Drenagem linfática: factos e mitos

A drenagem linfática dá mesmo resultado? É dolorosa? Requer a utilização de óleos? Ana Barata Feio, dermatologista da Clínica de Stº António e do Hospital Lusíadas Lisboa, esclarece as dúvidas mais frequentes sobre um dos tipos de tratamento mais comuns contra a celulite.

Drenagem linfática: os factos e mitos

A celulite – alteração na gordura cutânea com efeito casca de laranja na pele suprajacente – afeta 95% das mulheres após a puberdade. “É um fenómeno degenerativo não inflamatório que altera a hipoderme, produzindo ondulações na pele”, explica a dermatologista Ana Barata Feio, da Clínica de Stº António e do Hospital Lusíadas Lisboa. Estas alterações ocorrem no tecido adiposo na sequência de “perturbações circulatórias linfáticas e venosas”.
Ainda que não se conheçam exatamente as causas do problema sabe-se que os principais fatores de risco para a celulite dizem respeito a alterações hormonais, desequilíbrios alimentares, consumo de refrigerantes, stresse, sedentarismo e tabagismo. A utilização de roupa apertada, assim como a herança genética também podem potenciar o problema.
Um dos tratamentos mais comuns para a celulite, que tal como todos os outros tratamentos deve ser conciliado com um estilo de vida saudável (comer bem e praticar exercício físico), é a massagem. “A massagem relaxa o corpo e aumenta a sua temperatura pela estimulação da microcirculação, o que beneficia a troca de nutrientes intercelular”, explica a dermatologista.
O método mais utilizado nas massagens é a drenagem linfática. “É um tratamento físico complementar para a celulite, que reduz a estase [estagnação] do fluido linfático e as substâncias tóxicas nos tecidos”. Com a ajuda da dermatologista Ana Barata Feio, aprenda a distinguir os factos dos mitos associados a este tipo de tratamento:

1. A drenagem linfática tem uma base científica.

Facto. Trata-se de um método que assenta em bases científicas e que combina forças de pressão e descompressão no sistema linfático para melhorar o seu fluxo, explica a dermatologista. “Ciclos periódicos de drenagem linfática manual mantêm os tecidos livres de congestão linfática”, acrescenta a médica.

2. Só se deve fazer drenagem linfática a partir dos 18 anos

Quase facto. “A drenagem linfática manual pode ser feita a partir da adolescência, mas cada caso deve ser ponderado dependendo da condição física de cada um”, diz a especialista, sublinhando a necessidade de aconselhamento e de supervisão médica ao longo do tratamento.

3. A massagem não deve ser violenta.

Facto. Para ser benéfica e evitar a congestão linfática, deve ser usada uma técnica de massagem suave. “Não deve ser traumatizante para permitir a revascularização, a estimulação e purificação dos tecidos”, afirma Ana Barata Feio. A drenagem linfática não é dolorosa, nem causa vermelhidão cutânea.

4. A drenagem linfática diminui a celulite.

Facto.Se os tratamentos forem feitos com periodicidade mensal ou bimensal, a drenagem tem “resultados aceitáveis”, diz Ana Barata Feio. Mas atenção: “Quer a massagem manual quer a drenagem linfática manual devem ser realizadas por terapeutas idóneos no âmbito da fisioterapia e da massagem estética e/ou desportiva.”

5. Para ser eficaz, a drenagem linfática necessita de óleos.

Mito. Para estimular a microcirculação, reduzindo o edema e a nutrição celular, os terapeutas utilizam exclusivamente as mãos. “Não é preciso usar cremes ou óleos”, afirma a médica.

 

Colaboração:
Ana Barata Feio, dermatologista da Clínica de Stº António e do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidade em foco neste artigo:
Dermatologia