O que é a zona ou herpes-zóster?

A zona ou herpes-zóster é uma doença infeciosa que só se manifesta em pessoas que já tenham tido varicela. O vírus da varicela fica adormecido e é reativado mais tarde, normalmente em pessoas mais velhas, ainda que também possa afetar crianças, como explica Pedro Ponte, coordenador da Unidade de Dermatologia do Hospital Lusíadas Lisboa.

Zona: o que é e como identificar o herpes-zoster?

O que é a zona?

A zona é uma infeção viral, também designada de herpes-zóster, provocada pelo mesmo vírus da varicela. Após a infeção inicial — manifesta-se pela varicela, muito comum em idade infantil — o vírus aloja-se em células nervosas e aí poderá permanecer inativado. Contudo, poderá reativar-se mais tarde originando a doença. Resulta provavelmente da incapacidade de o sistema imunitário conter a replicação do vírus latente. No entanto, não é totalmente conhecido o mecanismo pelo qual o vírus fica adormecido e é depois reativado.

Quem pode sofrer de zona?

Qualquer pessoa que tenha tido varicela pode vir a desenvolver a doença. Pode ocorrer em crianças mas é muito mais comum em adultos. As pessoas que têm uma vez, raramente desenvolvem um segundo episódio.

Fatores de risco

Idade avançada;
Sistema imunitário debilitado (pessoas que receberam um transplante, que estão a fazer tratamentos de quimioterapia ou radioterapia, que têm linfomas, leucemias, SIDA);
Contacto com outra pessoa com varicela ou herpes-zóster; cirurgias à coluna;
Uma infeção ou um traumatismo grave (não necessariamente na coluna).

Sintomas e manifestações

As lesões ficam limitadas a uma área correspondente ao território de inervação de um nervo sensorial (dermátomo), ao contrário da varicela, em que as borbulhas se generalizam por toda a pele.
Na prática, corresponde a uma faixa de pele que corre ao longo das costelas, dos membros superiores ou inferiores, de uma porção da face ou do pescoço, e de um só lado do corpo.

Nos dias que antecedem o aparecimento das lesões, é comum haver dor, ardor ou formigueiro no local. Muitas vezes estes sinais são interpretados como cólicas renais, infeções urinárias, hérnias discais ou dores musculares.

Na sequência destes sintomas surgem pequenos grupos de bolhas com líquido (vesículas), agrupados em cachos, sobre uma área avermelhada. As vesículas podem juntar-se em bolhas maiores e ganhar pus, formando depois crostas mais secas.

Ainda que possam surgir em qualquer área, são mais comuns na região torácica, apenas num dos lados, terminando as borbulhas mesmo na linha média do corpo.
Em pessoas com o sistema imunitário muito debilitado podem espalhar-se por toda a pele.

Principais complicações

A disseminação em pessoas com o sistema imunitário debilitado.
Quando as lesões atingem a parte superior da face, há o risco de os olhos serem afetados. Nesta situação, a pessoa deve ser observada por um oftalmologista, de forma a detetar precocemente alterações e evitar sequelas oculares graves.

A complicação mais frequente é a dor que persiste mais de quatro semanas nas áreas afetadas, após a cicatrização das lesões cutâneas. Pode ser muito incapacitante e durar meses ou mesmo anos (nevralgia pós-herpética).

Formas de transmissão

Só uma pessoa que tenha tido varicela pode desenvolver zona ou herpes-zóster. O contacto com a área da pele afetada que ainda não tenha adquirido crostas pode transmitir varicela a uma pessoa que não tenha tido a doença.

Diagnóstico

Baseia-se na observação da pessoa, nomeadamente da área de pele afetada.

Tratamento

A erupção cutânea cura-se sem intervenção ao fim de duas a quatro semanas. Contudo, a administração de medicamentos por via oral (antivíricos), principalmente nas primeiras 72 horas após o início das lesões, encurta a duração da doença e o risco de complicações. O alívio da dor com analgésicos pode ser obrigatório para muitas pessoas, bem como os cuidados gerais com a pele, de modo a evitar possíveis infeções secundárias.
A vacina contra o herpes-zóster não assegura uma proteção total mas diminui a probabilidade de se sofrer da doença, estando aprovada para pessoas com mais de 50 anos.

Colaboração:
Pedro Ponte, coordenador da Unidade de Dermatologia do Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Dermatologia