O que é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)?

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Muito associada ao tabagismo, a DPOC é uma doença de evolução progressiva cuja gravidade vai de um grau ligeiro até situações muito graves. O tratamento, que passa necessariamente por deixar de fumar, controla os sintomas da doença e atrasa a sua progressão.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença do sistema respiratório que provoca a obstrução das vias respiratórias e a diminuição da capacidade de trocas gasosas (oxigénio e dióxido de carbono) na respiração. Este problema de saúde costuma surgir após os 40 anos e está associado ao tabagismo. Se não for tratada, a DPOC pode matar.

Nos quadros mais graves, os doentes têm dificuldade em realizar atividades como caminhar, vestir e cozinhar. Apesar de não ter cura, o tratamento permite atrasar a progressão da doença.

O que é a DPOC

Os pulmões são constituídos por canais largos por onde passa o ar, chamados brônquios. Estes canais dão lugar aos bronquíolos, canais mais pequenos e numerosos que, por sua vez, desembocam em múltiplos sacos de ar, os alvéolos pulmonares. É nos alvéolos que se dá a respiração. As moléculas de oxigénio atravessam as células da parede e entram na corrente sanguínea. Em sentido inverso, o dióxido de carbono sai dos vasos sanguíneos, atravessa a parede dos alvéolos e junta-se ao ar lá existente.

Na DPOC, os doentes podem desenvolver um enfisema pulmonar, uma bronquite crónica ou, na maior parte dos casos, as duas condições. O enfisema pulmonar é caracterizado pela danificação dos alvéolos pulmonares. Estas estruturas perdem o seu tamanho normal. Com o evoluir da doença as paredes dos alvéolos podem ser destruídas, formando alvéolos maiores, o que faz com que haja uma diminuição da quantidade de ar em contacto com as paredes alveolares, diminuindo a capacidade respiratória.

A bronquite crónica, com obstrução das vias respiratórias, é caracterizada pela irritação e inflamação do revestimento dos brônquios e bronquíolos; este revestimento fica inchado e produz uma grande quantidade de muco. Caracteriza-se também pela contração dos músculos das vias respiratórias, o que provoca a diminuição do seu calibre.

Causas e sintomas

Cerca de 75% dos casos de DPOC estão associados ao tabagismo. Sempre que se fuma, os pulmões são invadidos por pequenas partículas que, ao longo dos anos, acabam por alterar o tecido pulmonar e provocar a DPOC. Mas há outras causas: a exposição prolongada à poluição atmosférica, aos fumos químicos e às poeiras. Conhece-se ainda uma mutação num gene de uma proteína que faz com que as pessoas desenvolvam mais facilmente a doença.

Os sintomas mais frequentes da DPOC são a tosse – a famosa tosse de fumador –, a expetoração recorrente, a pieira, a dispneia (dificuldade em respirar) e uma sensação de aperto no peito. Quando a doença progride, a dificuldade em respirar aumenta e pode haver sinais mais alarmantes, como a cor dos lábios e das unhas mudar para azul ou cinzento, sinais que indiciam falta de oxigénio no sangue.

Tratamento

Se for fumador ou se tiver algum dos sintomas acima descritos, é recomendável despistar a DPOC. O exame inicial, de simples realização, é a espirometria. Este exame faz a avaliação da função respiratória. Caso o diagnóstico seja positivo, é necessário iniciar um tratamento que passa por reduzir os sintomas da doença, travar a sua progressão (deixar de fumar é o fator mais importante), melhorar a capacidade de se manter ativo e a saúde em geral, e prevenir e tratar complicações.

O tratamento da DPOC depende do grau de gravidade da doença. Os medicamentos prioritários são os broncodilatadores inalados (utilizando os mais diversos dispositivos inalatórios), que relaxam os músculos à volta das vias respiratórias ajudando a abri-las e tornam mais fácil a respiração. Poderá também ser necessário associar os corticoesteroides inalados que ajudam a diminuir a inflamação. Nos casos de maior gravidade pode-se ter de recorrer a mais medicação, não esquecendo a reabilitação respiratória. Nas situações muito graves será necessária oxigenoterapia de longa duração.

Na prevenção de complicações associadas à DPOC recomenda-se a vacinação contra doenças que ataquem as vias respiratórias, como a gripe. Este tipo de infeções em pessoas com DPOC são mais graves e podem acelerar a sua progressão.

Validação científica:
Luísa Cochito, pneumologista da Clínica de Stº António e da Clínica Lusíadas Sacavém 

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