Congelar alimentos: regras para garantir a segurança

Muitas pessoas podem ficar doentes devido ao consumo de alimentos ou água contaminada por microrganismos perigosos e/ou químicos tóxicos. Como congelar então os alimentos de forma segura?

Congelar alimentos: que regras se devem seguir?

A probabilidade de surgir uma doença de origem alimentar diminui quando estão asseguradas boas práticas de manipulação e conservação de alimentos. Estas práticas incluem, entre outras, um adequado controlo da temperatura. É mais propensa a multiplicação de microrganismos potencialmente perigosos entre os 5°C e os 60°C. Logo, se os alimentos estiverem expostos a temperaturas muito elevadas ou muito baixas, a probabilidade de surgir uma doença de origem alimentar é muito diminuta. Desta forma, torna-se essencial garantir boas práticas de conservação e manipulação dos alimentos!

A conservação de alimentos através da congelação não elimina os microrganismos potencialmente perigosos mas limita a sua multiplicação, não só pela diminuição da temperatura mas também pela redução da atividade enzimática e da água livre em estado líquido, levando assim a uma conservação mais duradoura comparativamente à refrigeração.

A temperatura do seu congelador deve estar regulada nos -18°C, sendo indiferente o local onde se colocam os alimentos, uma vez que a temperatura é uniforme em todo o compartimento.

Em seguida, encontram-se listados alguns truques para uma congelação mais eficaz e segura:

Não encha demasiado o congelador, pois pode comprometer a circulação do ar frio;

É fundamental proteger os alimentos a congelar evitando queimaduras pelo frio, particularmente quando se trata de grandes pedaços de carne. Comece por enrolar a carne em papel vegetal e, posteriormente, isole com película aderente. Para os restantes alimentos use sacos com fecho. Depois de colocar os alimentos no interior dos sacos, deixe uma pequena abertura para que possa retirar todo o ar e só depois feche o saco. Isto diminui a quantidade de ar que está em contacto direto com os alimentos, evitando queimaduras, preservando-os por mais tempo e em melhores condições;

Quando um alimento congelado apresenta uma alteração de cor para uma cor castanha clara ou acinzentada, estamos na presença de uma queimadura por congelação e o alimento não deve ser consumido;

Opte por congelar alimentos em doses individuais, pois proporciona uma descongelação e confeção mais rápida;

Não volte a congelar um alimento que foi previamente descongelado;

Relativamente à congelação das hortícolas: uma rápida imersão dos vegetais frescos em água fervente e de seguida, em água fria, (processo designado de branqueamento) possibilita inativar as enzimas que promovem a degradação dos vegetais, permitindo assim uma melhor manutenção da cor;

Evite colocar alimentos quentes ou à temperatura ambiente no congelador. Antes de os congelar leve-os ao frigorífico, para reduzir a temperatura;

Lembre-se que os alimentos dilatam com a congelação, por isso nunca encha os recipientes até à capacidade máxima;

Certifique-se de que os alimentos a congelar se encontram em boas condições;

Identifique os alimentos congelados com recurso a etiquetas que possuam a indicação do tipo de alimento e respetiva data de congelação porque apesar de os alimentos estarem congelados, também possuem prazo de validade, a saber:

  • Carne de vaca

12 meses

  • Carne de frango:

10 meses

  • Carne de borrego:

8 meses

  • Carne de caça:

6 meses

  • Carne de porco:

6 meses

  • Carne picada:

2 meses

  • Enchidos:

2 meses

  • Peixes magros:

6 meses

  • Peixes gordos:

3 meses

  • Marisco:

3 meses

  • Hortaliças:

12 meses

  • Pão e bolos:

3 meses

  • Pratos cozinhados:

3 meses

  • Salgados:

6 meses

  • Queijos de pasta mole:

8 meses

  • Manteiga:

6 meses

  • Natas:

3 meses

A não esquecer! 

O congelador é um ótimo aliado na conservação dos alimentos, no entanto devem ser respeitadas algumas regras que asseguram a manutenção da qualidade dos alimentos congelados. Além disso, com o passar do tempo os alimentos perdem sabor, cor, textura e valor nutricional!

Autoria:
Joana Bernardo, nutricionista do Hospital Lusíadas Lisboa, da Clínica Lusíadas Almada e da Clínica Lusíadas Parque das Nações

Especialidade em foco neste artigo:
Nutrição Clínica