Mamografia: o que é e como se faz

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Importante para o rastreio e deteção precoce do cancro da mama, a mamografia é um exame que utiliza o raio-X e permite uma avaliação geral da mama.

A mamografia é um exame médico realizado através de um aparelho, o mamógrafo, que produz imagens da mama usando radiação X, permitindo analisar o tecido mamário.

“É o exame de base na avaliação imagiológica da mama, e também é o exame que está indicado para o rastreio do cancro da mama”, explica Bruno Araújo, médico-radiologista da Unidade de Imagiologia do Hospital Lusíadas Porto.

Através da mamografia, consegue-se uma imagem global da mama, permitindo identificar e distinguir várias patologias que afetam a mama, incluindo tumores benignos e malignos.

“Apesar de o exame usar radiação, é muito escassa e não é uma dose significativa no contexto de rastreio”, assegura o médico, acrescentando que o benefício da capacidade ampla de diagnóstico deste exame ultrapassa em larga medida o aspeto negativo do uso da radiação.

Idade recomendada para a mamografia

Um dos motivos mais comuns para se realizar a mamografia é o rastreio do cancro da mama, que se deve fazer independentemente de haver sintomas. A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda o rastreio do cancro da mama entre os 50 e os 69 anos, de dois em dois anos.

“O papel do rastreio é tentar identificar o cancro numa fase mais precoce possível”, antes de haver sintomas, explica o médico, adiantando que quanto mais cedo for feita a identificação e o tratamento do cancro, “maior será a sobrevida expectável para a paciente”.

Apesar do aparecimento do cancro incidir especialmente naquela faixa etária, a doença pode surgir entre em qualquer idade. Por isso, em casos específicos pode ser importante fazer-se mais cedo. No período entre os 40 e os 49 anos, a DGS não dá indicação para se fazer a mamografia de rastreio, mas também não desaconselha, e há estudos que mostram benefício na sobrevida com o início do rastreio nesta faixa etária.

Na opinião do médico-radiologista, é preciso personalizar o rastreio, dando o exemplo de mulheres que tiveram familiares com cancro da mama ou outros fatores de risco pessoal e podem beneficiar de um início mais precoce do período de rastreio ou de um menor intervalo de tempo entre as mamografias. “Tudo isto deve ser feito com o conhecimento [da paciente], explicando para que serve o rastreio, o que traz de bom, o que traz de menos bom, e decidir com a mulher qual é a melhor opção para fazer a sua vigilância”, defende o médico.

Apesar dos seus benefícios, a mamografia pode ser desconfortável, gerar apreensão e, por vezes, obrigar à realização de uma biópsia para caracterizar alterações no tecido mamário que, posteriormente, podem revelar-se benignas. Por isso, todos estes aspetos devem ser considerados para uma tomada decisão em conjunto entre a paciente e o médico.

Em mulheres com mais de 70 anos, Bruno Araújo refere ainda que o rastreio ainda pode continuar a fazer sentido, principalmente em pacientes saudáveis, com uma esperança de vida expectável alta.

Além do rastreio, a mamografia tem um papel central nas mulheres com mais de 40 anos que apresentam sintomas como nódulos palpáveis, escorrência mamilar e a inversão do mamilo, devem realizar a mamografia para a avaliação destes sintomas. No caso de estes sintomas surgirem em mulheres com menos de 40 anos, que normalmente o tecido mamário é predominante e a mamografia tem menor sensibilidade, a ecografia é o exame de primeira abordagem.

Como se faz o exame

A entrevista

Apesar de a mamografia demorar apenas alguns minutos a ser realizada, cada paciente passa por uma entrevista onde se explica o que vai acontecer e porquê. O contexto à volta do exame “é importante”, assegura Bruno Araújo, já que permite que tudo seja encarado com mais tranquilidade por parte da paciente.

O exame

Na mamografia faz-se normalmente duas aquisições de imagem em cada mama. Na primeira aquisição, o técnico superior de diagnóstico terapêutico comprime horizontalmente a mama e a imagem é tirada de cima. Na segunda aquisição, a mama é comprimida na vertical, mas de uma forma ligeiramente inclinada, para a região da axila ser captada na imagem.

Em alguns casos pode ser necessário fazer outras aquisições de imagem mais específicas para estudar e caracterizar melhor alguma alteração identificada. A compressão usada no exame pode causar algum desconforto, mas é importante. “É absolutamente necessário a compressão mamária para a aquisição de uma imagem de qualidade”, assegura o médico. Se houver pouca compressão, o tecido mamário pode ficar sobreposto, podendo ocultar achados como nódulos e distorções.

A densidade mamária é, por isso, uma limitação da mamografia. “Em mamas com mais tecido mamário, a mamografia é menos sensível para detetar tumores”, explica Bruno Araújo. “Um nódulo não deixa de ser uma bolinha branca. Quando a mama é mais densa, essa bolinha branca aparece num fundo branco e é mais difícil de identificar.” Nestes casos, para complementar a mamografia, usa-se a ecografia, que permite melhorar a sensibilidade para a identificação destas lesões.

O que acontece a seguir

O exame, analisado por um médico-radiologista, pode mostrar lesões suspeitas como nódulos, áreas de distorção e microcalcificações. “Tudo isso são achados associados a tumores”, observa Bruno Araújo. Nestes casos, o passo seguinte é a realização de uma biópsia a estas lesões, que é feita pelo médico-radiologista.

A situação ideal é que esta biópsia seja realizada no mesmo dia da mamografia, não só para evitar novas deslocações desnecessárias, mas principalmente para reduzir o tempo de espera e toda a ansiedade e angústia associadas. Além disso, obtém-se um diagnóstico mais célere, permitindo um início precoce do tratamento quando necessário.

Durante a biópsia, feita com anestesia local para evitar a dor, são recolhidas amostras da lesão que são enviadas para análise laboratorial e anátomo-patológica, permitindo confirmar se se está perante um cancro e, se assim for, qual é o tipo de cancro. É a partir deste diagnóstico que se pode programar um tratamento específico.

Mamografia nos homens

Tal como nas mulheres, os homens também podem desenvolver um cancro na mama, embora mais raramente. Por isso, a mamografia pode ser aplicada nestas situações no caso de haver algum sintoma associado ao cancro da mama, como o aumento da mama ou o aparecimento de um nódulo. No entanto, por ser muito mais raro, não é recomendado um rastreio nos homens.

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