Dia Mundial da Saúde 2015

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A alimentação é um dos garantes de uma vida saudável. Esse foi o lema escolhido pela Organização Mundial de Saúde para celebrar o Dia Mundial da Saúde. O mau manuseamento dos alimentos, assim como a falta de higiene provocam ainda milhares de mortes evitáveis todos os anos. Estar informado é a palavra de ordem.

Este ano, o Dia Mundial da Saúde é dedicado à segurança alimentar, sob o lema “Da produção ao prato, façam uma alimentação saudável” (“From farm to plate, make food safe”). O objetivo é alertar todos os intervenientes – dos governos aos consumidores, passando pelos produtores e fornecedores – para a necessidade de controlar os riscos microbiológicos.

Segurança alimentar

Um adequado manuseamento e confeção alimentar protegem-nos de intoxicações alimentares que podem provocar inúmeros problemas de saúde, como diarreias, doenças virais, problemas de desenvolvimento, reprodutivos e, inclusivamente, alguns tipos de cancro.

Alguns exemplos…

Sabe-se hoje que os primeiros casos de ébola estão relacionados com carne contaminada. E que uma das causas mais comuns de gastroenterite aguda em todo o mundo (de elevada mortalidade) é a transmissão da bactéria Salmonela enterica, através do consumo de ovos e carne de aves, mal lavados ou mal cozinhados.

A infeção pelo parasita Trichinella (por ingestão de carne de porco infetada e mal cozinhada) é outro potencial problema de saúde pública – relacionado com a segurança alimentar – e tem alguma expressão no nosso país.

Também as alterações ambientais e socioeconómicas em Portugal, a resistência do parasita aos fármacos e inseticidas, assim como o desconhecimento (e não notificação de casos) da maioria da população portuguesa, poderão causar surtos de Leishmaniose em Portugal no futuro. Esta é uma doença transmitida por um mosquito e é comum nos homens e nos cães.

Educar e informar no dia Mundial da Saúde 2015

A OMS acredita que a informação é, assim, a maior arma no combate a grande parte destes problemas de saúde. Modos de vida mais higiénicos e saudáveis determinam uma menor propagação das doenças. Mas também um acesso mais equilibrado a essa informação e aos cuidados de saúde primários e continuados devem ser uma preocupação da maioria dos governantes. Essa é a opinião da maioria das personalidades a quem dirigimos algumas questões sobre o estado da saúde em Portugal, como:
Luís Portela, Presidente do Health Cluster Portugal;
António Vaz Carneiro, Diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência;
Maria Nunes Pereira, Investigadora na Gecko Biomedical;
Nazaré Tocha, diretora da revista Prevenir;
José Bento, Administrador Executivo do Hospital Lusíadas Porto;
Pedro Mateus, Administrador Executivo do Hospital Lusíadas Lisboa e das Unidades Lusíadas no Algarve;
Vasco Antunes Pereira, Administrador do Hospital de Cascais.

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LUÍS PORTELA
Presidente do Health Cluster Portugal

1 – Como vê a investigação em saúde em Portugal?

A Saúde é uma das áreas onde Portugal evoluiu muito favoravelmente ao longo dos últimos trinta anos, tendo hoje uma boa prestação global, que compara bem com o que se faz nos outros países europeus sobretudo ao nível da investigação.

A Ciência que se faz na área da Saúde em Portugal faz-se bem. Somos a área que, salvo erro, tem mais doutorados – mais de 3.000. Somos a área que tem maior produtividade científica, com 29% da totalidade dos artigos científicos publicados. Alguns dos nossos investigadores publicam nos melhores sítios.

Apesar das críticas que se vão ouvindo, a Saúde que se faz em Portugal, também se faz bem, com muito bons indicadores. Temos desde 2007 uma esperança média de vida à nascença superior à média europeia. Temos uma das mais baixas taxas de mortalidade perinatal do mundo.

Temos ainda um conjunto de empresas focadas na internacionalização da Saúde que se faz em Portugal, que – apesar da época de crise que atravessamos, ou até talvez também por isso – conseguiram nos últimos seis anos quase duplicar as suas exportações para perto de 1,2 mil milhões de euros. Temos um peso crescente na economia portuguesa e condições próprias para continuar a crescer.

Sobretudo, acredito que o setor da Saúde em Portugal tem um enorme potencial de desenvolvimento para servir cada vez melhor os interesses de saúde dos portugueses e da humanidade em geral. Não será um percurso fácil, mas poderá ser muito bonito.

2 – O que gostava de ver acontecer nesta área num futuro próximo?

Gostava de ver definitivamente implantada uma reforma que possibilite uma maior aposta nos cuidados primários e nos cuidados continuados, racionalizando a utilização dos recursos a nível hospitalar, nomeadamente nas áreas com excesso de oferta, na zona litoral, entre Viana e Setúbal.

Gostava de ver implementada uma compatibilização entre sistemas informáticos, que permita que um doente do Minho com uma crise aguda no Algarve, seja atendido por profissionais de saúde que de imediato tenham acesso a toda a sua história clínica e, assim, o possam atender melhor.

Acredito que, depois das muito duras medidas restritivas na área do medicamento, durante a crise nacional e internacional que vivemos, que baixaram 30% o preço médio dos medicamentos em Portugal, levando-o para os mais baixos níveis da Europa, seja agora possível aliviar um pouco essas medidas. Só assim as empresas poderão investir apropriadamente em investigação, em qualidade, na atualização dos seus equipamentos e na – desejada por todos – internacionalização.

3 – Este ano, o tema definido pela Organização Mundial de Saúde é a alimentação. Que conselho daria para seguir uma alimentação mais saudável?

Penso que a dieta portuguesa é relativamente equilibrada, ainda que se notem alguns sinais preocupantes no tipo de alimentação de alguns jovens, com riscos crescentes de obesidade. Mas será desejável diminuir a ingestão de bebidas alcoólicas e de doces. Evitar molhos e utilizar menos sal. Sem esquecer a necessidade de fazer mais exercício (aconselho vivamente as pessoas saudáveis com menos de 70 anos a deixarem de utilizar elevadores).

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ANTÓNIO VAZ CARNEIRO
Diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência

1 – Como vê a saúde em Portugal?

Dentro dos significativos condicionalismos económicos e financeiros, o SNS tem sido capaz de responder com bastante eficácia aos problemas de saúde dos Portugueses.
Há muito a fazer, claro (desde o problema das infeções hospitalares à cobertura da população com médicos de Medicina Geral e Familiar, passando pela decisão sobre o melhor modelo de aprovação de medicamentos, etc.), mas globalmente penso que o SNS soube resistir às pressões financeiras destes últimos anos sem diminuir drasticamente a qualidade dos cuidados. E isso deve-se acima de tudo, a meu ver, à resiliência dos profissionais de saúde que se adaptaram e fazem mais com menos.

2 – O que gostava de ver acontecer nesta área num futuro próximo?

Tantas coisas…Mas vou destacar três:
1) O aprofundamento da reforma dos Cuidados Primários de Saúde;
2) A implementação em pleno do Sistema Nacional de Avaliação de Tecnologias de Saúde (SiNATS);
3) A criação de um sistema de informação científica de alta qualidade para apoio à decisão (dos cidadãos, dos profissionais de saúde, dos gestores/administradores e dos responsáveis políticos).

3 – Este ano, o tema definido pela Organização Mundial de Saúde é a alimentação. Que conselho daria para seguir uma alimentação mais saudável?

O que já toda a gente sabe: mais vegetais e frutas, menos carne e gorduras saturadas, peixe q.b. e poucas calorias!

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MARIA NUNES PEREIRA
Investigadora na Gecko Biomedical

1 – Como vê a saúde em Portugal?

A nível do sistema de saúde em geral, e tendo estado em diferentes países (nomeadamente nos EUA), consigo perceber a vantagem de um Sistema Nacional de Saúde. Nos EUA não é uma realidade. A esse nível estamos bem, mas tem de ser sustentável e fazer com que seja o mais justo possível, que se adeque às possibilidades de cada um.

Na área de investigação tem-se gerado massa crítica. Temos diferentes projetos nesta área, por isso torna-se cada vez mais importante estimular este ecossistema e trazer as inovações para o mercado.

2 – O que gostava de ver acontecer nesta área num futuro próximo?

Na área da investigação, é importante gerar massa crítica e auxiliar na translação das novas tecnologias da área da investigação para a indústria. É indispensável ajudar a criar produtos de valor.

3 – Este ano, o tema definido pela Organização Mundial de Saúde é a alimentação. Que conselho daria para seguir uma alimentação mais saudável?

Fazer uma alimentação variada, com muita fruta e vegetais e, acima de tudo, a água. Esse é um elemento que as pessoas nem sempre valorizam, mas que é muito importante.

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NAZARÉ TOCHA
Diretora da Revista Prevenir

1 – Como vê a saúde em Portugal?

O nosso país é encarado internacionalmente como uma referência no domínio do Serviço Nacional de Saúde, mas este modelo foi criado há mais de três décadas, a pensar num futuro distinto daquele que agora se concretizou, fruto de uma crise económica profunda e de uma realidade epidemiológica atual com grande impacto/custo individual, social e económico: somos um país com uma população envelhecida e as doenças crónicas são infelizmente muito prevalentes, “obrigando-nos” a assumir a prevenção e a opção de um estilo de vida saudável como as ferramentas mais eficazes no seu combate. Apesar da excelência dos profissionais de saúde, a capacidade de resposta do SNS às necessidades dos portugueses está hoje condicionada e limitada, pela conjuntura económica e consequente decisão de limitação de recursos.

Paralelamente, o setor privado tem ganho destaque. Os caos das urgências, as listas de espera para cirurgias, as muitas horas de espera que são necessárias para se marcar uma simples consulta no centro de saúde ou para fazer exames essenciais, continuam a ser noticiadas.  Entristece-nos esta noção de que existem ainda hoje muitas pessoas sem recursos económicos ou rede familiar que se sentem totalmente desprotegidas e desamparadas. Este cenário radica num problema de gestão de recursos e não da qualidade e competência de equipas de saúde, excelentes não só do ponto de vista técnico, mas também, e cada vez mais do ponto de vista humano.

Sobre a relação médico/doente creio estarmos ainda no início de uma mudança do modelo, graças a uma nova geração de pacientes que, mais informada e proativa, não delega a responsabilidade do seu estado de saúde ao médico, assume-a como uma competência também sua. Percebe que a informação que fornece ao médico, as perguntas que faz (ou não) ou aquilo que lhe oculta podem afetar o diagnóstico do seu problema e tratamento. Neste campo há ainda muito a fazer e, aqui, o contributo da comunicação social é também essencial.

Já do ponto de vista da investigação em saúde em Portugal, há muitas notícias que nos enchem de orgulho e esperança. Vários investigadores portugueses têm sido premiados e integrados em grupos de trabalho nacionais e internacionais de grande relevo no campo da ciência, empenhados em encontrar respostas para doenças que afetam milhares de portugueses, nomeadamente no campo neurológico e oncológico.

2 – O que gostava de ver acontecer nesta área num futuro próximo?

Que a ciência conseguisse desenvolver tratamentos oncológicos revolucionários menos agressivos para os doentes, tratamentos que permitissem oferecer maior qualidade de vida; que as equipas de saúde (médicos, enfermeiros, assistentes, auxiliares…), independentemente da sua área de especialização, tivessem formação sobre a forma de comunicar e lidar emocionalmente com doentes; que os portugueses não fossem ao médico apenas quando estão doentes; que assumissem a prevenção, nomeadamente a realização de exames de rotina, como uma estratégia essencial para viverem mais e melhor; que houvesse maior apoio para familiares e doentes terminais para que estes possam estar com a sua família o maior tempo possível com os cuidados e o conforto que merecem e precisam; que pais e escolas se empenhem e trabalhem em conjunto para que as crianças cresçam a gostar de alimentos saudáveis e de queimar muitas calorias com brincadeiras ao ar livre, longe da TV ou computador; que se criem parcerias nos hospitais entre a medicina convencional e terapias alternativas, com provas dadas em estudos científicos; e que todos nos consciencializemos de que o estado da nossa saúde mental, a forma como gerimos as nossas relações humanas, afetivas e as nossas emoções são fatores-chave para a nossa saúde e que, por isso, devemos buscar em cada dia pontos de equilíbrio, parar e refletir sobre o que realmente é importante para que sejamos verdadeiramente felizes, verdadeiramente saudáveis.

3 – Este ano, o tema definido pela Organização Mundial de Saúde é a alimentação. Que conselhos daria para seguir uma alimentação mais saudável?

Portugal integra um leque de países cuja dieta é aplaudida pela OMS – a dieta mediterrânica. Pelo tipo de produtos que produzimos e que estamos habituados a consumir, temos a vantagem em relação a outros povos de ter um excelente ponto de partida para uma dieta equilibrada.

Acontece, contudo, que muitos não gerem bem as doses e a frequência de consumo de cada família de alimentos. Bastar-nos-ia inspirar-nos diariamente nas regras da pirâmide da dieta mediterrânica para compormos bem as nossas refeições e, com isso, salvaguardar o nosso bem-estar e saúde a curto e longo prazo.

Isso significa, na prática, por exemplo, fazer opções tão simples como limitar o consumo de carnes vermelhas e de doces a não mais do que duas porções semanais; preferir o peixe, a carne branca e as leguminosas como fontes de proteína; comer frutos secos e sementes diariamente; substituir o sal por ervas aromáticas no tempero dos pratos; garantir que as nossas refeições ficam repletas de cor com ajuda de vegetais e de fruta fresca; preferir fontes de hidratos de carbono integrais (pão, massa, arroz, aveia) aos refinados e eleger o azeite como gordura principal, consumida com moderação.

Comer bem e com prazer, significa também mastigar devagar, saborear, não exagerar e fazê-lo em comunhão com quem mais amamos, de televisão desligada e num ambiente calmo. Sobremesas e pratos caloricamente generosos não estão proibidos, pois também nos permitem celebrar a vida, mas devem ser guardados para momentos especiais. E, claro, recomendo também que hidratar bem o organismo com água, sumos, sopas, infusões e chás; exercitar todos os dias os músculos e ossos e reservar tempo diariamente para cozinhar: para além de permitir poupar, os estudos confirmam que quem o faz engorda menos e come melhor. Sem esquecer que é um excelente pretexto para se criarem momentos felizes e memoráveis em família.

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JOSÉ BENTO
Administrador Executivo do Hospital Lusíadas Porto

1 — Como vê a saúde em Portugal?

A saúde em Portugal é um setor em franca expansão e evolução. O setor público de saúde em Portugal, de uma maneira geral, aposta na qualidade, na segurança e na eficiência, mas não responde totalmente às necessidades crescentes da população nomeadamente na acessibilidade (verificam-se listas de espera nas cirurgias, na marcação de consultas, etc.).

A complementaridade do setor privado tem acrescentado valor ao sistema de saúde em Portugal e tem conhecido uma enorme evolução nos últimos anos, nomeadamente na maior oferta de serviços de saúde diferenciados e de maior acessibilidade, recorrendo à vanguarda da inovação científica e tecnológica e com monitorização de indicadores clínicos e de eficiência.

No Hospital Lusíadas Porto, privilegiamos a qualidade e promovemos a avaliação por entidades externas, como a Joint Commission International [organismo de acreditação internacional de entidades de saúde], o que nos permite uma melhoria contínua através de benchmarking entre unidades.

2 — O que gostava de ver acontecer nesta área num futuro próximo?

A procura de soluções com enfoque no doente, na patologia e com uma preocupação com o saber cuidar.  A continuidade do investimento em qualidade, em profissionais e na inovação científica e tecnológica.
Uma atitude de maior proatividade  na prevenção, com vista à melhoria da qualidade de vida e eficiência nos gastos de saúde. Este será o grande desafio do setor: criar uma cultura de sensibilização da sociedade  para essa mesma prevenção.

3 — Este ano o tema definido pela Organização Mundial de Saúde é a alimentação. Que conselho daria para seguir uma alimentação mais saudável?

É fundamental ter uma alimentação saudável aconselhada, preferencialmente, por um nutricionista. Um constante acompanhamento dos indicadores de saúde, através de visitas regulares ao médico, permitem um diagnóstico atempado de qualquer doença.

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PEDRO MATEUS
Administrador Executivo do Hospital Lusíadas Lisboa e das Unidades Lusíadas no Algarve

1 – Como vê a saúde em Portugal?

É um setor que, nos últimos anos passou por mudanças muito significativas em termos da procura de novos modelos de negócio. Tem apresentado um crescimento sustentado em termos de utilizadores do sistema mas com um decréscimo da despesa global, em parte devido às medidas impostas pelo Plano de Intervenção Financeira.

Dado o envelhecimento da população será necessário gerir o equilíbrio ténue entre despesa, qualidade dos serviços prestados e financiamento sustentável do sistema de saúde.

Assim, o maior desafio, é encontrar uma forma de gerir um sistema de saúde com uma pirâmide demográfica invertida e que vai precisar de mais cuidados de saúde, com um nível de qualidade que se quer cada vez melhor e com equilíbrio financeiro.

É um setor, que se tem tornado no global mais eficiente. O acesso aos cuidados de saúde têm melhorado significativamente.

2 – O que gostava de ver acontecer nesta área num futuro próximo?

Há dois tipos de pessoas: pessoas saudáveis e outras doentes.

Nós somos duplamente privilegiados, porque temos o privilégio de sermos saudáveis e por termos o poder de cuidar dos outros, dos que estão doentes, fazendo uma diferença positiva nas suas vidas.

Gostava que, num futuro próximo, todos os profissionais do setor tivessem este sentido de missão e o sentissem como um desígnio pessoal.

3 – Este ano, o tema definido pela Organização Mundial de Saúde é a alimentação. Que conselho daria para seguir uma alimentação mais saudável?

Uma alimentação equilibrada com produtos frescos e pouco sal, coordenada com uma atividade física regular, mesmo que moderada.

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VASCO ANTUNES PEREIRA
Administrador do Hospital de Cascais 

1 – Como vê a saúde em Portugal?

A saúde em Portugal tem evoluído muito nos últimos 40 anos e tem-se aproximado dos modelos de saúde mais desenvolvidos na Europa e no mundo, existindo hoje um conjunto de sistemas financiadores e de prestadores de cuidados, privados e públicos, que concorrem integradamente para dar cobertura à generalidade das necessidades dos portugueses. Naturalmente, ainda existem algumas situações pontuais de carência de cuidados que devem ser abordadas de forma objetiva, como por exemplo na área dos cuidados primários.

Do ponto de vista do Sistema Nacional de Saúde, penso que ainda exista alguma dificuldade em considerar os prestadores privados como parte integrante do mesmo e como parte de uma solução global que melhor sirva a população portuguesa. Este sentimento tem vindo a mudar nos últimos dez anos e hoje, temos casos de reconhecido sucesso de privados a gerirem unidades públicas, como é o caso da nossa PPP de Cascais e os casos de hospitais privados que cada vez mais se assumem como referências em diversas áreas.

2 – O que gostava de ver acontecer nesta área num futuro próximo?

Gostava que o tema da saúde fosse abordado de forma objetiva e não sensacionalista, por forma a transitarmos de um sistema de “doença” para um verdadeiro sistema de saúde. O modelo que temos atualmente ainda não agrupa a prevenção, os cuidados primários e os cuidados hospitalares debaixo de um mesmo chapéu. Temos hoje maturidade no SNS para podermos evoluir para sistemas de financiamento por capitação, que permitiria alinhar os objetivos dos diversos “players”.

3 – Este ano, o tema definido pela Organização Mundial de Saúde é a alimentação. Que conselho daria para seguir uma alimentação mais saudável?

É hoje absolutamente pacífico dizer-se que uma alimentação equilibrada está na base de uma vida saudável. A mesma deverá ser variada e moderada, observando as regras amplamente difundidas pela própria OMS.

É fundamental garantirmos que esta informação é passada de forma clara e efetiva a toda a nossa sociedade.

A promoção de hábitos de vida saudáveis, onde naturalmente se inclui a alimentação equilibrada, é hoje um fator crítico na sustentabilidade dos nossos sistemas de saúde e de segurança social. Penso que este tema é portanto um tema de todos nós, devendo cada um contribuir da melhor forma possível para a criação de uma consciência coletiva da importância da alimentação na saúde.

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Literacia em Saúde (**)

Por todo o mundo, e Portugal não é exceção, a literacia na área da saúde é menor nas pessoas com níveis de educação e rendimento baixos.
Pessoas com baixo nível de literacia:
Utilizam mais serviços de saúde;
Cuidam menos de si;
Adotam estilos de vida menos saudáveis (por exemplo: praticam menos exercício físico).

A OMS acredita que estar informado sobre a sua saúde é estar dotado do poder de decisão sobre a mesma. Só assim se pode construir uma cidadania plena, baseada em sistemas de saúde robustos, sustentáveis e justos. O Dia Mundial da Saúde pretende potenciar a ação de todos os intervenientes nesse sentido a começar já. O Dia Mundial da Saúde é hoje.

(**) Portugal: a Saúde em Números, DGS, dezembro 2014.

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