Como evitar o défice de vitamina D

Indispensável para manter os ossos fortes, a vitamina D é também um importante aliado do sistema imunitário, explica Helena Canhão, reumatologista do Hospital Lusíadas Lisboa.

Como evitar o défice de vitamina D

O que é

A vitamina D é diferente de todos os outros nutrientes. “Na realidade, não se trata exatamente de uma vitamina, mas sim de uma hormona lipossolúvel”, que tem como função principal favorecer a absorção de cálcio e o metabolismo ósseo, explica Helena Canhão, reumatologista do Hospital Lusíadas Lisboa.

Para que serve?

O organismo humano necessita de um equilíbrio químico permanente para o seu funcionamento e o cálcio é um mineral fundamental. Garantir uma atividade como a contração de um músculo — incluindo o músculo cardíaco! — exige, por exemplo, que existam 9 a 11 mg de cálcio por cada decilitro de sangue em permanente circulação.

Nesse contexto, a vitamina D assume um papel regulador, sendo essencial para aquilo a que os médicos chamam a homeostase do cálcio,ou seja, a manutenção desse tal equilíbrio metabólico, importante também para atransmissão de impulsos nervosos, a coagulação sanguínea e outros processos enzimáticos ao nível das células.

É a vitamina D que permite a absorção de cálcio no intestino e que contribui para o seu armazenamento nos ossos, estimulando as células que sintetizam o tecido ósseo (osteoblastos). Também estimula a absorção de fósforo e de magnésio e regula a ação das hormonas paratormona (que promove a reabsorção óssea) e calcitonina (de efeito contrário).

Fontes de vitamina D

A vitamina D pode ser obtida através da alimentação, mas é sobretudo sintetizada através da pele. As peles escuras podem ter mais dificuldade em sintetizar a vitamina D mas, em média, a exposição a raios ultravioleta de intensidade quatro a cinco, por um período de 15 minutos ou mais, permite a ativação da provitamina presente na pele.Também existem alimentos ricos em vitamina D:
Óleo de fígado de bacalhau;
Peixes gordos;
Leite e derivados;
Iscas de fígado;
Cogumelos e leveduras.

Défice de vitamina D

A vitamina D é fundamental para garantir o aporte de cálcio e fósforo necessários a uma boa mineralização dos ossos. “Quando há falta de cálcio, surgem as deformações que conhecemos como raquitismo (nas crianças) ou osteomalacia (nos adultos)”, explica Helena Canhão. “Além disso, também sabemos que o cálcio está implicado nas funções celulares, favorecendo nomeadamente as células do sistema imunitário”, acrescenta a especialista.
Mesmo que por vezes a relação causa-efeito não esteja ainda totalmente identificada, vários estudos têm demonstrado existir uma relação entre a carência de vitamina D e diversas doenças, nomeadamente patologia cardiovascular, inflamatória, neoplásica (cancro), respiratória, ginecológica e neurológica, entre outras. Por regra, a carência é assintomática mas quando o défice de vitamina D é acentuado podem surgir alguns sintomas:
Fadiga, cansaço;
Sensação de fraqueza;
Sudorese excessiva;
Dores nos ossos;
Malformações ósseas.

Fatores de risco de défice de vitamina D

Idade ou gravidez (crianças e grávidas precisam de maior quantidade de vitamina D);
Medicação (nomeadamente a toma de corticoides);
— Passar muito tempo em ambientes fechados (idosos institucionalizados, por exemplo);
Pele escura;
Excesso de peso ou obesidade;
Viver em locais que estão longe do equador.

Tratamento

Existe consenso à volta dos números: o valor de vitamina D considerado normal é aquele que se situa acima dos 20/30 ng/ml de sangue. No entanto, recomenda-se alguma cautela na interpretação dos valores. “Há um método padrão, manual, mas que geralmente não é adaptado na prática clínica por ser demasiado caro. E depois existem máquinas diferentes, de empresas diferentes, que a partir da mesma colheita podem revelar resultados diversos”, alerta a reumatologista.
Foi o que aconteceu com uma amostra de 10 mil pessoas e 3000 unidades de sangue, partilhada por diferentes equipas de investigação. “Coimbra concluiu que 65% das pessoas tinha défice de vitamina D e a nós deu um resultado inferior a 40% porque os métodos de doseamento utilizados foram diferentes”, explica. “O tratamento deve ser individualizado. Não havendo fatores de risco, a análise por si só não justifica a suplementação. Até porque estamos a falar de uma vitamina lipossolúvel, ou seja, cujo excesso não é expelido pelo organismo”, alerta. A margem de erro é elevada mas, acima dos 100 ng/ml, a vitamina D pode mesmo ter um efeito tóxico.

Colaboração:
Helena Canhão, reumatologista do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Reumatologia