Histerossalpingografia: o que é e como se faz?

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Tem riscos mínimos e usa raios X para detetar se existe alguma patologia no útero e nas trompas de Falópio que possam explicar a dificuldade de uma mulher para engravidar.

A histerossalpingografia é um exame ginecológico que se baseia numa técnica chamada radiofluorescência e é usado para analisar as condições do útero e das trompas.

Como se realiza este exame e porquê

A palavra “histerossalpingografia” é composta por três partes que juntas fazem uma descrição do significado deste exame médico. “Histero” vem do grego e significa útero. “Salpingo” significa trompa. E “Grafia”, um elemento comum em muitas palavras, significa escrita ou registo. Assim, estamos perante um exame (um registo) ao útero e às trompas de Falópio.

“A histerossalpingografia é um exame radiológico com controlo por fluoroscopia (em tempo real) que permite visualizar as trompas de Falópio e a cavidade uterina”, explica Daniela Sobral, ginecologista obstetra do Centro de Procriação Medicamente Assistida (PMA) do Hospital Lusíadas Lisboa, informando que o exame dá uma informação visual sobre estes órgãos através de imagens.

Para esta visualização acontecer é necessário introduzir um líquido de contraste diretamente pelo colo do útero que vai preencher o colo do útero e também as trompas. Depois, esta região é submetida aos raios X. Estes raios vão ser especialmente absorvidos por aquele líquido, ao contrário do tecido à volta. Esta diferença resulta numa imagem com um contraste que “permite avaliar a cavidade uterina e a permeabilidade tubária”, acrescenta a médica. Assim, obtêm-se imagens em tempo real que permitem identificar se existe algum problema nestas estruturas.

A histerossalpingografia é prescrita quando se quer descobrir por que uma mulher não consegue engravidar depois de se ter excluído um fator hormonal e se ter confirmado que não é uma questão de infertilidade masculina. O exame “permite identificar patologias tubárias como trompas obstruídas ou dilatadas (sactossalpinge) e alterações da cavidade uterina como malformações uterinas, pólipos, miomas ou sinequias (patologias que deformam a cavidade uterina”, explica a médica.

Histerossalpingografia: perigos e cuidados a ter

Há condições específicas para se poder realizar a histerossalpingografia. “O exame deve ser realizado a partir da altura em que termina a menstruação até à ovulação, visto ser muito importante que não exista qualquer hipótese de gravidez na altura do exame. Se a menstruação desse ciclo tiver sido atípica é essencial a realização de um teste de gravidez.

Se o exame tiver que ser realizado noutra altura do ciclo, o casal deve usar sempre o preservativo até à realização do mesmo”, avisa Daniela Sobral, acrescentado: “Para que o exame possa ser realizado não pode haver nenhum corrimento fora do normal ou perdas de sangue.”

Por outro lado, como o exame pode causar dores no útero semelhantes às cólicas menstruais pode-se prescrever a medicação normalmente utilizada para aquelas dores para ser tomada uma hora antes do exame. Já “a indicação para fazer um antibiótico na véspera do exame de modo a prevenir uma infeção não é consensual”, refere Daniela Sobral.

A histerossalpingografia é considerada um exame “muito seguro”. As complicações que ocorrem em 1% dos casos dividem-se em infeções, desmaios e ao choque anafilático devido à alergia ao líquido usado para o contraste. “A complicação mais séria do exame é a infeção pélvica que pode ocorrer principalmente se houver patologia das trompas. Nesse caso vai ser necessário manter a terapêutica com antibiótico para prevenir a infeção”, avisa a médica.

Em relação ao risco do uso de raios X, a médica explica que o perigo é baixo: “Apesar de o exame demorar por volta de 30 minutos, a exposição a radiação é muito menor e a dose de radiação é mínima e não foram demonstrados efeitos nefastos desta.” No entanto, mesmo em baixas doses poderia ser prejudicial para o feto ser submetido à radiação – por isso é que é tão importante excluir uma gravidez.

Facto ou mito: um exame que ajuda na fertilidade?

Daniela Sobral explica ainda que, apesar de este exame ser de diagnóstico e não ser terapêutico, em certas circunstâncias a histerossalpingografia pode ”desobstruir” uma trompa de Falópio devido à “passagem do produto de contraste pelas trompas, que pode fazer com que fiquem permeáveis”. Além disso, “alguns estudos indicam um ligeiro aumento da fertilidade nos meses que se seguem ao exame, provavelmente devido ao facto de o contraste ‘desobstruir’ as trompas”, explica a médica.

Um óvulo, produzido nos ovários, tem que percorrer uma trompa para ser fertilizado por um espermatozoide e, se tudo correr bem, fixar-se na parede do útero, conduzindo a uma gravidez normal. Por isso, se uma trompa estiver obstruída, o óvulo fica impedido de entrar em contacto com os espermatozoides e de chegar ao útero. Assim, a possível desobstrução destes tubos durante o exame pode aumentar as probabilidades do óvulo e dos espermatozoides se encontrarem nas trompas, facilitando a ocorrência de uma gravidez.

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