Escarlatina: o que é?

É contagiosa e uma das doenças mais comuns em idade escolar. João Rosa, coordenador da Pediatria das Unidades Lusíadas no Algarve, explica o que é a escarlatina e por que motivo se pode contrair a doença mais do que uma vez.

O que é a escarlatina?

O que é

A escarlatina é uma infeção causada pela bactéria Estreptococo beta hemolítico do grupo A, também conhecida por Streptococcus pyogenes. Começa geralmente por uma amigdalite ou faringite, por ser “na garganta que a bactéria se fixa, uma vez que é aí que encontra condições ótimas para o seu desenvolvimento”, explica João Rosa, coordenador da Pediatria das Unidades Lusíadas no Algarve. Só em casos raros surgem infeções causadas pela bactéria noutros locais do corpo, como a pele.

Sintomas

Depois de um período de incubação de um a quatro dias, “a doença manifesta-se geralmente de forma abrupta, com início súbito de febre associada a dor de garganta, dor de cabeça, arrepios, mal-estar geral com dores musculares, dores de cabeça, por vezes náuseas e vómitos”, explica o especialista. “A erupção cutânea surge geralmente 12 a 48 horas após o início da febre e aparece primeiro no pescoço estendendo-se depois ao tronco e membros”, acrescenta. As manchas vermelhas, muitas vezes também visíveis na língua, devem-se à dilatação dos vasos sanguíneos da pele, provocada por uma toxina produzida pelo Estreptococo.

Grupos de risco

Durante o primeiro ano de vida, os bebés estão geralmente protegidos pela presença de anticorpos maternos contra a toxina produzida pelo Estreptococo. Depois, as crianças são o grupo de maior risco — “não só pela ausência de anticorpos próprios, como pelas condições mais propícias ao contágio, como a frequência do infantário ou escola” — até atingirem os dez anos. Nessa altura, “cerca de 80% das crianças já desenvolveram anticorpos contra as diversas toxinas causadoras da escarlatina, tornando a doença mais rara a partir daí”, explica o especialista.

Contágio

O inverno é uma altura de maior risco, por serem muito frequentes as infeções respiratórias virais e também pelo facto de as crianças passarem nessa época grandes períodos em espaços fechados e pouco arejados. Tudo isso facilita o contágio, que se faz pela transmissão de gotículas respiratórias com a bactéria, provenientes de pessoas com a doença ou de portadores sãos.

Diagnóstico

É possível diagnosticar amigdalite ou faringite, antes do aparecimento das lesões cutâneas, mas a escarlatina só pode ser confirmada depois do aparecimento das famosas manchas vermelhas na pele. Nem todos os Estreptococos produzem a toxina eritrogénica e é preciso ter em conta que “só cerca de 10% das amigdalites ou faringites têm a escarlatina como complicação”, sublinha João Rosa.

Tratamento

O tratamento da escarlatina é obrigatoriamente feito com recurso a antibiótico (penicilina ou um derivado). “Antes do aparecimento dos antibióticos, a escarlatina era com frequência uma doença grave, com uma taxa de complicações bastante elevada”, lembra o pediatra do Hospital Lusíadas Albufeira e da Clínica Lusíadas Forum Algarve. João Rosa alerta ainda para o facto de a doença poder recorrer. Existem vários tipos de toxina eritrogénica e só “quando a criança contacta e adquire imunidade contra os diversos tipos de toxina” se pode garantir que não voltará a contrair escarlatina.

Colaboração:
João Rosa, coordenador da Pediatria das Unidades Lusíadas no Algarve e pediatra do Hospital Lusíadas Albufeira e da Clínica Lusíadas Forum Algarve

Especialidade em foco neste artigo:
Pediatria