Sal: porque deve limitar as quantidades que os seus filhos ingerem

Limitar a ingestão de sal é essencial para proteger a saúde dos seus filhos – o excesso de consumo de sódio é um fator de risco de hipertensão arterial e de outras doenças.

O sal está presente em excesso no pão, nos produtos de charcutaria e na sopa

O que é o sal ou sódio

O sal é o termo normalmente usado para designar o cloreto de sódio (NaCl) e é uma mistura de 60% de cloreto e 40% de sódio, sendo que 5 gramas de sal equivalem a 2 gramas de sódio.

O sódio é um nutriente essencial ao organismo já que regula o volume sanguíneo e tem um papel na contração muscular e, como tal, deve ser incluído numa alimentação equilibrada desde que consumido dentro dos limites aconselhados.

Limites ao consumo de sal pelas crianças

Os bebés não devem consumir alimentos com adição de sal ou sódio e as crianças devem ingerir quantidades muito inferiores às dos adultos. Segundo um relatório publicado em 2003 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os adultos devem consumir, no máximo, 5 gramas/dia de sal – aproximadamente uma colher de chá.

Em relação às crianças, é importante ter em consideração que quanto mais cedo for a sua exposição a elevados níveis de sódio, maior será a probabilidade de desenvolverem pressão arterial elevada. Segundo uma estatística divulgada pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão, cerca de 12,8% das crianças e jovens entre os 5 e os 18 anos têm uma pressão arterial elevada (sim, as crianças podem ter pressão arterial alta).

Onde está presente 

O sódio está presente em praticamente todos os alimentos. Segundo o último Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (2017), os alimentos que mais contribuem para o aporte de sódio são o pão e tostas (18%), a charcutaria (8%) e a sopa (7%).

Teor médio de sal nos alimentos

Fiambre – 1,4g/100g de alimento

Salsicha – 1,8g/100g de alimento

Bolachas de água e sal – 1,5g/100g de alimento

Caracóis – mais de 2,5g/100g de alimento

Fonte: Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Ricardo Jorge

Consequências do excesso de consumo 

A ingestão excessiva de sal ou sódio é um fator de risco importante de hipertensão arterial e, por conseguinte, de doenças cardiovasculares como o AVC (Acidente Vascular Cerebral) e o enfarte do miocárdio, aumentando também o risco de doenças renais.

Em 2015 a Direção-Geral da Saúde estimava que mais de 70% das crianças portuguesas de 8 e 9 anos e mais de 80% dos adolescentes (entre os 13 e os 17 anos) consumiam quantidades de sal acima dos valores recomendados. E nesta luta, os hábitos adquiridos em família são essenciais: o gosto pelo sal é um hábito que se estabelece nos primeiros anos de vida. Por essa razão, os pais desempenham um papel fundamental na formação dos hábitos alimentares das crianças. Assim, dê o exemplo e procure seguir uma dieta equilibrada, rica em fruta, legumes, com um baixo teor de sal ou sódio. Como?

Estratégias para reduzir o sal ou sódio consumido às refeições

  • Encontre substitutos

Para dar mais sabor e aroma às refeições pode usar ervas aromáticas e outras alternativas de tempero. Tais como:
Alho;
Cebola;
Pimenta;
Gengibre;
Manjericão;
Coentros;
Alecrim;
Salsa.

  • Afaste o saleiro e outros molhos

Não coloque o saleiro na mesa da refeição e evite o ketchup e a maionese porque contêm elevados teores de sódio. Quando fizer refeições fora de casa peça para que os molhos venham à parte e sirva-se de poucas quantidades.

  • Modere o consumo de produtos processados

Tenha cuidado para não exagerar no consumo dos produtos processados que têm, por norma, um maior aporte de sal ou sódio.

  • Leia os rótulos

Leia sempre os rótulos dos alimentos processados e opte por aqueles que têm um baixo teor de sódio. No restaurante, peça ajuda para perceber, no menu, quais os pratos com menos sal ou sódio.

 

Fonte:
Adaptado de AMIL Saúde: Obesidade Infantil Não

Validação científica:
Cristina Teixeira, nutricionista do Centro Multidisciplinar de Tratamento da Obesidade do Hospital Lusíadas Porto

Especialidades em foco neste artigo:
Nutrição Clínica