Escoliose: o que é e qual o tratamento

É um problema que afeta 2 a 4% da população e que é muitas vezes detetado na adolescência. As mochilas pesadas e a má postura não provocam escoliose mas podem fazer surgir as dores, alerta Nelson Carvalho, ortopedista do Hospital Lusíadas Lisboa.

Escoliose: o que é e qual o tratamento?

O que é a escoliose?

A escoliose caracteriza-se por uma torção da coluna, ou seja, por uma inclinação lateral da espinha dorsal, com rotação das vértebras. É este movimento em espiral que distingue a doença da simples atitude escoliótica, cingida à inclinação do tronco para um dos lados, explica o ortopedista Nelson Carvalho, do Hospital Lusíadas Lisboa. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a escoliose afeta 2 a 4% da população em todo o mundo.

Causas e fatores de risco

“A escoliose mais prevalente é a idiopática que, como o próprio nome indica, tem causa desconhecida. Corresponde a 80% de todas as escolioses, sendo as restantes de causa degenerativa, neuromuscular, congénita, alterações do tecido conjuntivo e outras”, explica Nelson Carvalho.

  • Escoliose idiopática

Apesar de haver muito ainda por explicar sobre a origem da escoliose idiopática, sabe-se que “há um determinismo genético, verificando-se uma maior incidência da doença em determinadas famílias”, e também que as mulheres são mais vulneráveis — “em cada 10 casos, oito são do género feminino”, acrescenta o ortopedista.
A escoliose idiopática do adolescente é a mais frequente, mas Nelson Carvalho alerta para a importância de distinguir causas da doença e fatores de risco para o surgimento de dor. “Esta deformidade da coluna não tem como causa as mochilas, as atividades desportivas com carga ou impacto da coluna, quedas ou atividades da vida diária ou desportiva que desenvolvam mais um lado do que o outro, ou ainda com más posturas. Contudo, todos estes fatores podem contribuir para o aparecimento de dor, por exercerem um impacto direto numa coluna ‘torta’, estando indicado nestes casos a realização de fisioterapia”, explica o ortopedista.

  • Escoliose degenerativa

A escoliose degenerativa surge tipicamente depois dos 50 anos, em adultos que não tinham escoliose prévia ou ainda, segundo o ortopedista, como resultado do agravamento de escolioses da adolescência que pioraram pelo desgaste dos discos e articulações da coluna. “Habitualmente são causa de dor lombar e associam-se com frequência a quadros neurológicos com ciatalgia (dor ciática) e dificuldade na marcha por compressão dos nervos (compressão foraminal, com estreitamento do espaço onde saem as raízes nervosas da coluna para o resto do corpo, ou dos canais estreitos lombares, comprometendo de igual forma a medula e/ou as raízes nervosas)”, explica Nelson Carvalho.

Sintomas e diagnóstico

São habitualmente considerados sinais de alerta de escoliose:

Assimetria dos ombros e/ou ancas;
Tronco inclinado para um dos lados, com um desvio da coluna vertebral em forma de “S”;
Omoplata proeminente;
Assimetria dos flancos.

 No entanto, para que se confirme o diagnóstico de doença, é necessário que se verifique a torção da coluna sobre si própria. 

“O diagnóstico clínico da escoliose faz-se pela observação, colocando-se o médico atrás da pessoa no momento em que esta faz a flexão do tronco para diante, de forma a verificar a existência de um ‘alto nas costas’ assimétrico e que corresponde à gibosidade [a que vulgarmente se chama corcunda] provocada pela rotação da coluna”, explica o ortopedista. 

Tratamento

A opção de tratamento da escoliose, nomeadamente durante a infância e juventude, é determinada pelo grau de curvatura da espinha dorsal, estabelecido pela medição do ângulo de Cobb nas radiografias (raio X extralongo da coluna), de acordo com os critérios internacionalmente consensuais, definidos pela Scoliosis Research Society.

  • Curva inferior a 25º

Opta-se pela vigilância durante o crescimento. “A prática da atividade física é recomendada, não com a intenção de corrigir a escoliose mas para haver uma maior flexibilidade e suporte muscular da coluna”, explica Nelson Carvalho.

  • Curva entre os 25º e os 40º

Equaciona-se o uso de um colete rígido. Nos casos de escoliose juvenil (dos 4 aos 10 anos) ou escoliose do adolescente, recomenda-se a utilização diária do colete na fase de maior crescimento, com o objetivo de travar o agravamento da deformidade.

  • Curva superior a 40º/45º

“Está indicada a cirurgia, porque são curvas que vão continuar a agravar no adulto tornando-se dolorosas e incapacitantes para a qualidade de vida”, explica o médico. A cirurgia é atualmente um procedimento seguro, com uma recuperação de três semanas, e que permite a correção definitiva da deformidade.

No caso da escoliose degenerativa, a opção de tratamento está dependente da observação clínica e imagiológica de cada caso, podendo passar por medicação, fisioterapia, o uso de coletes ou por cirurgia. 

 

 

Prevenção

Não se corrige a escoliose, mas manter uma boa postura ajuda a evitar dores, seja a curvatura da coluna mais ou menos acentuada. São geralmente recomendados alguns cuidados, nomeadamente:

Se passa grandes períodos de tempo sentado, mantenha a coluna na vertical, bem alinhada, de forma a não promover a tensão dos músculos cervicais e lombares;
Quando tiver de transportar objetos pesados, garanta que distribui uniformemente o peso entre os dois ombros e braços;
Procure o acompanhamento de um profissional qualificado durante a prática de exercício físico.

Colaboração:
Nelson Carvalho, ortopedista do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Ortopedia