplementos ergogénicos” têm o objetivo de potenciar o rendimento desportivo, podendo, assim, contribuir para retardar a fadiga, fornecer energia e melhorar a composição corporal.
Os chamados “suplementos médicos”, que incluem multivitamínicos e multiminerais, apenas melhoram o rendimento desportivo quando tomados para corrigir um défice nutricional específico não colmatado unicamente com a alimentação.

Quem pode tomar suplementos?  

Os suplementos alimentares são de venda livre, não necessitam de receita médica e estão acessíveis a qualquer pessoa, o que não significa que todos os devamos tomar ou que a sua toma dispense uma avaliação nutricional ou médica. Antes de decidir adquirir qualquer tipo de suplementação consulte um nutricionista, de forma a perceber se a toma é realmente necessária ou se a sua alimentação é suficiente para fazer face às suas necessidades nutricionais e objetivos de treino. Se se sente cansado e com menor rendimento durante o treino, consulte o seu médico de forma a despistar alguma deficiência nutricional ou outro problema de saúde.

Quem não pode tomar suplementos desportivos?    

Os suplementos ergogénicos, vulgarmente conhecidos como suplementos desportivos, não devem ser tomados por crianças ou mulheres grávidas ou a amamentar, devido à falta de estudos que comprovem a segurança da sua utilização nestas populações.
Em alternativa, deve ser dada prioridade a uma alimentação nutricionalmente rica e adaptada às suas necessidades, de forma a que o organismo corresponda às exigências do treino.

Situações em que se recomenda o consumo:

Atletas de alta competição;
Atletas com uma alimentação insuficiente para o alcance das suas necessidades nutricionais e objetivos de treino;
Pessoas com desequilíbrios nutricionais, que beneficiem de suplementação.

Perigos associados à toma de suplementos desportivos

Tomar doses de suplementos superiores ao recomendado pode ser prejudicial ao organismo devido à potencial toxicidade ou possíveis interações adversas entre nutrientes.
O uso abusivo de suplementação pode pôr em risco o metabolismo ósseo, renal e hepático, pelo que os suplementos nunca devem ser tomados de forma leviana, apesar de serem de fácil acesso. Nunca deixe de consultar um profissional de saúde e lembre-se que o suplemento adequado para o seu colega, amigo ou familiar pode não ser o mais indicado para si. Procure um aconselhamento especializado e tire o maior partido dos benefícios que a suplementação lhe poderá proporcionar.

 

Revisão científica:
Tânia Furtado, nutricionista do Hospital Lusíadas Lisboa, Clínica Lusíadas Almada e Clínica Lusíadas Parque das Nações

Especialidades em foco neste artigo:
Nutrição Clínica