Enfisema pulmonar: quais os sintomas

O tecido destruído já não regenera, mas é possível impedir a progressão do enfisema pulmonar com medidas preventivas. Cláudia Vaz Guerreiro, pneumologista da Clínica Lusíadas Faro e Clínica Lusíadas Forum Algarve, lembra as três regras de ouro: adotar um estilo de vida saudável, evitar o tabagismo e, face à exposição a poeiras tóxicas, usar sempre máscara.

Enfisema pulmonar: quais os sintomas?

O que é

O enfisema pulmonar consiste na destruição do parênquima pulmonar, nome dado ao tecido composto pelas células que desempenham a função do pulmão. “Em condições normais, o pulmão é constituído por milhões de sacos de ar denominados alvéolos, que são responsáveis pelas trocas gasosas que ocorrem durante a respiração. A exposição a gases ou partículas tóxicas (fumo de tabaco, combustão de biomassa, etc.) causa a destruição dos alvéolos, reduzindo a superfície para as referidas trocas gasosas, o que, por sua vez, diminui a quantidade de oxigénio que é transportado para o sangue”, explica Cláudia Vaz Guerreiro, pneumologista da Clínica Lusíadas Faro e da Clínica Lusíadas Forum Algarve.

Fatores de risco

Tabagismo (cigarro, cigarrilha, charuto, cachimbo ou shisha/ narguilé);
Consumo de haxixe ou de marijuana;
Exposição passiva a fumo de tabaco;
Exposição a gases ou partículas tóxicas, poeiras e agentes químicos;
Exposição a fumos provenientes de combustão de biomassa (lareiras abertas e fogões a lenha);
Genética (“Menos frequentemente, o enfisema pode desenvolver-se como resultado de um défice congénito na produção de alfa 1-antitripsina, proteína responsável pela defesa pulmonar contra as substâncias inaladas”, informa a especialista).

Sintomas

O enfisema pulmonar pode ser assintomático, quando ligeiro. A gravidade dos sintomas depende do grau de destruição pulmonar.

  • Falta de ar

É o sintoma mais frequentemente referido, de acordo com a pneumologista. “Instala-se de modo progressivo – inicialmente para esforços físicos mais intensos e, com o agravar da doença, para esforços cada vez mais pequenos, até se revelar, inclusive, em repouso.”;

  • Perda de peso

“Deve-se ao esforço respiratório intenso imposto pela sensação de falta de ar e inflamação generalizada” e verifica-se habitualmente nos casos mais graves;

Os sintomas de enfisema, comuns a outras doenças respiratórias e cardíacas, surgem habitualmente após os 40/50 anos, exceto na forma congénita da doença, em que se revelam mais cedo.

Diagnóstico

O diagnóstico de enfisema pulmonar é habitualmente estabelecido através de exames de imagem:
Radiografia (raio X);
Tomografia Computorizada (TC) de tórax.

Para avaliar a gravidade da doença são necessárias:
TC de tórax;
Provas de função respiratória:

  • Espirometria

Um exame em que é pedido à pessoa que respire pela boca através de um tubo ligado a um aparelho chamado espirómetro, de forma a registar o volume e a velocidade do ar respirado.

  • Prova de capacidade de difusão do monóxido de carbono

Um teste em que o paciente inala uma pequena quantidade de monóxido de carbono, sustém a respiração durante alguns segundos e depois expira para dentro de um detetor desse gás, de forma a permitir avaliar o grau de eficiência com que o oxigénio é transferido dos alvéolos para o sangue.

Tratamento

Não é possível a regeneração do parênquima pulmonar já destruído e, nesse sentido, não existe uma cura para o enfisema pulmonar. No entanto, é possível impedir o seu agravamento, com medidas destinadas a cessar a agressão contínua do pulmão:
Cessação tabágica e do consumo de drogas inaláveis;
Utilização de máscaras de proteção individual em situações de exposição a poeiras na sua atividade laboral.

“Aos indivíduos com défice de alfa 1 – antitripsina, pode ser fornecido tratamento específico através da administração da proteína em défice, levando assim a uma preservação do pulmão e sua função”, explica Cláudia Vaz Guerreiro.
Nestes casos, acrescenta a especialista, “é ainda importante o rastreio dos seus familiares, que também podem ter a doença, por forma a intervir precocemente, promovendo a cessação tabágica nos fumadores e incentivando a manutenção de abstinência tabágica nos não fumadores”. 

Prevenção

Adotar um estilo de vida saudável;
Evitar o consumo de tabaco e de outras drogas inaladas;
Na exposição laboral a poeiras com potencial de causar doença pulmonar, deve ser sempre usada máscara.

Em Portugal

Não existem estudos que determinem especificamente a prevalência de enfisema pulmonar na população portuguesa. No entanto, no país e no mundo, é conhecida a realidade da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), da qual o enfisema é um dos componentes. “A DPOC é atualmente a 4.ª causa de morte a nível mundial e pensa-se que venha a ser a 3.ª causa já em 2020. Sendo uma doença prevenível e tratável, representa um importante desafio para a saúde pública”, afirma Cláudia Vaz Guerreiro.

Em Portugal, o estudo Burden of Obstructive Lung Disease (BOLD), de 2013, apontava para a existência de DPOC em 14,2% dos adultos com 40 ou mais anos a residir em Lisboa — e, até à data, “este continua a ser o estudo de referência quando falamos de dados nacionais relativos à DPOC”, assegura.

DPOC e enfisema pulmonar

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica “caracteriza-se pela existência de obstrução brônquica crónica, que se deve a uma mistura de doença dos brônquios de menor dimensão (bronquiolite obstrutiva) e destruição do parênquima (enfisema), sendo que a contribuição relativa de cada uma destas partes varia de pessoa para pessoa”, começa por explicar Cláudia Vaz Guerreiro.

“Os doentes com maior componente de enfisema apresentam sobretudo falta de ar, enquanto os doentes em que prevalece a bronquiolite tendem a manifestar mais frequentemente tosse e expetoração associada a sensação de falta de ar”, acrescenta.

Apesar de ser um dos componentes da doença, o enfisema pulmonar pode surgir também individualmente, ou seja, sem que se verifique um quadro geral de DPOC.

“A inflamação crónica causada pela inalação de gases e partículas tóxicas leva ao estreitamento dos brônquios e destruição do pulmão, com consequente perda da sua normal elasticidade. Estas alterações conduzem a obstrução brônquica crónica detetável em espirometria”, um exame também conhecido como Prova de Função Pulmonar, Prova Ventilatória ou Exame do sopro.

“A presença de obstrução brônquica é fundamental para o diagnóstico da doença”, sublinha a especialista. “Existem doentes com diagnóstico de DPOC que apresentam enfisema mínimo e existem outros com enfisema bastante expressivo, mas que não apresentam critério de DPOC, pois apresentam uma espirometria normal.” 

Colaboração:
Cláudia Vaz Guerreiro, pneumologista da Clínica Lusíadas Faro e Clínica Lusíadas Forum Algarve

Especialidade em foco neste artigo:
Pneumologia