Dor no peito: o que é e como atuar

Uma dor na zona do tórax assusta, mas as causas podem ser variadas e não relacionadas com problemas cardíacos. André Luz, cardiologista do Hospital Lusíadas Porto, responde às dúvidas mais comuns e explica como atuar.

Dor no peito: o que significa e o que fazer

O que é a dor no peito?

A dor no peito define-se como uma dor, ou um desconforto, localizado na região do tórax, que é a região anatómica compreendida entre o pescoço e a região abdominal.

Sentir dor no peito é sinónimo de problema cardíaco?

“Não”, afirma categoricamente André Luz, cardiologista do Hospital Lusíadas Porto. “A dor no peito é um sintoma muito vago”, que tanto pode ser uma dor psicogénica (associada a estados de ansiedade), como uma dor musculoesquelética ou uma dor que tenha por base um distúrbio mais grave, “cardíaco ou não”, esclarece.

Quais os diferentes tipos de dor torácica?

A dor no peito que se acompanha dos movimentos respiratórios, também conhecida como “dor pleurítica”, está normalmente associada a doenças que não envolvem o coração, como por exemplo a pneumonia ou o pneumotórax. “Esta última é uma condição em que, por diversas causas, uma bolha de ar fica aprisionada no espaço pleural que é como um saco que envolve o pulmão, e pode originar uma dor lancinante súbita”, explica o cardiologista.
“A exceção é a dor do pericárdio, uma espécie de ‘saco’ que envolve o coração e que, se estiver inflamado, se manifesta como uma dor atrás do esterno que pode agravar com os movimentos respiratórios e geralmente alivia quando o indivíduo flete o tronco para a frente”, acrescenta. André Luz esclarece ainda que a dor torácica “pode ser desde uma manifestação de patologia musculoesquelética, ou até ser causada por doenças do trato digestivo”.
Há ainda uma série de condições graves que envolvem não apenas o coração (como o enfarte agudo do miocárdio), mas também a artéria aórtica ou a circulação pulmonar. “É o caso dos chamados ‘síndromes aórticos agudos’ ou a embolia pulmonar.” As manifestações clínicas são habitualmente distintas daquelas menos graves mas, por vezes, o seu diagnóstico pode não ser tão evidente. “É aqui que entra o treino médico coadjuvado pelos exames complementares diagnósticos”, acrescenta o especialista.

Quais os sinais de alerta que indicam que uma dor no peito se pode tratar de uma emergência médica que requer assistência imediata?

Uma dor torácica de caráter “visceral”, ou seja, de intensidade forte, e localizada bem no meio do peito, a que os médicos chamam de “retrosternal”, deve ser alvo de especial atenção, descreve André Luz. “A dor forte, súbita, que é acompanhada de mal-estar geral, como náuseas, vómitos, suores, falta de ar ou desmaio, deve ser alvo de observação médica imediata.”

O que fazer em caso de dúvida sobre o tipo de dor e proveniência?

Por segurança, e porque os chamados sintomas atípicos variam de indivíduo para indivíduo, “qualquer dor torácica relativamente intensa e acompanhada de outros sintomas (como falta de ar ou suores) deve ser observada o mais rápido possível”, afirma o cardiologista. A dor “visceral” localizada no meio do peito deve ser imediatamente alvo de observação médica. O mesmo para “a dor no peito forte, súbita, por vezes (mas nem sempre) a irradiar para o pescoço ou para o dorso e para os braços acompanhada de mal-estar generalizado”: deve encaminhar-se de imediato para um serviço de urgência, se possível com o INEM. “O objetivo é não deixar passar um enfarte agudo do miocárdio, uma rutura da aorta ou uma embolia pulmonar, que são emergências médicas”, alerta André Luz.
Há casos de dor torácica associados a infeção respiratória (com tosse ou febre), por exemplo, que devem ser observados de imediato. Contudo, “casos de dor torácica de instalação não tão aguda, como por exemplo dor no peito apenas quando se faz esforços, pode ser um sinal de angina de peito”. Este tipo de dor pode ser observado por um cardiologista em consulta e não em urgência, aconselha o especialista.

Colaboração:
André Luz, cardiologista do Hospital Lusíadas Porto

Especialidades em foco neste artigo:
Cardiologia