Daltonismo: o que precisa de saber

O daltonismo interfere na forma como se percecionam as cores, atingindo muito mais os homens do que as mulheres, como explica a oftalmologista Ana Amaro, do Hospital Lusíadas Lisboa.

Daltonismo: o que é e quais os sintomas?

O que é?

O daltonismo (ou discromatopsia) é a dificuldade de distinguir as cores. O nome deve-se a John Dalton, o primeiro cientista a descrever a anomalia da qual ele próprio era portador, ainda no século XVIII.
A forma mais comum afeta a perceção do vermelho e do verde; seguindo-se a perceção do azul e do amarelo. A ausência total de visão cromática é uma forma grave mas muito mais rara de daltonismo, condicionando uma visão a preto e branco e uma acuidade visual muito baixa.
A capacidade da retina codificar a cor dos objetos deve-se à presença de células nervosas muito especializadas, capazes de captar a luz nos mais variados comprimentos de onda. Estas células, chamadas cones, têm pigmentos que são impressionados pela luz e desta forma reconhecem e transmitem ao cérebro a cor dos objetos visualizados.

Como é causado?

Os defeitos de visão cromática (relativos às cores) podem ser hereditários ou adquiridos. As causas hereditárias são muito mais frequentes e afetam principalmente a distinção das cores do espetro vermelho-verde. Já os problemas adquiridos, mais raros, refletem-se predominantemente no espetro azul-amarelo.

Quem é afetado?

Estima-se que 8% a 10% dos homens e 0,5% das mulheres, com ascendência genética europeia, sofram de daltonismo. Noutras populações a incidência é mais baixa.

O que explica a diferença entre os sexos?

O gene do daltonismo é transportado pelo cromossoma X. As mulheres têm dois cromossomas X, por isso, mesmo que tenham a anomalia genética, é compensada pelo par correspondente, não manifestando a doença mas tendo, no entanto, capacidade de a transmitir. Como os homens só têm um cromossoma X, se herdarem o gene do daltonismo de um dos pais, a doença vai manifestar-se.

De que forma o daltonismo condiciona a visão?

Na maioria dos casos, os défices não são absolutos. Muitas vezes os daltónicos conseguem distinguir as cores em que a sua perceção está afetada, apesar de as verem menos saturadas. A maior dificuldade prende-se com a distinção das cores intermédias. Por exemplo, na gama do vermelho-verde, a dificuldade é relativa a cores como laranja, castanho, verde-seco ou rosa.

Como se deteta?

O teste mais usado é o de Ishihara que consiste numa série de cartões com múltiplas tonalidades cromáticas, nas quais estão números que os daltónicos têm dificuldade de distinguir.

Ana Amaro, oftalmologista do Hospital Lusíadas Lisboa, explica o que é e como se deteta o daltonismo:

Como se pode minimizar o impacto do daltonismo?

O daltonismo não tem cura, no entanto há ferramentas que ajudam a integração do daltónico, como é o caso do ColorAdd, um sistema de identificação de cores para daltónicos. Este sistema já está em muitos manuais escolares portugueses, assim como em material de desenho, e passou a fazer parte do programa de ensino. A sua utilização tem-se vindo a disseminar um pouco por todo o mundo, sendo visível, por exemplo, na identificação das linhas do Metro do Porto.

Restrições profissionais

A única restrição profissional é para candidatos a pilotos, tanto na aviação militar como na aviação civil.

Colaboração:
Ana Amaro, oftalmologista do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Oftalmologia