Hemoptise: as causas da tosse com sangue

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O rompimento de um vaso sanguíneo nos pulmões leva à expetoração com sangue. Há diversas causas para este fenómeno que, por vezes, necessita de uma resposta urgente.

A expetoração com sangue, chamada hemoptise, não é algo que aconteça frequentemente, mas é um fenómeno que não pode ser ignorado. Certas doenças ou fármacos podem provocá-la. Por haver tantas origens diferentes para um mesmo fenómeno, o médico tem de investigar a história clínica do doente e recorrer a exames para fazer o diagnóstico correto e escolher o tratamento adequado.

Definição e causas da hemoptise

“A hemoptise é a saída de sangue vivo com origem na árvore respiratória inferior, abaixo das cordas vocais, que é expelido com a expetoração aquando um episódio de tosse. Pode variar de raios de sangue até apenas sangue sem expetoração”, avança Dalila Ferreira, pneumologista do Hospital Lusíadas Lisboa. Isto acontece porque “há uma rotura num vaso sanguíneo, mais frequentemente numa artéria brônquica, que perde sangue para o pulmão. Depois, com a tosse, o sangue é eliminado pela boca”, acrescenta a médica.

Infeções originadas por agentes patogénicos como a pneumonia e a tuberculose são uma das causas mais comuns para a perda de sangue. Mas tumores, doenças reumatológicas como o lúpus e fármacos anticoagulantes podem também levar ao seu aparecimento. Nas crianças, as principais causas são as infeções, a aspiração de corpos estranhos e doenças pulmonares como a fibrose cística, em que há um problema genético que afeta a produção de muco nos pulmões.

Resposta emergencial

Há casos em que é necessário uma resposta urgente a um episódio de hemoptise. Quando, por exemplo, a perda de sangue é muito grande. “São sempre de risco perdas de sangue superiores a 250 mililitros num período de 24 horas ou superiores a 100 mililitros por hora”, especifica a médica. Neste caso, a hemoptise designa-se maciça. “Ao contrário das não maciças, as hemoptises maciças requerem intervenção imediata, de forma a assegurar que se mantém a oxigenação e a ventilação do doente”, explica a médica. Esta é uma situação de emergência médica que passa normalmente pela entubação da pessoa para impedir a asfixia e manter a oxigenação. O passo seguinte será a realização de exames para diagnosticar a causa da perda de sangue e definir o tratamento.

Diagnóstico e tratamento da hemoptise

Independentemente de a hemoptise ser maciça ou não, o diagnóstico passa pela recolha da história clínica do doente, em que se procura saber se a pessoa estava a usar medicamentos, se tem tosse, febre, cansaço, se viajou para outros países recentemente, se teve algum tumor ou tem alguma infeção que afete o sistema imunitário, como a associada ao vírus do VIH.

Além disso, é necessário realizar vários exames. “A avaliação passa por análises como o hemograma completo com plaquetas, o estudo da coagulação, testes de função hepática, de urina II e gasimetria arterial”, enumera Dalila Ferreira. É também realizado uma radiografia do tórax e, por vezes, uma “tomografia axial computorizada do tórax com contraste para confirmar e identificar o local da hemorragia”.

O tratamento depende da causa e da gravidade da hemoptise, mas passa sempre por evitar a asfixia do doente, principalmente nos casos de hemoptise maciça, fazer cessar a hemorragia e, finalmente, tratar a causa inicial do fenómeno. “As situações ligeiras podem ser geridas sem internamento e o tratamento pode passar por medidas sintomáticas como a supressão da tosse ou a suspensão da toma de algum fármaco”, explica a especialista.

“Em casos graves, o doente deve ser internado e tem de ser realizada uma broncoscopia flexível ou rígida para a localização e possível tratamento in loco.” Em alguns casos pode ser necessária a embolização, ou seja, o vaso é fechado com um material que impede a circulação do sangue.

Pseudohemoptise e hematemese

Há outros motivos que podem fazer com que alguém tenha sangue na boca, e que é importante diferenciar da hemoptise para se conseguir determinar o melhor tratamento. Por exemplo, quando o sangue com origem no trato digestivo sobe até à boca sem haver um acesso de tosse chama-se hematemese. Já a “perda de sangue com outra origem” é denominado de pseudohemoptise, refere Dalila Ferreira. Por vezes, só com a realização de uma série de exames é que é possível distinguir entre os vários fenómenos e fazer o diagnóstico correto.

Em suma

Quando há uma perda de sangue nos pulmões devido a rotura de um vaso sanguíneo e esse sangue atinge a boca quando se tosse, estamos na presença da hemoptise ou expetoração com sangue. É importante levar imediatamente para o hospital uma pessoa que esteja a tossir sangue abundantemente, para prevenir uma possível asfixia e para a situação ser controlada. O tratamento da hemoptise só poderá ser realizado após um diagnóstico do que causou, em primeiro lugar, a libertação de sangue nos pulmões.

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