Tratar a obesidade e a diabetes

O novo Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica da Clínica de Stº António trata a obesidade e a diabetes através, sobretudo, do minibypass gástrico, acompanhado por cuidados multidisciplinares.

Minibypass gástrico: conheça o Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica da Clínica de Stº António

As duas principais doenças metabólicas – a obesidade e a diabetes – são o principal alvo do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica da Clínica de Stº António. O Centro pretende ajudar pessoas com obesidade mórbida, com índice de massa corporal (IMC) acima dos 40, e também pessoas com IMC acima dos 35 mas com patologias graves, como a diabetes. “Podemos tratar uma franja de diabéticos muito importantes que são os diabéticos tipo II, com IMC a partir de 30, desde que não estejam suficientemente controlados com terapia médica”, explica o coordenador do Centro Multidisciplinar da Doença Metabólica da Clínica de Stº António, Rui Ribeiro. “A cirurgia tem uma eficácia entre 80 a 90% no controlo da diabetes tipo II.”

O Centro está atento ainda a um problema crescente em Portugal: a obesidade infantil. “Queremos tratar crianças obesas na vertente não cirúrgica – embora os casos mais graves também possam ser operados. E também no controlo da diabetes. Há muitos adolescentes diabéticos que podemos ajudar.”

O minibypass gástrico

O tratamento mais comum é o minibypass gástrico, que neste momento é a terceira cirurgia mais usada no mundo, depois do sleeve gástrico (cirurgia para retirar parte do estômago, transformando-o num tubo gástrico) e do bypass gástrico (nesta cirurgia cria-se uma pequena bolsa gástrica, ligada ao intestino por uma passagem estreita que limita a ingestão de alimentos).

O minibypass gástrico consiste no mesmo tipo de construção que o anterior, mas com uma bolsa estreita e fina ligada ao intestino por uma passagem larga que, além de conduzir os alimentos mais depressa para o intestino, tem efeitos metabólicos que reduzem a sensação de fome. “Ocorre uma redução da grelina, a hormona da fome, e é reposto o mecanismo da saciedade. Isto tem a ver com o aumento de produção de hormonas (GLP1 e PPY3,36) produzidas na parte final do intestino delgado na presença de alimentos e que promovem no cérebro a sensação de saciedade”, explica o cirurgião Rui Ribeiro.

A técnica permite ainda a não absorção de gorduras por parte do intestino delgado e a melhoria do metabolismo dos açúcares e dos hidratos de carbono, que pode levar à cura da diabetes tipo II.

O especialista desenvolveu uma variante da cirurgia – o minibypass gástrico derivado – que oferece os mesmos benefícios mas sem o refluxo biliar, que ocorre em cerca de 3 a 4% dos doentes. “Criei uma variante em que através da aplicação de um mecanismo antirrefluxo o problema é evitado.” Uma técnica alternativa aceite pela comunidade cirúrgica internacional.

Tratamentos não invasivos

Para os casos menos graves há novos tratamentos disponíveis. “Além do acompanhamento de um endocrinologista, há fármacos novos através dos quais controlamos melhor quer a obesidade quer a diabetes”, explica o coordenador do Centro. A equipa prepara também o uso de tratamentos por endoscopia, através da qual se consegue reduzir o estômago mediante a colocação de balões ou mesmo com pontos internos e até o uso de ímanes. “Um doente pode receber um íman pelo aparelho digestivo superior e outro pelo inferior e, de forma controlada, os ímanes encontram-se dentro do abdómen e criam um bypass.” 

Resultados a longo prazo

Os tratamentos requerem um acompanhamento regular, que inclui o apoio de várias especialidades como a psicologia, nutrição e fisioterapia. A prática de atividade física também é importante neste processo. A taxa de sucesso supera os 90%.

 “A obesidade é uma doença crónica, inscrita no ADN, não a vamos curar. Podemos é criar condições para que os doentes modifiquem o seu comportamento e aprendam a controlá-la.” O Centro também oferece tratamentos contra a flacidez, como mesoterapia. “A flacidez não é uma doença mas é um problema que afeta a pessoa a nível psicológico. É importante ter uma boa imagem de si próprio”, justifica o médico.

Saiba mais sobre esta cirurgia que reduz em um terço o peso em pessoas com obesidade

Por Susana Lúcio

Este é um dos artigos que pode ler na Revista Lusíadas nº9