Exames para avaliar o sistema nervoso autónomo

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O mau funcionamento do SNA pode afetar quase todos os sistemas corporais pelo que identificar alguma disfunção é determinante para desenhar um tratamento eficaz. O Hospital Lusíadas Lisboa é o único hospital privado do país a dispor de novos exames e técnicas de estudo do sistema nervoso autónomo.

O sistema nervoso autónomo integra parte do sistema nervoso que funciona independente da vontade e que ajuda a manter a estabilidade e equilíbrio interno do corpo, através da coordenação de várias atividades como secreção de hormonas, circulação, respiração, digestão e excreção. Dada a “inervação quase generalizada pelo corpo do sistema nervoso autónomo”, a sua influência no funcionamento do nosso organismo é determinante, explica Mariana Santos, neurologista e neurofisiologista clínica no Hospital Lusíadas Lisboa.

Devido à sua interferência em inúmeras funções do nosso organismo, “não existe um único exame que permita avaliar a sua atividade. Para fazer o diagnóstico de uma possível disfunção, são feitos testes de reflexos cardiovasculares (para avaliação do sistema nervoso parassimpático e simpático adrenérgico) e testes de função sudomotora (para avaliação do sistema nervoso simpático colinérgico) ”, refere Mariana Santos.

A Unidade de Neurologia do Hospital Lusíadas Lisboa já disponibiliza técnicas como EMG (eletromiografia), EEG (eletroencefalografia) e potenciais evocados (respostas registadas no sistema nervoso desencadeadas por estímulos: visuais, auditivos e somato-sensitivos), estando apta a realizar testes de avaliação do sistema nervoso autónomo.

Diabetes e mau funcionamento do sistema nervoso autónomo

São múltiplas as condições e doenças que podem afetar o normal funcionamento do SNA (disautonomia) sendo a mais comum de todas a diabetes Mellitus, embora também façam parte dessa lista o alcoolismo, algumas doenças neurológicas (parkinsonismo) e alguns medicamentos.

“As complicações da diabetes são várias e a neuropatia consiste nas lesões que aparecem no sistema nervoso periférico. Este compreende nervos motores, sensitivos e o sistema nervoso autonómico”, explica a neurologista.

Neuropatia sensitiva

A neuropatia diabética começa quase sempre por ser uma neuropatia sensitiva e localizada, simetricamente, nos membros inferiores.

Sintomas da neuropatia sensitiva

  • Calor nos pés e grande sensibilidade (com dores muito incomodativas) que se revelam, sobretudo, de noite, com o doente já na cama (não se tolera, sequer, o peso da roupa sobre os pés e pernas);
  • Desaparecimento progressivo das diferentes sensibilidades (daí o perigo de traumatismos e queimaduras sem que o doente se dê conta) e o envolvimento motor (alterações da capacidade dos músculos funcionarem devidamente).

“Para esta situação a eletromiografia é bastante útil permitindo o seu diagnóstico e avaliação da gravidade da mesma”, explica Mariana Santos.

Neuropatia autonómica

A neuropatia autonómica pode envolver qualquer órgão e sistema do corpo, causa importante morbilidade e, por vezes, tem implicações vitais.

Sintomas da neuropatia autonómica

  • Hipotensão ortostática (tonturas, vertigens, perda de conhecimento, etc.) – ou seja, grande queda da pressão arterial quando o paciente se levanta, devido a alterações dos nervos que controlam o funcionamento das artérias e, assim, regulam a tensão arterial;
  • Gastroparesia diabética – todo o tubo digestivo deixa de funcionar devidamente com grande atraso nas digestões e no funcionamento intestinal (prisão de ventre, que propicia o desenvolvimento de bactérias, gerando-se, depois, diarreia);
  • Infeções urinárias (bexiga neurogénica) – a bexiga passa a não ser capaz de se esvaziar por completo no ato de urinar, ficando um resíduo vesical;
  • Disfunção erétil – outra alteração muito importante e altamente grave para o homem é o envolvimento dos nervos da ereção levando a impotência sexual.

Para a avaliação da neuropatia autonómica contamos com os testes de avaliação do sistema nervoso autónomo referidos acima. Devido ao impacto que a neuropatia autonómica tem, a Associação Americana de Diabetes sugere a realização de testes de avaliação do sistema nervoso autónomo ao fim de cinco anos após o diagnóstico de Diabetes tipo I e na altura do diagnóstico nos casos de Diabetes tipo II.

Tratamentos para as disfunções do sistema nervoso autónomo 

“O tratamento da disfunção autonómica é em grande parte dependente da causa. Quando o tratamento da causa subjacente não é possível, o médico irá tentar várias terapias para aliviar alguns sintomas e melhorar a qualidade de vida dos doentes. Isso pode passar por medidas não farmacológicas (uso de meias de compressão elástica, aumento do consumo de líquidos, aumento do sal na alimentação, comer refeições pequenas e frequentes, dieta pobre em gordura e rica em fibras, etc.) e fármacos (gabapentina para a dor neuropática, fludrocortisona para a hipotensão arterial, viagra para a disfunção erétil, colírios para os problemas oculares entre outros) ”, esclarece a neurologista Mariana Santos.

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