Alunos com excesso de peso: o papel do professor no combate ao bullying

O excesso de peso muitas vezes motiva a exclusão dentro da Escola, fazendo com que alguns alunos possam ser vítimas de bullying. É fundamental que os professores procurem informação junto do Gabinete de Psicologia da Escola para saberem como podem intervir. É importante que os professores estejam sensibilizados para esta situação e não discriminarem alunos com excesso de peso, principalmente nas aulas de Educação Física.

O professor pode ajudar a evitar o bullying nos alunos com excesso de peso

O professor pode ser aconselhado a:

Procurar informação

O professor deve ser informado sobre o que é o bullying e que formas este pode adotar, tais como a agressividade verbal e física. As ameaças, a chantagem, a exclusão, a indiferença, os insultos ou o desprezo também são outras formas de bullying.
As vítimas, sejam elas crianças ou adolescentes, são humilhadas, atormentadas, perseguidas. Este comportamento tende a prolongar-se no tempo, a aumentar de frequência e de gravidade. O que começou com insultos pode acabar em agressões físicas.
O excesso de peso é um dos principais fatores de risco para as potenciais vítimas. Os professores devem promover o diálogo e sensibilizar os alunos a falarem com os adultos apesar do sentimento de vergonha e do receio de represálias que as vítimas sentem.
Os professores, a Escola e a Família deverão em conjunto encontrar soluções para este problema.

Consequências para a criança em termos do comprometimento escolar

Quando uma criança ou adolescente é vítima de bullying podem surgir consequências ao nível do seu comprometimento escolar, tais como: falta de assiduidade, alterações acentuadas de comportamento, em casos muito graves, o suicídio.
Se o professor não se manifestar ou for tolerante com o bullying, o aluno pode desenvolver a ideia de que é culpado pelos problemas que o atingem. Pode criar a ideia de que devido ao seu aspeto físico nunca poderá ser bem-sucedido, nem nos estudos, nem a fazer amizades. O professor deve agir de imediato, conversando com a turma, com os alunos em causa e com os pais (quer da vítima quer do(s) que praticam bullying).

Sinais de alarme para as vítimas

Entre os sinais de alarme que podem indicar que a criança está a ser vítima de bullying estão o absentismo, o insucesso escolar repentino, a existência de marcas físicas e a tristeza. Quando identificados, estes fatores podem revelar a ocorrência de bullying ou podem indicar outras situações que não o bullying, cabendo depois aos professores, à escola e à família identificar e encontrar em conjunto soluções para este problema.
O professor deve estar atento para identificar os possíveis alvos de bullying, bem como os possíveis agressores. É importante que os alunos tenham a noção de que podem e devem procurar um adulto sempre que assistam ou que sejam vítimas de uma situação de bullying. O tema é sério e deve ser olhado como tal.

No lugar do outro

Uma das formas de abordar este assunto é através de atividades na sala de aula, debates e conversas. Incentive os alunos a definirem os papéis de vítima e de agressor. Ajude-os a formular perguntas e a procurar respostas: Como reagirias se te insultassem? Se te atirassem ao chão? A quem contarias? Porque nunca o convidam para brincar com vocês? Porque nunca o convidam para sair?

Promover o debate

Os professores e a Escola devem promover o debate pelo respeito ao Direito de ser Diferente. Em parceria com o Conselho Diretivo, com o Gabinete de Psicologia Escolar e a Associação de Pais, podem criar, coletivamente, regras para evitar o bullying e encontrar soluções para o problema.

Fonte:
Adaptado de AMIL – Saúde: Obesidade Infantil Não

Revisão científica:
Mónica Figueira, psicóloga do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Psicologia