Lusíadas Porto: consulta de diagnóstico precoce de cancro do pulmão

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Avaliar o risco de cancro do pulmão e aconselhar medidas que minimizem os riscos são os objetivos desta consulta que representa uma aposta na medicina preventiva.

Todos os anos surgem em Portugal 5000 novos casos de cancro do pulmão, que resultam em cerca de 2000 óbitos. Entre nós, não sendo o cancro mais frequente, é o mais letal sendo o principal fator de risco o fumo do tabaco. Foi com base nestes dados que a Lusíadas Saúde criou, no Hospital Lusíadas Porto, um serviço inovador: uma consulta de diagnóstico precoce de cancro do pulmão, que visa informar, sensibilizar, determinar fatores de risco e diagnosticar precocemente aquele tipo de cancro.

“Achou-se por bem agir de forma preventiva, na tentativa do diagnóstico o mais precoce possível de potenciais doentes e de tratamento com intenção curativa”, explica Luís Rocha, pneumologista do Hospital Lusíadas Porto e responsável pela consulta.

“Se a deteção for precoce, há hipótese de cirurgia e, nesse caso, estamos a falar de cura; se detetarmos o cancro numa fase mais tardia e com sintomas, muitas vezes a situação é avançada e falamos de um estádio avançado e tratamento paliativo. Daí a necessidade de uma consulta com foco em alguns fatores de risco, que motivam um diagnóstico mais precoce.”

Fatores de risco do cancro do pulmão

1. Fumo do tabaco

 O fumo do tabaco é o principal fator de risco para o cancro de pulmão, estando na origem de 85% dos casos deste tipo de patologia. “Está demonstrado que quanto mais tempo se fumar e quanto maior o número de cigarros, maior o risco de se desenvolver cancro do pulmão”, indica Luís Rocha. Para a determinação do risco de exposição é calculada a carga tabágica, através da seguinte fórmula:

Número de cigarros dia   x   Número de anos que fumou
20
(corresponde ao número de cigarros de 1 maço de tabaco)

O resultado surge em unidades de maço/ano. Por exemplo, um fumador que começou aos 20 anos a fumar um maço/dia e tem 40 anos, tem uma carga tabágica de 20 unidades de maço/ano.

A partir das 15 unidades maço/ano considera-se que existe um risco aumentado não só de cancro de pulmão, mas também de outras patologias oncológicas e cardiovasculares, bem como uma outra patologia respiratória muito frequente nos fumadores, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

 2. Outros fatores

 A exposição laboral ou habitacional a solos ricos em urânio que emanam um gás radioativo, o radão, são um fator de risco para o desenvolvimento de cancro do pulmão.

Também a exposição às fibras de amianto, como por exemplo o fibrocimento, que em determinadas condições de deterioração podem provocar doença oncológica respiratória, tendo sido objeto de intervenção legislativa em 2005 através da União Europeia, sendo recomendado o desmantelamento das infraestruturas que as contenham.

As mutações genéticas são um outro fator de risco e associam-se com antecedentes familiares diretos (mãe, pai, irmãos) de cancro do pulmão e de outros cancros.

Quem tem indicação para esta consulta

Têm indicação para esta consulta as pessoas que reúnam uma ou mais das seguintes condições:

  • Fumadores com mais de 40 anos;
  • Pessoas com exposição laboral a fatores de risco conhecidos para esta patologia;
  • Pessoas cujos familiares (pai, mãe, irmãos) tenham cancro do pulmão ou outras patologias oncológicas.

O que se passa na consulta

 Na consulta são avaliados um conjunto de sinais e sintomas suspeitos, nomeadamente:

  • Astenia (falta de vigor, diminuição ou perda da força física);
  • Perda de peso significativa (superior a 10% e sem causa aparente);
  • Tosse ou modificação das suas características no doente com patologias já provocadas pelo tabaco;
  • Expetoração com sangue.

Nota: A existência de sintomas sugere uma situação já avançada, uma vez que “o pulmão tem uma reserva funcional grande”, explica Luís Rocha.

Na consulta é também avaliada a função pulmonar e a sua imagem em termos torácicos, com recurso a alguns exames complementares de diagnóstico: tomografia axial computorizada (TAC), endoscopia respiratória, uma PET, exames mais invasivos (biópsia) ou, se necessário, cirurgia. Estes exames permitem detetar muitas vezes lesões iniciais como os nódulos pulmonares e outras lesões.

A consulta tem, ainda, uma função de aconselhamento no que toca à prevenção secundária na diminuição do risco para o cancro do pulmão que, além de medidas de alterações do estilo de vida como a adoção de uma alimentação equilibrada e a prática de exercício físico, passa essencialmente pela cessação tabágica.

No entanto, a consulta de diagnóstico precoce do cancro do pulmão não​ se confunde com uma consulta de cessação tabágica. “Se tenho um fumador que me aparece para avaliar o risco relativamente à doença oncológica, o meu propósito é fazer um ponto de situação quanto à sua ‘saúde respiratória’. Numa outra fase, vamos incentivar que frequente uma consulta de cessação tabágica. A consulta especializada de cessação tabágica necessita de uma abordagem com esta finalidade e de investimento de algum tempo, por isso temos de orientar para dois momentos diferentes”, explica Luís Rocha.

Com que frequência está indicada a consulta

“O acompanhamento é continuado, não se esgota apenas numa consulta”, sublinha Luís Rocha. “É importante continuar com alguma monitorização porque, mesmo que a pessoa abandone o hábito tabágico, o risco de cancro de pulmão mantém-se em cerca de 50% ao fim de 10 a 15 anos. Daí a necessidade de um acompanhamento periódico, no mínimo uma vez por ano.”

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