Lipoma: o que é, causas e tratamento

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Os lipomas são nódulos benignos constituídos por gordura, que se situam habitualmente debaixo da pele. Afetam cerca de 1 em cada 100 pessoas e podem desenvolver-se em diferentes partes do corpo. Na maioria dos casos não geram sintomas, mas podem ainda assim ser removidos.

Chama-se lipoma a um nódulo benigno causado pelo desenvolvimento exagerado das células de gordura. Os lipomas situam-se habitualmente no tronco, pescoço, coxas ou braços, podendo no entanto localizar-se em qualquer região do corpo. Embora sejam inofensivos, é essencial que sejam avaliados pelo médico para um diagnóstico diferencial em relação a situações malignas, mais raras, especialmente quando aumentam de dimensões ou dão sintomas.

Quais as características de um lipoma?

“Os lipomas são pequenos tumores de gordura mais ou menos organizada e não representam nenhum risco vital para o doente”, explica Carlos Luz, cirurgião geral na Clínica Lusíadas Parque das Nações e na Clínica Lusíadas Almada, que aponta as características que ajudam a distingui-los de outro tipo de nódulos:
Têm habitualmente uma superfície regular e lisa;
Podem ser firmes ou moles;
Por norma, localizam-se imediatamente debaixo da pele e movem-se ligeiramente quando se tocam;
Habitualmente têm pequenas dimensões (até 5 centímetros);
São mais frequentes no pescoço (região cervical), no tronco e na região proximal dos membros (coxas e braços).

Embora estas características sejam as mais frequentes, os lipomas também podem ter dimensões maiores (mais de 10 ou 15 centímetros) e/ou uma localização mais profunda. “Há lipomas profundos, que estão dentro do músculo e não se palpam com facilidade. Há, até, lipomas em órgãos internos, porque onde quer que haja tecido adiposo podem formar-se lipomas. Por exemplo, lipomas no intestino ou no estômago, mas são lesões raras”, explica o cirurgião.

Os lipomas provocam dor?

Dependendo da sua localização e dimensão, os lipomas podem ser causa de desconforto ou mesmo de dor. Como explica Carlos Luz, podem associar-se “a dor ou sensação de ardor ou queimadura” resultantes “do crescimento do lipoma e do facto de existirem fibras nervosas na vizinhança da cápsula do lipoma.” Para além destes sintomas, a sua localização coloca, por vezes, problemas estéticos, que só por si podem justificar a sua remoção.

Quais são as causas e fatores de risco?

“Os lipomas habitualmente são situações esporádicas e que não têm causa identificável”, responde Carlos Luz. Segundo o cirurgião, não existe nenhum fator de risco identificado que garanta que a pessoa tenha uma propensão maior ou menor para desenvolver lipomas. “Nem sequer a obesidade é um fator de risco só por si. A pessoa obesa pode ter pequenos lipomas e, por ser obesa, serem mais difíceis de detetar do que num indivíduo magro”, explica.

Os lipomas são incomuns nas crianças e mais comuns no adulto, a partir da quarta década. Não há uma evidência clara de que sejam mais frequentes num sexo ou noutro.

Existem algumas doenças raras que representam uma predisposição genética para o aparecimento de lipomas. “Entre estas doenças hereditárias raras estão a lipomatose familiar múltipla, a síndrome de Gardner, a síndrome de Cowden ou a doença de Madelung. A síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 1 também se associa frequentemente a lipomas de grandes dimensões, além dos tumores endócrinos que a caracterizam”, descreve o cirurgião.

Existem lipomas malignos?

Todos os lipomas são benignos, mas existe um tipo de cancro que pode assemelhar-se ao lipoma. “O parente maligno do lipoma é o sarcoma, um cancro muito agressivo do tecido conjuntivo. Quando tem origem no tecido conjuntivo adiposo (gordura) chama-se lipossarcoma. Correspondem ambos a tumores com origem no tecido adiposo, mas o lipoma é uma doença benigna”, distingue o cirurgião.

Nódulos de rápido crescimento, de grandes dimensões ou que se alteram ao longo do tempo requerem, por este motivo, atenção médica redobrada. No entanto, importa ter em conta que “a incidência de lipossarcomas é rara, estando estes tumores habitualmente localizados profundamente no abdómen, no retroperitoneu (atrás da cavidade abdominal) ou nos membros. Lipossarcomas subcutâneos não são nada frequentes”, esclarece Carlos Luz.

Como é feito o diagnóstico? 

Na maioria dos casos, o exame clínico é suficiente para se diagnosticar um lipoma.

“Qualquer nódulo com menos de 5 centímetros que se suspeite que seja um lipoma, é praticamente sempre uma doença benigna e não requer nenhum esclarecimento diagnóstico”, assegura o médico. Mas se o nódulo for profundo, grande (10 ou mais cm), de crescimento rápido e/ou doloroso, devem ser pedidos exames complementares:

  • Ecografia

Este exame permite “confirmar que as características do nódulo são de gordura homogénea, capsulada, o que define a presença de um lipoma.”

“Nas lesões muito extensas  – um lipoma com mais de 10 ou 15 centímetros – ou profundas – um lipoma que se situe debaixo do músculo ou mesmo dentro deste – por vezes é necessário fazer um exame cuja acuidade seja maior. Nestes casos optamos por uma TC ou uma RM, para tentar fazer o diagnóstico diferencial entre lipoma e lipossarcoma.”

“Quando um nódulo cresce rapidamente coloca-se a questão da confirmação diagnóstica. Se crescer 1 a 3 centímetros em poucos meses, isso obriga à realização de uma biópsia para caracterização da lesão, excisando o lipoma.”

Quais são as formas de tratamento?

Não existe tratamento médico para os lipomas. Caso haja um impacto estético ou funcional para a pessoa, se causar desconforto e/ou tiver um crescimento rápido, pode ser indicada a sua remoção. “Só as lesões de pequenas dimensões e estáveis é que não têm indicação cirúrgica, a não ser que provoquem sintomas ou o doente as considere inestéticas”, contextualiza o cirurgião. A remoção, explica, pode ser feita de uma de duas formas:

  • Excisão cirúrgica convencional

É a técnica preferencial, já que permite remover exclusivamente o lipoma. “Nas lesões acessíveis e de pequenas dimensões, é feita com anestesia local uma pequena incisão, pela qual é extraído o lipoma, e depois é encerrada da forma mais adequada possível para ficar uma cicatriz estética. Lipomas grandes ou profundos habitualmente são removidos com anestesia geral. É feito o isolamento e a exérese da lesão na totalidade.”

  • Lipoaspiração

Esta técnica também pode ser usada, mas envolve um maior risco de recidiva do lipoma. “A lipoaspiração é uma técnica cega de remoção de gordura, em que é extraída não apenas a gordura do lipoma como também a gordura normal e é sempre difícil garantir a remoção completa do nódulo.”

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