10 regras para evitar a infeção urinária

Conheça melhor as causas da infeção urinária e as estratégias que deve adoptar para evitar uma infeção que afeta sobretudo mulheres.

A infeção urinária afeta sobretudo as mulheres, mas pode atingir qualquer pessoa, dos mais novos aos mais velhos.

O que é

A infeção urinária é uma infeção dos órgãos que produzem a urina (rins, ureteros, bexiga e uretra) que é provocada por vírus, fungos ou, mais frequentemente, bactérias que invadem e se localizam sobretudo na uretra (uretrite), bexiga (cistite) ou nos rins (pielonefrite).

A maioria das infeções urinárias não hospitalares são causadas por germes oriundos dos intestinos, como a bactéria Escherichia coli (E. coli) que se encontra nas fezes, mas pode contaminar os órgãos genitais, multiplicar-se, entrar na uretra e estabelecer-se na bexiga causando uma infeção. A E. coli é a mesma bactéria que polui as praias e as torna impróprias para o banho. Estas infeções são sensíveis a uma ampla variedade de antibióticos administrados por via oral.

Já a infeção urinária hospitalar é frequentemente causada por microorganismos mais resistentes e pode ser necessário o tratamento endovenoso.

Sintomas da infeção urinária

Os sintomas podem aparecer em conjunto ou isolados e a sua intensidade depende da localização e da evolução da infeção. Quando a infeção atinge o rim os sintomas são mais severos. Os sintomas são:

  • Vontade de urinar mais vezes devido a uma irritação das paredes internas da bexiga, o que provoca ardor;
  • Por vezes, há presença de sangue na urina;
  • Sensação de peso ou dor no baixo ventre;
  • Mal-estar geral;
  • Febre;
  • Dor lombar;
  • Náuseas.

 

Fatores de risco

As mulheres têm maior probabilidade de desenvolver uma infeção urinária (a proporção é de um homem para dez mulheres) porque a uretra feminina tem apenas três centímetros, o que facilita o acesso das bactérias à bexiga, e porque a vagina é colonizada por bactérias.

O ato sexual é o principal fator precipitante em mulheres jovens, sendo que o uso de diafragma e cremes espermicidas (que alteram a flora vaginal normal) aumentam ainda mais o risco de cistite (infeção da bexiga). A pielonefrite (infeção dos rins), na maioria das vezes, resulta de infeção ascendente a partir da uretra.

Durante a gravidez, dá-se um aumento da progesterona provocando um inchaço das vias urinárias. Ao mesmo tempo, o útero aumenta, comprimindo a uretra e diminuindo o fluxo da urina, o que favorece a proliferação de bactérias.

Já durante a menopausa, regista-se a diminuição dos estrogéneos que fragiliza as paredes da vagina, que ficam mais suscetíveis à contaminação por bactérias.

Diagnóstico e tratamento

A maioria dos casos de infeção urinária não complicada (cistite) é causada pela bactéria E. coli, mas a infeção pode ser provocada por outras bactérias, como o Proteus mirabilis, o Klebsiella pneumoniae e o Staphylococcus saprophyticus.

O tratamento da cistite não complicada deve sempre incluir um antibiótico que tenha ação contra estas bactérias, principalmente sobre a E.coli, responsável por mais de 80% dos casos. Esta bactéria tem vindo a evoluir ao logo dos tempos, adaptando-se rapidamente aos tratamentos, que tendem a perder a eficácia. Daí advém a necessidade do tratamento ser adequado ao problema – em tempo e quantidade – para não se transformar numa super bactéria.

A escolha do antibiótico é feita mais corretamente quando baseada nos resultados de um exame cultural da urina (urocultura, que é um exame de urina usado para identificar qual é a bactéria existente). Mas, na maioria das vezes, perante suspeita de cistite não complicada, como os sintomas são muito típicos, o médico inicia antibióticos empiricamente porque o resultado da urocultura demora de dois a quatro dias para ficar pronto, o que atrasaria em vários dias o início do tratamento e o alívio dos sintomas. Em alguns casos pode apenas ser indicada a toma de água com maior frequência e quantidade, para lavar a bexiga e impedir a acumulação de bactérias.

Regras de ouro para evitar a infeção urinária

1. Lave bem as mãos;

2. Deve limpar-se da vagina para o ânus de forma a evitar transportar as bactérias do trato intestinal para a uretra e de lá para a bexiga, contaminando-a.

3. Use roupa mais larga e de algodão (incluindo a roupa interior);

4. Evite os pensos diários;

5. Beba pelo menos 1,5 L de água por dia;

6. Evite duches vaginais, espermicidas, diafragmas e desodorizantes íntimos;

7. Não esteja muitas horas sem ir à casa de banho;

8. Evite os banhos de imersão (a água contaminada com restos fecais pode penetrar na vagina);

9. Antes da atividade sexual a área genital deve ser lavada e deve-se urinar depois para expulsar as bactérias que possam ter penetrado na uretra e na bexiga;

10. Uma lubrificação vaginal insuficiente ou posições dolorosas podem traumatizar o revestimento da vagina favorecendo o crescimento de bactérias nessa região.

 

Especialidades em foco neste artigo:
Urologia