O que é o déjà vu?

Quase todos nós já tivemos esta sensação de ter estado “naquele” sítio, com “aquela” pessoa. Só que, na realidade, nunca estivemos. Porque é que isto acontece?

O déjà vu existe?

O termo francês déjà vu significa “já visto” e diz respeito à sensação subjetiva mas intensa de já se ter presenciado ou vivenciado algo, apesar de sabermos que é a primeira vez que acontece. Segundo um estudo da Cleveland Clinic (EUA), cerca de 60 a 70 por cento das pessoas saudáveis tiveram um déjà vu e este tende a ser mais frequente na faixa etária dos 15 aos 25 anos e decresce com o avançar da idade.

A não compreensão do déjà vu levou a que este fosse, durante muito tempo, associado a uma experiência metafísica, como uma espécie de antevisão do futuro. Porém, de acordo com a maior parte dos estudiosos do assunto, trata-se de um fenómeno comum e sem significado em pessoas saudáveis.

Não existe uma explicação científica para o déjà vu aceite unanimemente pela comunidade científica, mas uma das hipóteses é a de que seja uma espécie de “partida” do cérebro, em que a sensação de familiaridade ocorre simplesmente porque uma situação, um local ou um cheiro nos remete para uma memória em particular.

As pesquisas realizadas puseram na mesa várias outras teorias: uma delas é que ocorra uma sinalização anormal no cérebro, que faz com que algo nunca vivenciado antes seja percecionado como conhecido.

Outra explicação prende-se com o facto de poder ocorrer uma falha no processo de armazenamento das memórias, o que faz com que ocorra uma sobreposição em que se misturam acontecimentos recentes e menos recentes.

Por outro lado, há estudos que sugerem que quando temos um déjà vu ocorre uma ativação inadequada da zona do cérebro associada com a sensação de familiaridade.

Quando o déjà vu pode ser um sintoma neurológico

O déjà vu pode ser um dos sintomas apresentados por quem sofre de epilepsia do lobo temporal, surgindo antes de uma crise epilética. Nesta doença, qualquer área do cérebro pode ser ativada involuntariamente e a pessoa pode ter sensações físicas que já experimentou no passado ou reviver uma situação que tenha ficado armazenada na memória.

De acordo com os mesmos investigadores da Cleveland Clinic, o déjà vu também já foi observado em pessoas com demência vascular (a segunda forma de demência mais comum, a seguir à doença de Alzheimer) e, mais raramente, noutros tipos de demências.

O dejá vu poderá ser indicativo de uma doença neurológica quando:

Ocorre com frequência (algumas vezes por mês ou mais frequentemente);

É acompanhado de memórias anormais que se assemelham a sonhos;

É seguido de perda de consciência e/ou alterações como mastigação involuntária, inquietude, aumento da frequência cardíaca ou medo irracional.

Nestes casos é importante consultar um neurologista para que este possa despistar uma causa patológica subjacente.

Em suma:

Embora não exista uma explicação científica consistente para o fenómeno, o déjà vu é uma sensação que surge ocasionalmente e, em pessoas saudáveis, não é motivo para preocupação.

 

Revisão científica:
Gonçalo Matias, neurologista do Hospital Lusíadas Lisboa e Clínica Lusíadas Parque das Nações

Especialidades em foco neste artigo:
Neurologia