Intolerância alimentar: identifique os sintomas

Um quarto da população portuguesa apresenta intolerâncias alimentares, mas nem sempre consegue identificar o alimento em questão. Novos meios de diagnóstico ajudam médicos e pacientes a garantir uma melhor qualidade de vida. Saiba como.

​​​​​​​​A prevalência da intolerância alimentar a nível mundial é de cerca de 20 a 35%, embora possa variar de país para país.

A prevalência da intolerância alimentar a nível mundial é de cerca de 20 a 35%, embora possa variar de país para país. Esta hipersensibilidade é provocada pela inexistência da enzima necessária para digerir determinado alimento, o que causa perturbações gastrointestinais, gases, náuseas ou diarreias. Uma vez que as manifestações clínicas são variadas e apresentam-se sem gravidade, o diagnóstico torna-se difícil e demorado.

1. A diferença entre intolerância e alergia alimentar

“As alergias alimentares são reações alimentares adversas mediadas pelo sistema imunitário, por diversos anticorpos”, explica Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa. Estas alergias ocorrem quando há exposição a um determinado alimento, mas deixam de manifestar-se assim que este é evitado.

Por outro lado, as intolerâncias alimentares “são reações adversas, reprodutíveis, aos alimentos que não envolvem o sistema imunitário e podem resultar, por exemplo, de défice de enzimas, como o caso da intolerância à lactose causada pelo défice da enzima lactase”, continua.

2. Identificar os sintomas da intolerância alimentar

Uma intolerância alimentar pode manifestar-se através de:

  • Perturbações gastrointestinais

Dores ou cólicas abdominais; flatulência; obstipação; diarreia; cólon irritável; aftas; acidez;

  • Processos dermatológicos

Acne; eczema; psoríase; urticária e prurido;

  • Transtornos psicológicos

Ansiedade e hiperatividade;

  • Perturbações respiratórias

Asma, rinite e insuficiência respiratória;

São ainda conhecidos outros sintomas, como a retenção de líquidos e obesidade.

3. Os alergénios alimentares mais comuns:

 Leite de vaca;
Ovos;
Amendoins e frutos de casca rija;
Soja;
Peixe e Marisco.

4. As intolerâncias alimentares surgem na infância ou na idade adulta?

As alergias alimentares são mais frequentes em crianças. Pensa-se que pelo menos 5 em cada 100 crianças sofram de alergia alimentar, e que nos adultos a prevalência seja mais baixa, entre 3 a 4%. Contudo, a intolerância alimentar a produtos como leite, desenvolve-se com a idade, sendo no entanto raro para outros alimentos, como o caso do amendoim.

5. O caso da lactose

De acordo com as indicações da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa, grande parte da população mundial apresenta má absorção de lactose, um açúcar naturalmente presente no leite. No entanto, a maioria é assintomática, sendo por isso difícil precisar a prevalência. É mais frequente na idade adulta, estimando-se que 70% da população tenha uma capacidade reduzida de digerir a lactose após a infância. A sintomatologia inclui essencialmente dor ou desconforto abdominal, flatulência e diarreia. Estes sintomas surgem após 30 minutos a 2 horas após a ingestão de produtos que contenham lactose, desaparecendo 3 a 6 horas mais tarde.

6. Tenho de deixar de consumir os alimentos aos quais sou intolerante?

Há diversos graus de intolerância. Assim, pode ter que optar por fazer pausas no seu consumo, que podem ir de uma semana a três meses.

 

Especialidades em foco neste artigo:
Nutrição Clínica