O iogurte ajuda a regular o trânsito intestinal?

O iogurte tem várias propriedades que ajudam a regularizar o trânsito intestinal, sendo de mais fácil digestão do que o leite.

Facto ou mito: o iogurte ajuda a regularizar o trânsito intestinal?

Por se tratar de um alimento fermentado, o iogurte tem melhor digestão que o leite e pode ser um bom aliado na regulação do trânsito intestinal. Mas é essencial evitar os exageros de gordura ou açúcares adicionados e não descurar uma alimentação saudável, alerta Diana e Silva, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Porto.

O que está em causa

Depois de alterado pelo suco gástrico, no estômago, o bolo alimentar tem ainda um longo caminho a percorrer através do intestino até à sua transformação nas fezes, por ação dos micro-organismos que compõem o microbioma. A essa “viagem” até à evacuação chamamos “trânsito intestinal” e quando se pretende otimizar todo o processo, tornando-o mais rápido, indolor e eficiente, falamos de “regulação” do trânsito intestinal.

O papel do iogurte

O iogurte tem baixo teor de lactose e é um alimento fermentado, sendo por isso de mais fácil digestão que o leite e outros derivados. Obtido através da fermentação do leite pelas bactérias Streptococcus thermophilus e Lactobacillus bulgaricus, pode ser um bom aliado na regulação do trânsito intestinal. No entanto, há sempre que ter em atenção a sua composição.

“O iogurte pode ter um efeito modelador do trânsito intestinal, mas também pode constituir uma má escolha, se lhe tiver sido adicionado açúcar ou possuir elevados teores de gordura, tornando-o nutricionalmente desequilibrado e com maior densidade energética ”, alerta Diana e Silva, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Porto. Os iogurtes naturais ou de aromas sem adição de açúcar são quase sempre a melhor opção, explica a especialista.

O que são probióticos

Probióticos são alimentos que contêm micro-organismos vivos benéficos para a saúde. Os iogurtes têm um efeito probiótico, em sentido lato. O que distingue os chamados iogurtes bifidus é o facto de incluírem na sua composição outras “bactérias do bem”, nomeadamente bifidobactérias, micro-organismos que existem naturalmente no leite materno e fazem parte da flora intestinal, a quem é reconhecido um papel importante na regulação do trânsito intestinal e no reforço do sistema imunitário.

Alimentação variada

“As bactérias vivas, que vivem nos intestinos e podem ser ingeridas através da alimentação, melhoram a saúde em geral e são sempre bem-vindas”, afirma Diana e Silva. Para agilizar o trânsito intestinal, pode ser vantajoso optar pelo iogurte de quefir (feito a partir de leite fermentado como a famosa “flor de iogurte” ou “cogumelo tibetano”) ou dar prioridade a iogurtes bifidus, com baixo teor de açúcar e gordura, reconhece.

No entanto, mais importante do que tomar qualquer medida avulsa, é o plano alimentar na sua globalidade, defende a especialista. “Não havendo uma causa funcional, os problemas de trânsito intestinal surgem como resultado de uma alimentação desequilibrada: baixa ingestão de hidratos de carbono complexos, escassos teores de cereais integrais, poucas quantidades de fruta, hortícolas e leguminosas secas”, explica. Combater a lentidão do intestino implica mudar todo esse contexto e não apenas apostar nos iogurtes — “os quais devem ser consumidos sem exageros e de acordo com um plano de alimentação saudável”.

Hábitos que ajudam a regular o trânsito intestinal:

Manter o organismo hidratado, nomeadamente bebendo água logo de manhã, em jejum;

Ter uma alimentação saudável e variada, rica em frutas, vegetais e leguminosas;

Incluir na dieta um iogurte equilibrado, com baixo teor de gordura e açúcar;

Mastigar bem os alimentos de forma a facilitar a digestão;

Praticar exercício físico;

Evitar o consumo de álcool e/ou tabaco;

Manter uma rotina de sono e dormir pelo menos 7 horas por dia.

 

Colaboração:
Diana e Silva, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Porto

Especialidades em foco neste artigo:
Nutrição Clínica