Como tratar e prevenir o olho seco

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Faço pausas ao longo do dia, evite ambientes com fumo e ar condicionado e recorra a lágrimas artificiais, se necessário.

Os sintomas que o olho seco provoca são sensação de desconforto, secura, ardor e vermelhidão ocular e, ainda que pareça um contrassenso, lacrimejo. Com alguma frequência, surge também visão desfocada ou flutuante (ora está bem, ora apresenta imagens desfocadas que correspondem, exatamente, aos períodos em que a lágrima se altera). Estas perturbações visuais são mais marcadas quando se lê, utiliza o computador, vê televisão ou conduz.

O olho seco – doença que afeta entre 7,4% e 33,4% da população – ocorre quando o fluido lacrimal é insuficiente ou a sua composição se altera, limitando a qualidade de vida e afetando a realização de algumas tarefas do quotidiano. Nos casos mais graves, provoca dor ao pestanejar, fotofobia intensa e pode conduzir a úlceras e infeções na córnea.

Pode estar associado ao uso de lentes de contacto, ao tabagismo e à toma de alguns medicamentos que podem reduzir a lubrificação dos olhos, como os antidepressivos, ansiolíticos, anti-histamínicos,  anti-hipertensores e diuréticos. Mas não só: a exposição à poluição, a ambientes com ar condicionado ou fumo do tabaco e o uso de cosméticos podem agravar o problema. Por outro lado, o olho seco pode ser causado por algumas doenças autoimunes (a artrite reumatoide e a síndrome de Sjögren, por exemplo) ou doenças da superfície ocular e cirurgia refrativa corneana (como o LASIK). Mas, na maior parte dos casos, o olho seco é uma consequência do envelhecimento – à medida que os anos passam, tendemos a produzir menos lágrima e com menos qualidade. A menopausa também tem sido associada à síndrome de olho seco.

Tratamento

Para restaurar ou melhorar o fluido lacrimal é necessário recorrer, em muitos casos, à utilização de lágrimas artificias (evitando aquelas que têm medicamentos associados para diminuir a vermelhidão ocular). O sucesso do tratamento depende, em grande medida, do seu uso prolongado e do cumprimento da posologia prescrita.

Recomenda-se também que as pessoas associem medidas de higiene da pálpebra e evitem a exposição a ambientes poluídos ou com ar condicionado e que adotem uma postura correta frente ao computador.

Nas situações mais graves, os médicos podem ter de efetuar a oclusão dos pontos lacrimais, recorrer a colírio de soro autólogo e associar medicamentos tópicos, como é o caso dos corticoides ou imunomoduladores. Os suplementos de ácidos gordos ómega 3 podem ter algum efeito, embora não haja evidências científicas sobre o tema.

Prevenir o olho seco

Para evitar o desconforto e outros sintomas associados ao olho seco, é importante adotar alguns comportamentos que garantam maior lubrificação ocular. Quem trabalha em frente ao computador deve fazer várias pausas ao longo do dia – por cada 20 minutos de utilização do computador, deve-se olhar para um objeto afastado 20 pés (aproximadamente 6 metros) durante 20 segundos –, piscando os olhos e utilizando lágrimas artificiais, em caso de desconforto.

Durante esse período, procure fixar o olhar em objetos distantes. Verifique também se o ecrã está abaixo do nível dos olhos, para evitar abri-los em excesso. Isto pode ajudar a desacelerar a evaporação das lágrimas entre piscadelas.

É fundamental evitar também ambientes poluídos, espaços com ar condicionado ou outros aparelhos de aquecimento que agridem os olhos. Se se justificar, utilize um desumidificador para melhorar a qualidade do ar em sua casa ou no escritório. Ao ar livre, proteja os olhos do sol e do vento com óculos de sol. Beba pelo menos 1,5 litros de água por dia e procure fazer uma dieta equilibrada, rica em vitamina A (a cenoura e a batata-doce são alguns alimentos a incluir no quotidiano).

Colaboração:
Paulo Santos, coordenador da Unidade de Oftalmologia da Clínica de Stº António

Especialidade em foco neste artigo:

Oftalmologia

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