IMC: o que é?

Uma das siglas mais reconhecidas quando o tema é peso e nutrição, o IMC (Índice de Massa Corporal) é usado internacionalmente para relacionar peso e altura, num indicador prático para detetar casos de obesidade ou magreza excessiva. Luísa Guimarães, médica e nutricionista do Hospital Lusíadas Porto, explica como deve interpretar os resultados deste Índice.

IMC: o que é e como calcular

O IMC é um indicador usado praticamente em todo o mundo como forma de identificar, rapidamente, situações de défice, excesso de peso ou obesidade. Trata-se de uma medida simples, resultado de uma fórmula que relaciona o peso e a altura de uma pessoa. Segundo Luísa Guimarães, especialista em Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Porto, o IMC “é, talvez, a forma mais fácil e prática de avaliar o grau de excesso de peso”.

A partir de valores de referência é possível usar o IMC como ferramenta para avaliar a sua própria saúde e identificar possíveis riscos. “Apesar de não existir um peso ideal, o IMC pode ser uma ferramenta de ajuda fácil para consciencializar a pessoa da sua divergência em função da escala de peso”, explica a médica, sublinhando que este é o “primeiro passo para determinar a atitude a tomar em função do seu grau de IMC, de excesso de peso ou obesidade”.

A história do IMC remonta ao século XIX, quando a sua fórmula de cálculo foi apresentada pela primeira vez. O autor foi Lambert Adolphe Quételet, um astrónomo, sociológico e matemático belga.

Como se calcula o IMC?

O IMC é fácil de calcular, a partir de uma fórmula simples que relaciona peso e altura:

Peso (Kg) / Altura (m)2

No caso, por exemplo, de uma pessoa que pesa 73 quilos e mede 1,70 metros, o cálculo do IMC deve ser feito da seguinte forma:

Comece por calcular o quadrado da sua altura em metros.Ou seja, 1,70 x 1,70 = 2,89
Divida o seu peso em quilogramas pelo valor calculado: 73 ÷ 2,89 = 25,26
O seu IMC é de 25,26.

No entanto, um valor isolado de IMC é insuficiente para perceber se está com um peso adequado à sua altura. Deverá compará-lo com as tabelas de referência da Organização Mundial de Saúde (OMS), que dividem os diferentes valores de IMC por escalão, associando-os a uma classificação (Baixo Peso, Peso Normal, Excesso de Peso e Obesidade). Só assim conseguirá identificar se está com um peso adequado à sua altura.

Um IMC de 25,26 (como no exemplo acima) é indicador de excesso de peso.

Valores de referência do IMC

Segundo os valores de referência da OMS, considera-se que existe excesso de peso a partir de um IMC de 25. Se o valor obtido for igual ou superior a 30, a pessoa tem obesidade.

Para saber qual a classificação associada ao seu IMC, consulte a tabela abaixo.

IMC: o que é e como calcular?

Tenha em atenção que estes valores de referência são para adultos (homens ou mulheres), com idade superior a 20 anos e inferior a 65 anos. Para diagnosticar o excesso de peso nas crianças, existem tabelas específicas da Direção-Geral de Saúde (a partir dos valores da OMS), com a classificação do percentil de IMC, em função do género e da idade.

Como interpretar cada escalão de IMC?

Agora que já calculou o seu IMC e sabe em que escalão da tabela se encontra,descubra como interpretar cada um destes patamares.

  • Baixo peso (IMC inferior a 18,5)

Estes valores ocorrem, normalmente, em pessoas doentes, com transtornos de comportamento alimentar, como a anorexia, ou em pessoas idosas. “Nestes casos, é necessária uma intervenção muito atenta, não só para acompanhar o aumento de peso, mas sobretudo para reposição de carências nutricionais normalmente existentes”, adianta Luísa Guimarães. Deverá, nesse sentido, consultar um especialista.

  • Peso normal (IMC entre 18,5 e 24,9)

Este escalão está “associado ao peso ideal, a uma maior longevidade, menor incidência de doenças e a uma apresentação estética mais atraente”, explica a médica do Hospital Lusíadas Porto. Por isso, estes são os valores de IMC mais recomendados para uma vida saudável.

  • Excesso de peso e obesidade (IMC a partir de 25)

Estes valores indicam que está com um peso acima do ideal. Deverá consultar um especialista para que corrija este desvio de forma progressiva, para um objetivo de peso pretendido, com orientações adequadas ao seu caso. Como reforça Luísa Guimarães, o “excesso de peso e a obesidade são considerados uma doença crónica, com aumento progressivo da prevalência em adultos, adolescentes e mesmo crianças, de forma epidémica”.

O excesso de peso e a obesidade têm “repercussões graves a nível da saúde e que podem ser evitáveis”, destaca ainda a especialista, acrescentando que estes casos estão ainda associados a uma diminuição da esperança média de vida.

Quais são as consequências da obesidade para a saúde?

Um IMC superior a 25 – ou seja, excesso de peso ou obesidade – está associado ao desenvolvimento de diversas doenças, nomeadamente:
Diabetes;
Dislipidemia – termo que designa as anomalias quantitativas ou qualitativas dos lípidos (gordura) no sangue,como o aumento do colesterol, que é um fator de risco cardiovascular;
Doenças cardiovasculares, como enfarte agudo do miocárdio ou hipertensão arterial;
Doenças respiratórias, como dispneia e apneia do sono;
Doenças osteoarticulares, como lombalgias, dor articular, limitação de mobilidade ou quedas;
Patologias psíquicas, como depressão, ansiedade, alteração do comportamento alimentar e diminuição de autoestima.

Limitações 

Apesar de ser um indicador prático e frequentemente usado, o IMC não deve ser considerado como ferramenta única para o diagnóstico de défice ou excesso de peso. “Sendo este índice uma relação entre peso e altura, acaba por não diferenciar o tipo de massa”, pormenoriza Luísa Guimarães. Ou seja, é um índice “cego” à constituição corporal, podendo, por exemplo, sobrestimar o excesso de peso em pessoas musculadas.

Além disso, o IMC também não tem em conta o género ou a idade específica da pessoa avaliada. Nesse sentido, o mesmo IMC para um homem e para uma mulher pode “esconder” diferenças ao nível da gordura corporal (já que as mulheres têm tendencialmente maior gordura corporal do que os homens, para um mesmo IMC).

Este indicador também não consegue precisar onde é que a gordura está acumulada no corpo. Esta é uma análise relevante, dado que a gordura na zona do abdómen é mais perigosa do que gordura acumulada noutras áreas.

Por estes motivos, o IMC acaba por não ser uma medida precisa de gordura corporal ou do nível de saúde. Para uma avaliação mais confiável deverão ser usados métodos complementares de exame.

Outros métodos de diagnóstico

Dadas as limitações do IMC, o exame físico deve ser complementado com estes métodos:

  • Bioimpedância

Permite a avaliação da composição corporal, “através da passagem pelo corpo de uma onda eletromagnética, o que possibilita uma análise da percentagem de massa gorda, massa magra e água”, esclarece Luísa Guimarães. Este método complementar serve para distinguir, por exemplo, se um valor mais elevado de IMC é sinal de excesso de massa gorda (que constitui um risco para a saúde) ou, pelo contrário, se é reflexo de excesso de massa magra (comum nos atletas profissionais e culturistas).

  • Medição do perímetro abdominal

Trata-se da mediçãoda cintura com uma simples fita métrica,quepermite avaliar a existência de gordura visceral e central (na zona abdominal). Segundo a especialista em Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Porto, esta é “uma medida muito importante e complementar ao IMC, sobretudo para as pessoas com valores de IMC entre 25 e 30, pois está diretamente relacionada com a existência de gordura visceral,indicando um risco de saúde acrescido, com maior tendência adoenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, dislipidemia e esteatose não alcoólica”.

Tenha em atenção os valores de referência para o seu perímetro abdominal:
Para as mulheres: o perímetro abdominal deve ser inferior a 88 cm.
Para os homens: o perímetro abdominal deve ser inferior a 102 cm.

Sabia que…

Existem 4,5 milhões de pessoas com excesso de peso ou obesidade em Portugal? O excesso de peso é mais prevalente nos homens, enquanto a obesidade afeta mais as mulheres.

A obesidade é uma doença que pode ser evitada se a pessoa estiver consciente das suas consequências para a saúde e para a esperança de vida e tiver força de vontade para a controlar.
Colaboração:
Luísa Guimarães, clínica geral, licenciada em Nutrição e especialista em Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Porto e da Clínica Lusíadas Gaia

Especialidades em foco neste artigo:
Clínica Geral
Nutrição Clínica