O papel da Nutrição na diabetes

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Todas as pessoas com diabetes devem ser acompanhadas por um nutricionista. Este é o profissional que as pode ajudar no processo de reeducação alimentar que é tão importante no tratamento desta doença.

Em 2015, a prevalência estimada da diabetes na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos foi de 13,3%, de acordo com os dados do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes. Tal significa que mais de um milhão de portugueses neste grupo etário tem a doença.

A diabetes mellitus (DM) é uma doença crónica que atinge todas as idades e ambos os géneros. É caracterizada pelo aumento do nível de glicose (açúcar) no sangue – hiperglicemia – que se deve, em alguns casos, à reduzida produção de insulina pelo organismo, noutros à insuficiente ação da insulina e, frequentemente, à combinação destes dois fatores.

Atualmente, sabe-se que uma alimentação saudável, aliada à prática de atividade física e medicação (antidiabéticos orais ou insulina) é um ponto fulcral no tratamento das pessoas com diabetes. Além do controlo metabólico, a alimentação é importante para controlar o perfil lipídico (colesterol e triglicéridos) e a tensão arterial, bem como para manter um peso saudável, com o intuito de prevenir o aparecimento das complicações da diabetes.

Alimentação das pessoas com diabetes

Há quem pense que a alimentação da pessoa com diabetes tem de ser monótona e repetitiva, mas esta ideia está completamente errada. Em geral, a alimentação na diabetes deve ser tão completa, equilibrada e variada como a alimentação de qualquer indivíduo saudável. Não existem alimentos proibidos. É simplesmente necessária moderação para atingir o equilíbrio desejado.

Todas as pessoas com diabetes devem ser acompanhadas por um nutricionista. É aconselhado que tenham um plano alimentar individualizado e personalizado de acordo com a sua condição clínica e estado nutricional. Além disso, os hábitos alimentares habituais, as preferências e aversões alimentares, bem como as alergias e/ou intolerâncias alimentares devem sempre ser tidas em consideração – uma dieta demasiado restrita acaba por não ter a adesão desejada, daí ser sempre muito importante ouvir a pessoa e perceber o que faz mais sentido no seu plano alimentar e no seu quotidiano.

O papel da Nutrição é assim crucial na (re)educação alimentar da pessoa com diabetes. É essencial promover a capacitação desta população no sentido de esta conseguir realizar as escolhas alimentares certas, nas porções adequadas, nos diferentes momentos do seu dia. Por exemplo, uma ida a um restaurante ou a uma festa não têm de ser um problema. A diabetes não deve colocar em causa a vida social dos doentes. As pessoas devem, sim, ter acesso a estratégias e soluções para cada circunstância, de forma a que possam gerir a doença sem comprometer a sua qualidade de vida.

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