Sinus pilonidalis: o que é e que tratamentos existem

O sinus pilonidalis constitui um problema de saúde muito frequente que afeta maioritariamente os adultos jovens. Atualmente, existe no Hospital Lusíadas Lisboa uma técnica inovadora para o seu tratamento. Carmen Maillo, cirurgiã geral do Hospital Lusíadas Lisboa, explica o que é a patologia e este tratamento inovador.

Sinus pilonidalis: qual o tratamento para o quisto pilonidal

O que é?

O sinus pilonidalis é uma patologia muito frequente, cujo nome vem do latim “pilus”, que significa pelo, e de “nido”, que significa ninho. Representa um sinus (seio), ou quisto, com pelos localizado na região sacrococcígea (no início do sulco interglúteo).

Durante muito tempo pensou-se que o sinus pilonidalis se tratava de uma doença congénita, mas hoje acredita-se que se trata de uma patologia adquirida. Surge como reação a um corpo estranho aos pelos na linha média interglútea. Esta reação inflamatória produz, com frequência, um abcesso que é a causa da dor local, eritema (rubor cutâneo) e inclusive febre. Em muitas ocasiões, este abcesso necessita de ser drenado através de uma incisão na pele.

Uma condição imprescindível para a presença do sinus pilonidalis são os pequenos orifícios na pele que aparecem na linha média interglútea e que são a origem dos trajetos fistulosos, ou seja, de pequenos “túneis” que comunicam um foco patológico com um órgão ou estrutura.

Outras designações da doença

O sinus pilonidalis também é designado por sinus pilonidais, sinus pilonidal sacrococcígeo, quisto pilonidal, quisto sacrococcígeo, doença pilonidal ou quisto dermoide sacrococcígeo.

Quisto pilonidal: fatores de risco

A incidência (número de casos novos por ano) do sinus pilonidalis é de 26 casos por cada 100.000 habitantes. É muito mais frequente em homens adultos jovens, em que a incidência é de 1,1%. A maior incidência no sexo masculino deve-se à maior quantidade de pelo existente no corpo dos homens.
O sinus pilonidalis aparece mais frequentemente associado à obesidade, a uma ocupação sedentária, irritação local ou trauma. A higiene pessoal não tem influência no aparecimento desta patologia.

Tratamentos para o sinus pilonidalis

As técnicas para o tratamento do sinus pilonidalis têm variado pouco ao longo dos anos.

– O tratamento mais comum é a excisão em bloco com ou sem encerramento primário, ou seja, encerrar a ferida com pontos ou deixá-la aberta para cicatrização secundária.

A técnica da excisão com encerramento primário não deve ser feita com a cicatriz na linha média, porque está mais associada a recidivas.

A técnica com encerramento lateral ou com retalhos tem menos recidivas. Os inconvenientes desta técnica são a dor pós-operatória produzida se houver tensão entre os bordos do encerramento, a possibilidade de infeção que obriga a uma drenagem e as grandes cicatrizes.

A técnica de excisão em bloco com cicatrização secundária não produz tanta dor e não tem risco de infeção. No entanto, o encerramento completo da ferida é mais prolongado.

– Uma técnica que tem tido adeptos é a marsupialização, que consiste em abrir todos os trajetos do sinus pilonidalis, sem realizar excisão total e cicatrização por segunda intenção. Esta técnica tem a vantagem de não ter locas (cavidades) tão grandes – pelo que demora menos tempo a cicatrizar – mas tem o inconveniente de poder recidivar se não se tratarem todos os trajetos.

Laserterapia: técnica inovadora no Hospital Lusíadas Lisboa

O Hospital Lusíadas Lisboa disponibiliza, desde 2018, uma técnica inovadora para o tratamento do sinus pilonidalis. Consiste na curetagem (ação de raspar e limpar com uma cureta o interior de uma cavidade orgânica ou patológica) dos trajetos e na obliteração dos mesmos com energia laser (laserterapia). O procedimento é realizado através dos próprios trajetos do sinus pilonidalis sem necessidade de fazer mais incisões.

O aparelho de laserterapia é composto por um gerador e uma sonda de emissão radial de laser: a energia é emitida desde a ponta da sonda e aplicada de forma uniforme com uma longitude de onda de 1470nm e 10watts, induzindo a destruição do epitélio escamoso do sinus e obliterando o trato. A profundidade de penetração da energia é de 2-3mm.
Esta técnica baseia-se na limpeza dos trajetos para tirar todo o tecido de granulação que existe nos quistos para permitir depois uma cauterização com energia laser que leve a uma cicatrização dos trajetos, de forma a que não fiquem locas onde possa produzir-se posteriormente.

Trata-se de uma técnica minimamente invasiva que permite uma recuperação mais rápida, e o procedimento é realizado de forma ambulatória, ou seja, a pessoa não precisa de dormir no hospital.

Indicações e contraindicações

Os doentes que podem ser submetidos a esta técnica são aqueles que estejam na fase crónica da doença. A técnica de laserterapia está especialmente indicada nos casos de recidiva. Os doentes com recidiva habitualmente já tiveram ressecções (extração completa do sinus pilonidal) nas cirurgias anteriores e, por isso, esta técnica é excelente se os trajetos do sinus pilonidalis estiverem bem identificados.
Não está indicada quando existe uma infeção aguda com abcesso. Nessa fase aguda, a técnica indicada é a drenagem.

Laserterapia vs. técnicas tradicionais

Os doentes apresentam pouca dor quando são operados por laserterapia, vão para casa no próprio dia e a tolerância no período pós-operatório é muito boa. Esta técnica não implica que as pessoas necessitem de realizar pensos nas consultas de enfermagem e não estão impedidas de se sentar ou de se apoiar na região glútea. Assim, os doentes podem reiniciar a sua atividade diária assim que se sintam bem, evitando atividades mais intensas como a prática de desporto ou que sejam traumáticas para essa zona.

Podem sentir a drenagem de uma pequena quantidade de líquido claro pelo orifício interglúteo durante três ou quatro semanas, mas não é um impedimento para que retomem a rotina habitual.
Nas técnicas clássicas, o tempo de recuperação é de três semanas quando há encerramento primário sem complicações e de dois meses quando há cicatrização secundária.

Autoria:
Prof. Dra. Carmen Maillo, cirurgiã geral do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidade em foco neste artigo:
Cirurgia Geral