Sono, um bem muito precioso

Dormir mal está associado a várias doenças e há uma relação entre a falta de sono e acidentes graves. Neste artigo, Sandra Marques, especialista em Medicina Interna da Clínica Lusíadas Almada e em Medicina do Sono pela Sociedade Europeia de Medicina do Sono, explica a importância vital do sono.

A importância do sono

Em Portugal dorme-se mal! Segundo um inquérito recente, realizado pela Associação Portuguesa do Sono, 70% dos participantes adultos reportaram dormir bem menos de 8 horas por dia, com uma média inferior a 6 horas por dia.

Quando olhamos para o sono, devemos pensar nas três características do mesmo: quantidade, qualidade e hora certa do dia. Estas características mudam ao longo da vida e de pessoa para pessoa e é importante sabermos (profissionais de saúde, pais, educadores) que, em média, uma criança entre os 3 e os 5 anos deve dormir entre onze a treze horas por dia e um adolescente ainda necessita de oito a dez horas por dia. Devem ser promovidas medidas de higiene de sono, que passam por dormir num espaço tranquilo e confortável, evitar a exposição a luz intensa antes de dormir (televisão, telemóvel, computador, etc.), bem como a prática de exercício físico enérgico uma a duas horas antes de deitar.

A privação crónica de sono a que muitas crianças, jovens e adultos estão sujeitos de forma continuada tem implicações importantes e graves ao nível cognitivo e do comportamento, com consequências diretas no rendimento escolar, nas relações interpessoais (agitação, irritabilidade, agressividade, etc.) e no desempenho laboral.

Um mau dormir está associado à obesidade e à diabetes mellitus tipo 2 e, em Portugal, cresce assustadoramente o número de crianças, jovens e adultos com excesso de peso, obesidade e diabetes.

A maioria das doenças crónicas da sociedade moderna como a hipertensão, a doença coronária, a dislipidemia, o AVC e a dor crónica está, igualmente, associada a perturbações do sono, seja a privação crónica de sono, a insónia, a apneia obstrutiva do sono ou as pernas inquietas, entre outras.

Por último não nos devemos esquecer da relação entre o sono e o consumo de drogas lícitas e ilícitas, bem como os acidentes graves associados à privação crónica de sono e à noite biológica. Acidentes como o de Chernobyl em 1987, de Three Mile Island em 1979 e de Fukushima em 2011, o do Petroleiro Prestige em 2002, o do Space Shutte Columbia em 2003, entre outros, estão associados a erro humano por fadiga, alteração ritmo circadiano e/ou privação crónica de sono. Igualmente estão os acidentes de viação e os despistes que ocorrem preferencialmente durante a noite.

Seremos, seguramente mais felizes e mais saudáveis se dormirmos bem! (em quantidade, em qualidade e na hora certa do dia).

O sono é um pilar da nossa saúde, bem como o exercício físico regular e uma alimentação adequada.

Autoria:
Sandra Marques, especialista em Medicina Interna da Clínica Lusíadas Almada e em Medicina do Sono pela Sociedade Europeia de Medicina do Sono

Especialidades em foco neste artigo:
Medicina Interna