Iogurtes ricos em proteína: todos podem consumir?

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O surgimento de iogurtes ricos em proteína, como os gregos, os skyr e os kvarg, inicialmente pensados para os praticantes de atividade física, tem suscitado curiosidade e interesse por parte dos consumidores. Saiba se são aconselhados a todas as faixas etárias.

O iogurte é um alimento que possui um teor em proteína interessante (cerca de 6 gramas por porção de alimento) e que, por si só, é considerado uma importante fonte deste macronutriente na alimentação da população portuguesa.
O surgimento de iogurtes ricos em proteína, inicialmente pensados para os praticantes de atividade física, tem suscitado curiosidade e interesse, nomeadamente por parte de quem procura ter hábitos alimentares mais saudáveis. Devido à sua composição nutricional (elevado teor em proteína e baixo teor de gordura), bem como à sua consistência cremosa e ampla variedade de sabores, nos últimos anos tem crescido a procura por estes produtos.

Já o seu teor proteico elevado, para além de conferir uma opção de alternativa às restantes fontes de proteína presentes na alimentação, promove maior saciedade, o que os torna interessantes para quem tem maior dificuldade em controlar o apetite e, consequentemente, o peso.

O que é um iogurte rico em proteína?

Da vasta gama de iogurtes que se apresentam no mercado, salienta-se a procura pelos iogurtes gregos e pelos iogurtes skyr e kvarg, designados como fornecedores de um maior valor proteico, uma vez que conferem cerca de 11 a 23 gramas de proteína por porção.

O seu principal ingrediente é o leite e tanto estes como os iogurtes normais são sujeitos a processos de fermentação nos quais estão presentes bactérias como Streptococcus thermophilus e Lactobacillus bulgaricus.

No caso do iogurte tipo skyr e kvarg, a proteína usada no fabrico é a caseína. Nos restantes iogurtes a proteína usada é a do soro do leite (a que se dá o nome de whey). Ambas as proteínas são de alto valor biológico uma vez que contêm todos os aminoácidos essenciais, o que as torna completas e o seu consumo interessante.

No entanto, a caseína que está presente nos iogurtes tipo skyr e kvarg é absorvida de forma mais lenta pelo organismo, o que provoca a sensação de maior saciedade.  Além disso, estes iogurtes apresentam uma textura mais cremosa e espessa, bem como um sabor levemente mais ácido, pelo que muitos os consideram semelhantes ao queijo.

Do ponto de vista nutricional, o iogurte skyr apresenta um valor proteico de cerca de 3 a 6 gramas superior ao iogurte convencional. No caso dos iogurtes kvarg, estes apresentam uma composição proteica três vezes superior à do iogurte grego (que tem cerca de 6 gramas, tal como os iogurtes convencionais), com uma composição em gordura praticamente nula. De forma geral, o iogurte kvarg tem um teor vitamínico e mineral que é não só interessante como também importante.

É obrigatório incluir os iogurtes ricos em proteína na sua alimentação?

Graças à sua versatilidade, estes iogurtes podem ser consumidos como snack, ao natural ou em combinação com outros alimentos (fruta, frutos oleaginosos, cereais não açucarados), ou até como ingredientes de batidos ou sobremesas.

A proteína proveniente destes produtos lácteos é benéfica. No entanto, há que ter em conta que o valor proteico obtido a partir do seu consumo poderá ser igualmente adquirido com a ingestão de outras fontes de proteína igualmente importantes como os ovos, a carne ou o peixe.

É importante realçar que mesmo com o consumo de iogurtes comuns, a maioria da população portuguesa ultrapassa de forma diária as recomendações de ingestão proteica (1g/kg peso/dia).

É importante ter em atenção que, independentemente da escolha entre um iogurte grego, skyr, ou outro iogurte igualmente fornecedor de um elevado aporte proteico (kvarg), a melhor opção passará sempre pela que contiver menor número de aditivos, açúcares adicionados ou edulcorantes.

Nem todas as versões que se encontram disponíveis no mercado são igualmente interessantes do ponto de vista nutricional, pelo que é aconselhado optar pelas versões naturais.

O caso da intolerância à lactose

Apesar de os iogurtes ricos em proteína conterem um teor em lactose considerado baixo, há que considerar o seu consumo quando abordamos casos de intolerância à lactose, uma vez que estes podem, ainda assim, provocar sintomas.

De forma a não comprometer a adesão ou o cumprimento de um determinado plano alimentar, a recomendação e a aquisição destes produtos deverá ser feita de forma individualizada e tendo em conta o seu custo e benefício. Isto porque, além da sua adequação do ponto de vista nutricional, deverá também ser considerado o seu enquadramento do ponto de vista económico, visto que possuem um custo mais elevado.

Serão interessantes para crianças? E idosos?

O facto de serem uma fonte de proteína por excelência faz com que estes iogurtes tenham sido considerados como essenciais para praticantes de atividade física e, mais recentemente, para qualquer indivíduo que tenha como objetivo o controlo de peso.

No caso da alimentação das crianças, a recomendação passa pelo consumo de iogurtes naturais comuns, uma vez que possuem um valor calórico inferior e uma distribuição de macronutrientes mais equilibrada.

No caso dos idosos, os iogurtes proteicos são opções interessantes a incluir de forma prática e agradável do ponto de vista nutricional e também sensorial. Isto porque esta população tem tendência para registar uma maior necessidade de ingerir proteína (consequência do processo de envelhecimento) e porque nestas idades se regista uma redução progressiva do seu aporte alimentar, pelas mais diversas razões.

Em suma…

Como em todas as outras questões relacionadas com a alimentação, os iogurtes proteicos devem ser considerados tendo em conta os objetivos, as preferências e as intolerâncias alimentares de cada pessoa. A sua introdução na rotina alimentar deverá ser realizada e acompanhada por um profissional de saúde, para que seja adequada, conforme as necessidades de cada indivíduo e integrada numa alimentação equilibrada e saudável.

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