Gravidez no verão

O verão altera alguns parâmetros do metabolismo e, por ser, normalmente, tempo de férias, interfere com a rotina da grávida, que deve cuidar da sua saúde e a do bebé em plena época estival.

Grávida no verão: cuidados a ter

Nos meses mais quentes do ano mudam-se os hábitos alimentares, as rotinas diárias e vive-se temporariamente em locais com condições por vezes muito diferentes das habituais. Paula Ramôa, ginecologista e obstetra do Hospital Lusíadas Porto, explica quais as principais complicações que surgem nesta época para quem está grávida no verão e como as evitar.

  • Desidratação

Em dias quentes ou com níveis de humidade muito baixos o consumo de líquidos deve ser abundante. Sobretudo naqueles com temperaturas acima da corporal, deve-se ter especial atenção a fim de se evitar a desidratação, quadro que também pode, assim como a hipertermia ou hipotermia, levar facilmente ao colapso do organismo.

  • Doenças gastrointestinais

O tempo quente é um fator de risco para as gastroenterites provocadas por alimentos deteriorados e que causam a inflamação do estômago. Representam uma das queixas mais frequentes por parte de quem está grávida no verão. Podem ser provocadas por vírus, bactérias e parasitas.

Sintomas

Náuseas;
Vómitos;
Diarreia;
Desidratação;
Cólicas;
Febre.

Os sintomas têm normalmente início entre 12 a 72 horas depois de se contrair o agente infeccioso. Quando tem origem viral, a doença desaparece normalmente ao fim de uma semana. Alguns agentes virais podem estar na origem de sintomas como fadiga, dores de cabeça e dores musculares. No caso de as fezes conterem sangue, é pouco provável que a causa seja viral, nesse caso a maior probabilidade é ser bacteriana. Algumas infeções bacterianas podem persistir por várias semanas.

Causas

Ingestão de água contaminada;
Ingestão de alimentos adulterados;
Contacto com indivíduos infetados.

Prevenção

 Lavar frequentemente as mãos;
 Evitar alimentos crus mal lavados ou mal cozidos (ovos, legumes, frutas, peixes, carnes de aves, palmitos);
 Consumir apenas leite e queijos pasteurizados;
Controlar pragas urbanas, especialmente ratos, baratas e formigas, uma vez que frequentam esgotos e podem veicular mecanicamente serotipos de Salmonella (gastroenterite bacteriana) para os alimentos;
 Beber água engarrafada sempre que se encontre em viagem ou em locais onde as condições de águas e saneamento sejam desconhecida;
Evitar  alimentos com maior risco de contaminação, como carnes, produtos lácteos, ovos e molhos devem sempre mantidos em temperaturas baixas e ser consumidos dentro do prazo de validade.

Tratamento

Se for causada por vírus, a gastroenterite pode passar sozinha e o tratamento serve apenas para amenizar sintomas e repor a perda de líquidos. O mesmo acontece em alguns tipos de bactérias. Dependendo do tipo de bactéria, pode ser necessário tomar antibióticos. Em caso de desidratação em grau moderado a grave também pode ser necessário repor líquidos no organismo por via intravenosa.

Grávida no verão: cuidados a ter nas férias

Evitar o sol nas horas de maior calor;
Não frequentar piscinas públicas;
Tomar banhos de mar e caminhar na borda da água para promover o retorno venoso e a drenagem linfática.

Colaboração:
Paula Ramôa, ginecologista e obstetra do Hospital Lusíadas Porto

Especialidades em foco neste artigo:
Ginecologia e Obstetrícia