Saiba tudo sobre o Programa Nacional de Vacinação

O Programa Nacional de Vacinação é nacional, gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal. A equipa de enfermagem da Clínica Lusíadas Almada explica-lhe tudo.

Saiba mais sobre o Programa Nacional de Vacinação

O que é o Programa Nacional de Vacinação?

A vacinação é o processo pelo qual a inoculação de um agente no corpo (microrganismo ou uma substância) produz imunidade (defesas) para uma determinada doença. Tem a sua origem histórica nos primórdios do segundo milénio com relatos chineses (varíola). Contudo a sua abordagem de experimentação científica teve início em 1798, com a eficácia da inoculação do vírus da vacina (varíola bovina). Louis Pasteur levou a uma explosão de conhecimentos, pela descrição de 2 vacinas (raiva e antraz). A maior parte dos países representados na Organização Mundial de Saúde (OMS) apresenta programas nacionais de vacinação estruturados, estimando-se uma redução mundial da mortalidade de cerca de 2.5 milhões de crianças por ano.
O Programa Nacional de Vacinação (PNV) foi criado em 1965 e é um programa nacional, gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal.
O programa tem sido atualizado regularmente e, desde 2015, inclui recomendações para o conjunto de 13 vacinas estrategicamente distribuídas de forma a maximizar a proteção conferida na idade mais adequada e o mais precocemente possível.
As elevadas coberturas vacinais obtidas resultam do empenho mantido dos profissionais envolvidos e da confiança da população no PNV.
O atual desafio para o Programa Nacional de Vacinação centra-se em manter ou elevar as taxas de cobertura vacinal na infância superiores a 95%;

Objetivos do Programa Nacional de Vacinação

  • Reduzir o número de casos de doença;
  • Reduzir a circulação do agente;
  • Reduzir o risco de infeção;
  • Reduzir o número de indivíduos suscetíveis;
  • Vacinar um elevado número da população de forma a atingir a imunidade de grupo.

Imunidade de grupo

Este é o efeito indireto de proteção causada pela vacinação. A cobertura vacinal elevada de muitas vacinas permite um benefício extra ao induzir imunidade de grupo, protegendo não só os indivíduos vacinados, mas também a comunidade que beneficia com a interrupção da circulação do agente infecioso. Somente taxas de cobertura vacinal muito elevadas permitem obter imunidade de grupo por redução da circulação do agente e da transmissão da infeção.

Contraindicações à vacinação

Geralmente, as contraindicações à vacinação são raras e temporárias. As vacinas, caso sejam indicadas, requerem sempre prescrição médica.
Pessoas com deficiências imunitárias graves, e mulheres grávidas não devem ser vacinadas com vacinas vivas (BCG, VASPR e vacina Rotavírus). As vacinas vivas atenuadas representam um risco teórico para o feto.

Reações adversas

A administração das vacinas poderá provocar algumas reações adversas, sendo as mais frequentes as reações ligeiras no local da injeção. Outras reações, como febre ou hipersensibilidade, são menos frequentes.
A administração preventiva de paracetamol não é recomendada, por rotina, aquando da vacinação, já que poderá interferir com a resposta imunológica à vacina. Contudo, este poderá ser administrado como forma de tratamento da febre e de sintomas locais que ocorram decorrentes da vacinação.

Falsas Contraindicações

Referem-se a situações que são muitas vezes encaradas como contraindicações, mas que na verdade não são. Como tal, nos casos que se seguem, as vacinas podem ser tomadas:
Reações locais ligeiras à dose anterior da vacina;
………..
Doença ligeira aguda com ou sem febre (infeções respiratórias);
………..
Terapêutica com antibioterapia;
………..
História pessoal ou familiar de alergias;
………..
História vacinal desconhecida;
………..
Dermatoses, eczemas ou infeções cutâneas localizadas;
………..
Síndrome de Down;
………..
Aleitamento materno;
………..
História de icterícia neonatal;
………..
História familiar de reações adversas graves à vacina;
………..
Ultrapassada a idade vacinal recomendada;
………..
Procedimento cirúrgico recente;
………..
Reações de hipersensibilidade não graves aos componentes da vacina.

Atualizações importantes em 2017 face ao Programa Nacional de Vacinação de 2012:

1.

A vacina da BCG (tuberculose) que era administrada à nascença deixou de ser recomendada de forma universal desde junho de 2016, passando para uma estratégia de vacinação de grupos de risco.
Devem ser vacinadas crianças com idade inferior ou igual a 6 anos desde que cumpram os seguintes critérios:
Provenientes ou viajantes para países com elevada incidência de tuberculose;
………..
Que terminaram processo de rastreio contactos ou quimioprofilaxia;
………..
Pais ou outros coabitantes com antecedentes de tuberculose, VIH, álcool, drogas, natural de um país com aumento de incidência de tuberculose e pertencentes a comunidades com elevado risco de tuberculose.

2.

Aos 2 e aos 6 meses de idade a VHB (vacina contra a hepatite B), a Hib (vacina contra a doença invasiva por Haemophilus influenza b), a DTPa (vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa) e a VIP (vacina contra a poliomielite) são administradas com uma vacina hexavalente (DTPaHibVHB).

3.

Aos 18 meses de idade os reforços da DTPa, da Hib e da VIP fazem-se com uma vacina combinada pentavalente (DTPaHibVIP).

4.

Aos 5 anos de idade faz-se a 2ª dose de vacina combinada contra o sarampo parotidite epidérmica e rubéola (VASPR2).

5.

Aos 5 anos de idade fazem-se os reforços da DTPa e da VIP que se mantém uma vacina combinada tetravalente (DTPaVIP).

6.

Aos 10 anos de idade, as raparigas fazem a 1ª dose de HPV9 (vacina contra infeções por vírus papiloma humano de 9 genótipos), mantendo-se o esquema de duas doses.

7.

As mulheres grávidas, entre as 20 e as 36 semanas de gestação (idealmente até às 32 semanas), são vacinadas contra a tosse convulsa com a vacina Tdpa (vacina contra o tétano, difteria e tosse convulsa, doses reduzidas).

8.

Os reforços da vacina contra o tétano e diferia, doses reduzidas foram alterados:
Primeira dose de Td aos 10 anos de idade;
………..
Continuação com reforços aos 25, 45, 65 anos e posteriormente de 10 em 10 anos.

 

O atual Programa Nacional de Vacinação de 2017 protege contra as seguintes doenças:

tabela vacinacao 2

Vacinação extraplano:

As vacinas extraplano, não fazendo parte do Programa Nacional de Vacinação, devem ser administradas após concórdia na sugestão médica com a opinião dos pais.
A colaboração dos cidadãos, nomeadamente dos pais, é fundamental, sendo o profissional de saúde responsável por motivar esta adesão, fornecendo toda a atenção, informação e cuidados necessários.

  • Vacina contra Neisseria meningitidis serogrupo b

A vacina 4CMenB (Bexsero®) é imunogénica e segura em lactentes, crianças e adolescentes. Pode ser administrada em simultâneo, com as vacinas incluídas no Programa Nacional de Vacinação e com a vacina pneumocócica conjugada, os efeitos secundários observados não são graves e a resposta imunológica aos antigénios das várias vacinas não é significativamente alterada. Atualmente é a única forma de proteção contra a doença invasiva meningocócica tipo B.
Pode ser administrada a partir dos 2 meses de idade, com um esquema que varia de acordo com o início da primeira administração. Normalmente se realizar a primeira administração entre os 2-5 meses, terão de ser realizadas 3 doses com um intervalo mínimo de 1 mês e uma dose de reforço entre os 12-23 meses. A partir dos 6 meses de idade são sempre duas doses com intervalo mínimo de 2 meses, sendo a dose de reforço também entre os 12-23 meses.

  • Vacina contra o rotavírus

A gastrenterite aguda (GEA) é uma patologia comum nos primeiros anos de vida.
A vacina pode ser administrada por via oral a partir das 6 semanas, e deve completar-se o esquema até aos 6 meses, sendo o intervalo mínimo entre cada dose de 4 semanas.
Existem duas formas de apresentação: a Rotateq® (administrada aos 2, 4 e 6 meses) e a Rotarix® (administrada habitualmente aos 2 e 4 meses).

  • Vacina contra a hepatite A

A hepatite A é a causa mais frequente de hepatite aguda no mundo. Na criança é, geralmente, benigna e muitas vezes assintomática.
A vacinação deve ser efetuada a partir dos 12 meses de idade com duas doses intervaladas de 6-12 meses (preferível 12 meses). Existem duas apresentações de vacinas: a Epaxal® a Havrix®.

Devem ser prioritariamente vacinadas:
Todas as crianças, adolescentes ou adultos que viajem para países com endemicidade intermédia ou alta;
………..
Todas as pessoas com patologia hepática crónica, sejam hemofílicos e recebam hemoderivados;
………..
Os candidatos a transplante de órgãos;
………..
Doentes com VIH;
………..
Todas as pessoas que pertençam a uma comunidade onde seja detetado um surto.

  • Vacina contra o HPV nos rapazes

O Papiloma Vírus Humano é responsável, em todo o mundo e em ambos os sexos, por lesões benignas e neoplasias malignas, com incidência elevada. Os homens encontram-se em risco de desenvolver condilomas genitais, cancro do ânus, do pénis, da cabeça e pescoço e neoplasias intra-epiteliais do pénis e ânus.
A Comissão de Vacinas recomenda, a título individual, a vacinação dos adolescentes do sexo masculino como forma de prevenir as lesões associadas ao HPV.
A vacina Gardasil® é atualmente a única com indicações aprovadas no género masculino.
O esquema recomendado para rapazes dos 9 aos 13 anos consiste na administração de 2 doses, com intervalo de 6 meses. No caso de rapazes com idade superior a 14 anos estão recomendadas três doses com intervalo de 0, 2, 6 meses.

  • Vacina contra a varicela

A varicela é uma doença benigna com elevada predominância na infância, com alto risco de contágio provocada pelo vírus da varicela-zoster (VVZ), sendo este também o agente causador do herpes zoster. Esta doença pode originar complicações graves, quer relacionadas com a sobreinfeção bacteriana (celulite, pneumonia, fasceíte, choque tóxico) quer relacionadas com o próprio vírus (encefalite e pneumonia).
A vacina contra a varicela é constituída por VVZ vivo atenuado. A administração da vacina da varicela está indicada nas seguintes situações:
Indivíduos não imunes em ocupações de risco (por exemplo: profissionais de saúde, profissionais que exerçam função com crianças);
………..
Mulheres não imunes antes da gravidez;
………..
Pais de crianças não imunizadas e adultos ou crianças que contactem habitualmente com indivíduos imunodeprimidos.

O esquema recomendado para crianças com idade entre os 12 meses e os 12 anos consiste na administração de 2 doses, com intervalo de 3 meses. No caso de indivíduos com idade superior a 12 anos estão recomendadas duas doses com intervalo de 2 meses. Existem duas apresentações no mercado de vacinas: a Varivax® e a Varilrix®.

Autoria:
Equipa de Enfermagem da Clínica Lusíadas Almada

Bibliografia:
– DGS, 2017 – Programa Nacional de Vacinação 2017
– OMS – Immunization
– Sociedade Portuguesa de Pediatria – Recomendações sobre vacinas extra programa nacional de vacinação, Atualização 2015/2016