Como ser feliz em 12 passos

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A felicidade sempre atraiu os psicólogos. Mas também cada vez mais economistas e neurologistas têm mostrado ter algo a dizer sobre um sentimento que é vago e, à partida, imensurável. Quisemos saber que conselhos tem a ciência para nos tornar pessoas mais felizes e explicamos como tornar isso possível, com 12 (pequenos) passos.

A ciência diz-nos que é possível ser feliz. Se seguir estes 12 passos talvez chegue à conclusão de que até é mais feliz do que julgava. Quer saber como ser feliz?

  • Passe mais tempo com os amigos

As pessoas mais felizes são aquelas que têm relações mais fortes com os outros: com as pessoas de quem gostam, com a família, com os colegas ou os vizinhos. “As relações boas mantêm-nos mais felizes e mais saudáveis. A solidão mata”, conclui um estudo da Universidade de Harvard, que acompanha antigos alunos há mais de 70 anos. Dar mais atenção ao tempo que se passa com os amigos traz também outras vantagens. Shawn Achor, psicólogo e investigador norte-americano que se dedicou ao estudo do stresse e da felicidade, garante que as relações interpessoais são o ingrediente secreto para um bom desempenho. “As pessoas mais felizes trabalham mais e melhor, e não o contrário”, defende.

  • Invista na sua relação

As pessoas que sentem poder contar com o parceiro vivem mais tempo e mantêm uma boa memória até mais tarde, garante Robert Waldinger, o quarto e atual diretor de “O Estudo do desenvolvimento do Adulto”, iniciado pela Universidade de Harvard em 1938. “Podem discutir, mas quando sentem isso, essas discussões não se fixam na memória”, explica. No mesmo sentido, o perfil de um português feliz, traçado em 2010 por um estudo da Associação Portuguesa de Estudos e Intervenções em Psicologia Positiva (APEIPP), mostra que, se o número de anos que se vive com o companheiro/a não interfere na felicidade, o mesmo já não se pode dizer da qualidade da relação. Quando existe comunicação, uma vida conjugal preenchida e admiração pelo outro, o nível de felicidade aumenta.

  • Faça mais coisas

Shawn Achor garante que as pessoas mais felizes são aquelas que estão mais ocupadas, sem se sentirem sobrecarregadas. “Não fazer nada” não é a melhor resposta, nem para o cansaço, nem para a frustração — “demasiado tempo livre é um fardo”, defende, citado pela revista Time. Ocupe os tempos mortos a fazer aquilo em que sente que é bom: seja um hobby, um desporto ou meditação. De acordo com os estudos deste psicólogo, ter pouco ou nenhum tempo livre aumenta os níveis de felicidade, desde que isso não implique passar a vida a correr de um lado para o outro. As conclusões do estudo da APPEIP são, neste aspeto, surpreendentes: ir uma vez por mês a uma reunião de um grupo, fazer voluntariado ou uma visita cultural, assim como assistir duas vezes por mês a um ritual religioso corresponde em felicidade ao equivalente a duplicar o salário.

  • Imagine a felicidade…

Chamam-lhe “o homem mais feliz do mundo”. Mathiew Riccard trocou a genética molecular pela espiritualidade e aos 69 anos aceitou participar num estudo Universidade de Wisconsin sobre os efeitos da meditação no cérebro. Richard Davidson, o investigador que coordenou a investigação, conta que as imagens do cérebro do monge budista mostraram que, ao meditar sobre compaixão, o cérebro de Richard produz um nível de ondas gamma — ligadas à consciência, atenção, aprendizagem e memória — “nunca antes relatadas em literatura neurocientífica”. A sua mente torna-se invulgarmente leve quando medita. O segredo? Mathiew Riccard garante que chegam 15 minutos por dia de pensamentos felizes — e a ciência parece dar-lhe razão. O estudo de Wisconsin comprovou que 20 minutos de meditação diária elevam os níveis de felicidade.

  • Agende a felicidade

“A felicidade precisa de consultas regulares”. A frase é de Eric Baker, autor de um blogue de desenvolvimento pessoal com conselhos de base científica e com muito sucesso nos Estados Unidos, citado pela revista Time. Fazer planos, traçar objetivos e estabelecer metas temporais, ajuda à concretização dos objetivos. E lembra as conclusões da psicóloga Jennifer Aaker, autora do livro “The Dragonfly effect” (O efeito libélula), a propósito dos seus estudos sobre marcas: “Há uma diferença entre aquilo onde as pessoas dizem querer gastar o seu tempo e aquilo que elas acabam realmente por fazer”.

  • Pratique desporto

O exercício físico promove a libertação de endorfinas, neurotransmissores apropriadamente chamados de hormonas do bem-estar ou da felicidade. Reduz a ansiedade, ajuda a fortalecer a autoestima e autoconfiança, melhora a cognição e diminui o stresse. Isto, sem falar dos efeitos secundários de a pessoa se sentir em boa forma física ou com a silhueta desejada.

  • Cuide da sua saúde

Problemas de saúde causam mal-estar e ninguém é feliz na doença, certo? Cansaço, stresse, ou tristeza podem ser sintomas de um problema físico — e há que pensar também que, mesmo quando parecem depender de resoluções individuais, há questões que podem ser mais facilmente ultrapassadas com ajuda clínica, como deixar de fumar, começar a praticar desporto, ou controlar o excesso de peso/obesidade. Os portugueses de bem com a vida parecem já ter percebido isso. Segundo o estudo da APEIPP, 72% das pessoas mais felizes sentem-se satisfeitas com o seu estado de saúde e quando têm algum sintoma, procuram logo o médico.

  • Mude de emprego, não se acomode

“Não ficar num trabalho que não se gosta” foi o conselho mais repetido pelas 1500 pessoas, entre os 70 e os 100 anos, entrevistadas por Karl Pillemer, da Universidade de Cornel. O investigador decidiu ouvir a opinião dos mais velhos para analisar os seus arrependimentos quando estava a preparar o livro ”30 Lessons for Living: Tried and True Advice from the Wisest Americans”, com conselhos para uma vida mais feliz. “Sabem quando temos aqueles pesadelos em queremos gritar e avisar alguém, mas não nos sai nenhum som? É com essa intensidade que os mais velhos querem transmitir aos jovens que passar tempo de vida num trabalho de que não gostamos é a receita para o arrependimento. Quem olhar para trás e vir milhares de horas perdidas em função de um trabalho que não aprecia vai achar isso uma pura idiotice”, concluiu o autor.

  • Dê mais de si…

Mathiew Riccard deixa o alerta: “o egoísmo, a arrogância e agressividade são sentimentos que nos fazem sentir mal e impedem a nossa felicidade”, diz o monge budista. Não faltam, de facto, estudos científicos a comprovar a veracidade da frase “dar é melhor do que receber”. Dar tempo, dar conforto, dar uma ajuda… são ações capazes de gerar um aumento da felicidade. E este retorno faz-se sentir a vários níveis. No livro “Dar e receber: Uma abordagem revolucionária sobre sucesso, generosidade e influência”, o psicólogo organizacional Adam Grant, explica que as pessoas mais egoístas acabam por se sentir sobrecarregadas e stressadas, criando, involuntariamente, conflitos.

  • Não se dedique demais aos outros

Dedicar-se aos outros em demasia pode também ter o efeito inverso. No seu livro, Adam Grant cita um estudo australiano que estimou em 100 horas anuais o tempo ideal para dedicar inteiramente aos outros, o que equivale a duas horas por semana. Sonhar, estabelecer objetivos e planear implica tempo, mas todos sabemos que a autoestima e a confiança são importantes e o quão subjetivo pode ser a sua manutenção.

  • Procure pessoas positivas

Segundo o médico e sociólogo Nicholas Christakis, da Universidade Harvard, a felicidade é contagiosa. O especialista acompanhou 4700 voluntários ao longo de 20 anos e concluiu que os sentimentos de alguém podem, por exemplo, melhorar o humor do cônjuge, do irmão dele e de amigos e vizinhos desse irmão. O grau de satisfação pessoal pode aumentar em 34% e o efeito perdura por um ano.

  • Ambicione a realização

Existem os sentimentos de felicidade momentânea e os momentos de felicidade baseados na realização de objetivos. Estes são mais vagos e surgem, por exemplo, quando pensamos em quão bem estamos a educar os nossos filhos. O propósito é importante. E isso leva alguns investigadores a distinguir estes dois conceitos. Num estudo recente, Roy Baumeister, Jennifer Aaker, Kathleen Vohs e Emily Garbinsky fazem o elogio da realização. “Os nossos resultados relacionam o sentimento de felicidade com o facto de se conseguir o que se quer e precisa, quer de outras pessoas quer através de dinheiro”, explicam. “Por seu lado, a realização está ligada às coisas que refletem o que somos e que têm um efeito positivo nos outros”.

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