A importância do rastreio do cancro da próstata

A Medicina tem avançado nesta área e já é possível fazer um diagnóstico precoce das doenças da próstata, que minimiza riscos e salva vidas.

Fazer o rastreio do cancro da próstata pode fazer toda a diferença

Quando se fala de saúde masculina, é importante esclarecer algumas dúvidas sobre as doenças da próstata mais comuns, respetivos sinais de alarme e a importância do rastreio do cancro da próstata para que estas doenças não evoluam para situações mais graves. Nesse sentido, o urologista António Matos Pereira, do Hospital Lusíadas Lisboa e da Clínica Lusíadas Parque das Nações, aceitou o convite da CMTV para uma entrevista sobre o tema. Abaixo, reunimos aquilo que deve saber sobre a Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP) e sobre o cancro da próstata, desde o rastreio ao diagnóstico e tratamento.

Aumento do volume da próstata (hipertrofia benigna da próstata – HBP)

Ocorre com frequência a partir de uma certa idade e traz consigo algumas queixas.

  • Queixas

1. Urinar com mais frequência;

2. Sentir que não se consegue esvaziar a bexiga ou deixar de conseguir urinar.

  • Tratamento

Pode ser feito de duas formas: através de terapêutica médica ou de cirurgia.
“Há fármacos cada vez mais eficazes que têm conseguido atrasar significativamente a cirurgia. Quando, de facto, só conseguimos corrigir este aumento da próstata com cirurgia, existem várias técnicas possíveis: a cirurgia clássica, aberta, para próstatas de grande volume; a recessão transuretral, que é fechada e permite uma recuperação mais rápida; e, por fim, os lasers prostáticos que minimizam as perdas de sangue e são eficazes em algumas situações”, explica Matos Pereira.

  • Mitos associados à cirurgia  

É importante desmistificar a ideia de que uma cirurgia a uma hipertrofia benigna da próstata tem como consequência a alteração do desempenho sexual. “Isso é um mito. As alterações da ereção e da atividade sexual não são relevantes após a cirurgia a uma HBP. O que acontece – e é importante referi-lo aos doentes -, é que passa a haver uma ejaculação retrógrada, ou seja, deixa de haver ejaculação. Os homens continuam a ter ereção, continuam a ter prazer e orgasmo, mas deixam de ejacular. Quando são jovens e querem ter filhos podemos optar por uma cirurgia menos alargada, de forma a tentar não afetar a ejaculação, mas nos homens com mais idade é o que acontece”, esclarece o urologista.

A importância do rastreio do cancro da próstata

Em Portugal surgem 4000 novos casos por ano e, apesar de ser o tumor mais frequente, se for diagnosticado e tratado numa fase inicial tem grandes probabilidades de cura na maior parte dos casos. O cancro da próstata mais comum é o adenocarcinoma.

  • Sintomas

O cancro da próstata costuma ser assintomático durante bastante tempo, como explica Matos Pereira: “Ao ter lugar numa zona periférica, não traz quaisquer sintomas até uma fase muito avançada, além disso aumenta exponencialmente com a idade.”

  • Rastreio do cancro da próstata

“Existem métodos de diagnóstico precoce muito rigorosos, pelo que é essencial que, a partir dos 45 anos, todos os homens façam uma consulta de rotina anual se não houver história familiar de cancro da próstata. Se houver, é importante começar uma vigilância mais cedo, por volta dos 40 anos.” Um dos exames de rastreio é o toque retal que, na maior parte das vezes, é indolor: “Quer o toque retal quer a ecografia prostática não são agressivos. As sondas transretais são delicadas e quanto mais descontraídos os pacientes estiverem mais fácil e rápido é o exame”, salienta o médico.

Uma abordagem inicial para despiste de cancro da próstata é uma análise ao sangue para medir o nível da proteína PSA (Antigénio Específico da Próstata) que é produzida pela próstata e se encontra elevado em caso de doença prostática. Tal pode indicar a necessidade de mais estudos para confirmação ou não do diagnóstico de cancro da próstata.

  • Tratamentos

A cirurgia é um dos tratamentos disponíveis para o cancro da próstata. Na fase inicial do pós-operatório de um tumor da próstata há perdas mais ou menos intensas de urina e, em termos de ato sexual, verifica-se, de facto, uma ausência quer da ejaculação quer da própria ereção. “Nesses casos, sim, existe incontinência e impotência. E é aí que ganham importância terapêuticas como a braquiterapia (radioterapia localizada), que muitas vezes tem resultados sobreponíveis aos da cirurgia com a enorme vantagem de manter o ato sexual com qualidade e um grau de continência sem grandes alterações.”

O rastreio do cancro da próstata pode salvar vidas

Matos Pereira volta a salientar a importância do diagnóstico precoce: “Claro que depende do tipo de cancro. Mas a maior parte deles, bem ou moderadamente diferenciados, quando descobertos numa fase inicial, têm uma probabilidade elevadíssima de cura, seja através de cirurgia ou de radioterapia externa ou interna. É isto que é preciso reter. A vigilância salva vidas.”

Especialidades em foco neste artigo:
Urologia