Como a fisioterapia o pode ajudar

A fisioterapia trata desde uma simples entorse a sequelas de lesões cranianas, através de um conjunto vasto de técnicas, aqui explicadas por Anabela Marques, coordenadora da Unidade de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital Lusíadas Porto.

Aprenda em que situações é indicado recorrer à fisioterapia

Como terapia de todas as alterações e lesões físicas, a fisioterapia tanto pode tratar uma dor no ombro como reabilitar casos mais graves como sequelas de traumatismo craniano, traumatismo vertebro-medular, sequelas de acidentes vasculares cerebrais (AVC), amputações,fraturas, pneumonias ou crianças com alterações de desenvolvimento.

Nas consultas de Medicina Física e de Reabilitação das Unidades Lusíadas são reabilitados casos referenciados pelos clínicos internos (desde pediatras, neurologistas, ortopedistas, neurocirurgiões, cirurgiões gerais, cirurgiões plásticos, pneumologistas, clínicos de medicina interna, urologistas e ginecologistas) a clínicos externos de todas as especialidades.

Anabela Marques, coordenadora da Unidade de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital Lusíadas Porto, explica cada uma das patologias que ali se tratam:

1. Patologias osteoarticulares

As patologias osteoarticulares englobam as traumáticas (fraturas, luxações, distensões, roturas), as reumáticas e as degenerativas.

Nesses casos, a fisioterapia:
Reabilita o membro lesado aplicando técnicas para analgesia, recuperação das amplitudes articulares e reeducação neuromuscular. Poderá ajudar uma pessoa que devido a um traumatismo deixou de andar, a adquirir novamente a sua capacidade de marcha. No caso de um membro superior a recuperação tem em vista a realização das tarefas de atividade da vida diária que foram perdidas com alesão.

Na reabilitação de uma coluna lombar pós-entorse ou cirurgia a hérnia discal, além de técnicas de relaxamento e analgesia para atenuar a dor, reeduca-se a musculatura.

2. Amputações

No caso de lesões de amputações de membros superiores e inferiores, a reeducação começa pelo tratamento da dor e do coto de amputação, passa ainda pela escolha da prótese que mimetiza o membro em falta, até à integração dentro do padrão cerebral do membro protetizado.

3. Lesões medulares

Nestes casos, a fisioterapia ajuda a reeducar a pessoa até esta atingir o seu potencial máximo de reabilitação. A meta é a execução das atividades da vida diária. Por exemplo, um paraplégico aprenderá a ser independente com uma cadeira de rodas; a entrar, sair e conduzir um carro adaptado; a tomar banho e fazer a sua higiene pessoal, vestir-se; a tratar da sua alimentação e das tarefas domésticas.

4. AVC

Numa pessoa que sofreu um AVC e que apresente, por exemplo, uma hemiplegia (ausência total de força e/ou contração muscular numa metade do corpo) e deixou de conseguir andar ou mexer um braço: a fisioterapia reabilita-lhe ao máximo os membros afetados e ensina-lhe a realizar as atividades com o outro membro. A meta é sempre a execução do máximo de atividades da vida diária e a sua independência.

5. Traumatismos cranianos e cirurgias intracranianas após-tumor cerebral

Quando estes deixaram sequelas, os pacientes podem ser reabilitados.

6. Atrasos no desenvolvimento infantil

Nesses casos, a fisioterapia estimula o desenvolvimento infantil através de estratégias neuromusculares de desenvolvimento tendo em vista a recuperação do atraso.

7. Fisioterapia respiratória

É adequada a pessoas com doença pulmonar obstrutiva crónica, enfisema pulmonar, bronquite, bronquite asmática, pós ou durante uma pneumonia. Podem ser reabilitadas em todas as idades.

8. Cirurgias plásticas

A recuperação de cirurgia plástica inclui o tratamento de queimados e de cicatrizes. Através de técnicas de frio, laser, ultrassom, massagem e exercícios dá-se mais elasticidade às cicatrizes, ficando estas menos duras e menos percetíveis.

9. Incontinência urinária

A reabilitação do soalho pélvico pode ser realizada nos homens com incontinência pós-prostatectomia radical e nas mulheres com incontinência e disfunção desta zona.

Técnicas usadas na fisioterapia

O programa de execução é diferente dependendo da patologia e as técnicas disponíveis são muito variadas:

  • Meios físicos:

Gelo, calor húmido, parafango, parafina, água quente/fria.

  • Eletroterapia:

Correntes analgésicas e excitomotoras, ultrassons, laser, micro-ondas, ondas curtas, ondas de choque.

  • Massagem.
  • Cinesioterapia (terapia do movimento).

Quando se reeduca um membro pós-fratura, tenta-se, numa primeira fase, fazer o relaxamento da musculatura e a analgesia, com meios físicos, eletroterapia e massagem. E, depois, técnicas de mobilização da articulação que ajudem a recuperar a mobilidade articular, a musculatura deficitária e a adquirir a função perdida. Estes exercícios podem ser executados pela mão do terapeuta ou orientados por este: o paciente utiliza elásticos, bolas, pesos, trampolim, tapete, escadas, pedaleira, bicicleta, aparelhos de reabilitação semelhantes aos do ginásio, plataforma vibratória

Para quem sofreu um AVC, o objetivo será acordar o braço e/ou a perna para a função. Então, utilizam-se correntes excitomotoras que, além da função de despertar e reforçar a musculatura, estimulam a parte nervosa e a conexão cerebral; utiliza-se ainda a cinesioterapia com técnicas de facilitação neuromuscular dos membros lesados; etreinam-se as atividades da vida diária, como subir ou descer escadas

Cuidados a ter

Deve seguir os conselhos do seu médico fisiatra e fisioterapeuta. A evolução faz-se de forma progressiva, por isso, só quando é indicado se deve, por exemplo, fazer carga num membro fraturado ou fazer determinados movimentos pós-cirurgia a um ombro.

Tenha consciência de que a reabilitação tem uma evolução previsível. Se ao fim do tempo proposto não atingiu o patamar de reabilitação pretendido, é necessário observar e avaliar a situação clínica, perceber o que impede a normal progressão do programa de reabilitação e estudar o que pode ser modificado para a reverter.

Deve-se ter presente que há lesões (como a medular) em que o tratamento de fisioterapia não é referenciado para a cura, mas para que a pessoa atinja o seu potencial de reabilitação máximo.

 

Colaboração:
Anabela Marques, coordenadora da Unidade de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital Lusíadas Porto

Especialidades em foco neste artigo:
Medicina Física e de Reabilitação