Puberdade: como lidar com as mudanças

Sabemos que estão a chegar à puberdade, quando já não parecem crianças, mas ainda não são adultos. O humor é instável e, em casa, nada parece agradar, mas sentem que há todo um mundo que merece ser explorado.

A puberdade é uma fase cheia de novas experiências

As raparigas na puberdade

“Nas raparigas a puberdade inicia-se, regra geral, entre os 10 e os 14 anos e tem início com a primeira menstruação”, refere Júlia Machado, psicóloga no Hospital Lusíadas Porto.

Este é o momento que dá também início à adolescência e é acompanhada de outras alterações no corpo:

Pelos no púbis e nas axilas;
Alargamento dos ossos da bacia;
Desenvolvimento dos seios;
Depósito de gordura nas nádegas, nos quadris e nas coxas.

A puberdade nos rapazes

Para os rapazes, esta fase chega mais tarde, entre os 12 e os 14 anos. Inicia-se com:

Aumento dos testículos e do pénis;
Voz mais grossa;
Surgimento dos pelos nas axilas, púbis e peito e crescimento da barba;
Início da produção de espermatozoides;
Aumento de peso e da estrutura óssea: ombros mais largos e aumento da massa muscular.

Mudanças emocionais

Júlia Machado chama a atenção para o facto de, apesar de haver uma tendência para que “as primeiras fases do desenvolvimento pubertário se manifestem cada vez mais precocemente a nível fisiológico”, estas nem sempre são acompanhadas do equivalente desenvolvimento psicológico. “A puberdade mexe com o emocional dos adolescentes, principalmente no desejo sexual, devido às alterações hormonais que ocorrem nesta fase”, explica.

Mas é também agora que o indivíduo compreende melhor a sociedade, as regras e os grupos. “Já se encontra numa fase inicial da adolescência definida como o reconhecimento dos outros. Os seus comportamentos (mesmo sendo, por vezes, estranhos) refletem a necessidade de se autoafirmar”. Além disso, é preciso contar com a inconstância de humor e tomada de decisões, até porque “existe uma pressão psicológica de agir e seguir determinadas regras, que ainda não estão totalmente construídas”.

A relação com os pais 

“Este é um período complicado para pais e filhos em que as relações ficam mais difíceis, as preocupações aumentam e é preciso administrar com calma essa fase cheia de experiências novas e que, para os jovens, não é nada fácil”, lembra Júlia Machado. Na realidade, toda a família se vê envolvida nesta fase de turbulência, que é preciso entender e relativizar.

1.

Os filhos

– Testam a flexibilidade, sensibilidade e o grau de interesse dos pais por si;
Sentem-se constrangidos na presença dos pais (começam a sentir vergonha);
Consideram-se maduros e não gostam de dar satisfações.

2.

Os pais

Por vezes, forçam os filhos à sua imagem e semelhança;
Querem que completem as suas próprias ambições;
Usam a chantagem como meio de controlar os filhos (como cortar a mesada ou não deixar sair com os amigos).

O que é preciso saber

A adolescência é um período de vida recheado de experiências marcantes (boas e más), que podem levar a estados de espírito muito díspares. No entanto, a relação familiar é tanto mais fácil, quanto mais atentos e presentes os pais estiverem, até porque “têm grande influência no comportamento dos filhos e na definição da sua identidade futura, sobretudo por servirem de modelo de identificação”, refere Júlia Machado. “Faça parte da vida do seu filho de forma consistente desde a infância, dando-lhe espaço para a comunicação. Se monitorizar na adolescência, faça-o de forma correta, saudável e respeitadora”, aconselha.

Especialidades em foco neste artigo:
Psicologia